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Pessoas cada vez mais energizadas mas esgotadas. Como fazer a transição sem colapsar? Como você pode se transformar?

A transformação do mundo ocorre a olhos vistos. Não há mais dúvida sobre o futuro que se aproxima. Podemos não saber como ele será exatamente, mas os sinais de mudanças radicais batem à nossa porta. A conectividade trouxe de carona o barulho, o exagero, o acesso quase que neurótico ao celular e nossa pouca capacidade de lidar com toda esta complexidade.

Na vitrine, a bipolaridade do mundo. A verdade: o que agora está nas redes acontece na vida real há muito tempo, mas agora está exposto em larga escala. Brigamos há séculos para impor o nosso ponto de vista, para ter razão e superioridade sobre os demais seres de nossa espécie.

Propósito e abundância estão na moda, mas o que significam de verdade se estamos cada vez mais angustiados e distantes do que elegemos o sentido de nossas vidas? Propósito é a vontade de realizar algo grandioso, a busca de sentido para as coisas e o para o que se faz enquanto pessoa e profissional. É o legado e a ambição de ser relevante para sua espécie.

Na minha definição, é aquilo para que definiu seu nascimento e sua existência neste planeta. Criei uma fórmula nos últimos 10 anos como coach, ajudando pessoas nesta investigação essencial: propósito é a soma de talentos que, quando usados e regados a seus valores, geram um impacto nos outros e no mundo. A marca que você deixa por onde passa, o valor que agrega aos grupos e comunidades com que toca e convive.

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Propósito é o legado e a ambição de ser relevante para sua espécie (Crédito: Shutterstock)

Abundância não é novidade, e parte da premissa de que a vida é farta e oferece tudo que precisamos para viver. O “tem para todo mundo” que nos permite não reter, acumular, guardar, comprar, competir. A prática da verdadeira abundância que traz prosperidade precisa de intenção genuína senão pode ser um belo disfarce para mais escassez.

Para entrar no mundo digital, é preciso começar com a sua busca de propósito pessoal, para que depois disso você se conecte a projetos com propósito alinhados com o seu. Não permita que o projeto ou sua empresa representem você como pessoa.

Abundância é o oposto do que aprendemos, e minha dica simplista é: teste em vez de duvidar. Cem por cento dos testes que fiz deram certo, mas é preciso ativar o olhar maior para ver que a moeda de retorno pode ser diferente da que você investiu. Não é lógico, mas é certeiro.

Cada vez mais pessoas se apresentam para a construção do mundo novo. Cada vez mais profissionais entendem que o que foi até aqui já não existe mais e que o movimento de mudança ou passagem iniciou. Preciso mudar, é a frase que mais ouvi nos últimos dois meses.

A era tecnológica exige pessoas diferentes. Abertas, multifacetadas, poliqualificadas e com capacidades acima da média do que consideramos padrão até agora. Não me refiro a gênios, com alto QI ou aos personagens celebrados como os melhores do mundo, títulos que sempre questionei.

Não acredito que possa haver um entre tantos bilhões que seja o melhor de todos. Me refiro a pessoas que se libertam, que estão à frente do seu tempo, pessoas comuns como eu e você, que sabem que basta abrir a gaiola que a natureza humana se manifesta em toda sua plenitude.

Perambulando entre o mundo linear, híbrido e digital, percebo nuances preciosas que podem nos ajudar como humanos imperfeitos neste momento complexo de evolução. Somos empurrados para o futuro em velocidade quântica.

Estamos abraçando a tecnologia e muita gente já mudou o foco para o real desafio desta revolução: a transformação e a requalificação das pessoas para o novo planeta que se configura mais surpreendente a cada dia. De certa forma, o novo mundo não me assusta. É como se eu ligasse linhas pontilhadas e minha essência sempre soubesse que um dia seria assim.

Não importa se sua empresa vai continuar ou desaparecer, se seu emprego vai existir ou se transformar, se seu filho está na escola certa ou errada….o ponto de atenção é outro!

