Ciência

Terapia genética poderá ajudar os astronautas a sobreviver em Marte

Os cientistas estão explorando a terapia genética como uma forma de ajudar os astronautas a sobreviver em Marte. Segundo um recente estudo publicado na revista Oncotarget, a fabricação de medicamentos personalizados poderá tornar as células dos viajantes espaciais mais resistentes aos altos níveis de radiação do planeta vermelho.

Os riscos da radiação

A radiação pode atravessar a pele, danificar células e afetar o DNA. A quantidade de danos causados ​​pela radiação varia conforme a dose recebida. Segundo a NASA, o dano pode variar de quase nenhum efeito (células se recuperam e continuam a funcionar normalmente) até a morte (resultante de dano vascular ou cerebral).

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A radiação pode atravessar a pele, danificar células e afetar o DNA (Crédito: Shutterstock)

As células danificadas podem se reproduzir para formar células cancerígenas e o sistema imunológico pode ficar comprometido. Um estudo da Universidade da Flórida revelou, inclusive, que os astronautas que participaram do Programa Apollo estão agora sofrendo de doenças cardiovasculares.

Os viajantes espaciais são expostos a altos níveis de radiação durante as missões. Um astronauta experimenta de 40 a 100 vezes a radiação que humanos experimentam na Terra. O astronauta Scott Kelly, que passou um total de 520 dias no espaço, apresenta atualmente uma dose de radiação vitalícia de 239,6 mSv.

Desde o