Você Digital

Tenho o privilégio de viver a diversidade, de trocar e aprender com pessoas muito diferentes, de observar os ruídos não manifestados e as palavras comuns jogadas no ar. Pensei um pouco em como posso ajudar você neste momento, e rabisquei algumas ideias:

  1. Desconecte-se do barulho do mundo por alguns momentos. Ative o filtro seletivo e bata em retirada por um breve espaço de tempo;
  2. Aceite que ninguém saberá sobre tudo que está acontecendo e saber antes nem sempre é vantagem. Na maioria das vezes, só fomenta angústia;
  3. Vá para perto da natureza, medite, coloque o pé na terra, procure a luz do sol, ouça alguma música suave;
  4. Não abuse de seus limites emocionais. Nosso corpo colapsa e os danos podem ser sérios e definitivos;
  5. Injete certeza perante a vida, sem ser ingênuo em excesso. O mundo tem sua própria inteligência e não estamos no controle. Confie antes de desconfiar! Medos nos atrofiam e nos tiram do bom jogo do mundo;
  6. Assuma que o que foi já foi, e tudo bem. Precisamos andar para frente e o mundo é lento, mas vem melhorando a cada década;
  7. Use o “E SE” para estimular a criatividade, criar o impossível, não para fomentar devaneios precipitados sobre robôs que vão exterminar a raça humana do planeta. Pensamentos moldam o cérebro e nos transformamos naquilo que pensamos, dizemos e fazemos;
  8. Não se preocupe com as próximas gerações, elas estarão bem se fizermos nosso trabalho direito. As melancias vão se ajeitando na carroça ao longo do tempo;
  9. Assuma suas verdades, seus medos, faça escolhas e renúncias. Não dá para ter tudo e enganar a si mesmo agora pode se tornar seu grande buraco daqui pra frente;
  10.  Não vegete pela vida, viva-a de verdade. Saia do piloto automático e do conforto, que são quentinhos mas chatos e improdutivos pra caramba. Passe por lá só para descansar um pouco e lembre de passar por lá de vez em quando;
  11. Nossa mente não é exponencial. Não dê a ela doses alta demais. Você pode colapsar ou pinicar sem necessidade. Nada vale nossa saúde mental, física e emocional;
  12. Medite todos os dias. É impossível entrar no novo mundo sem ter presença e sem transcender a mente;

Ser digital significa expandir seu ser e sua consciência. Significa achar o seu lugar no mundo, uma razão para viver e trabalhar, abandonar medos e padrões de escassez e comungar a vida com seus semelhantes.

Ser digital é ser integrado com as novas tecnologias, recebê-las com braços abertos e parar de defender formas pouco inteligentes de viver. Deixe os robôs fazer os trabalhos chatos. Vamos usar nossa inteligência para nos conectar com o fluxo quântico do universo.

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Ser digital é ser integrado com as novas tecnologias (Crédito: Shutterstock)

Estamos aqui de passagem. Temos a obrigação de evoluir e de deixar algo de valor para este mundo. A era digital nos possibilita pensar coletivamente e talvez começar a entender que somos uma pálida bola azul entre tantas outras na Via Láctea. Não há outro caminho, nem caminho de volta. Não há um guru ou um livro onde você possa se apoiar e entender a mudança do nosso tempo.

Instrua-se, conecte-se com diferentes grupos, dedique tempo, energia e recursos para construir um novo caminho para sua vida e para seu trabalho. Estude, pratique, fuja das ondas da moda. Faça terapia, mentoria, coaching. Vá a palestras, saia com amigos que estão na mesma sintonia. Não tente convencer ninguém de nada, aprenda com quem sabe e ensine que não sabe, com gentileza e generosidade.

Nosso grande trabalho agora é nos tornarmos pessoas inteiras, serenas, completas para que de forma coletiva possamos usufruir deste lindo novo mundo que promete ser extraordinário.

E, por fim, não seja pessimista. Pessimistas são chatos, medrosos, teimosos e egocêntricos. O otimismo realista cria energias de prosperidade. Seja digital, que no fundo significa: seja um melhor ser humano


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Jaqueline Weigel

Futurista, Humanista, Estrategista de Inovação, Instrutora de Liderança Exponencial e CEO da W Futurismo.

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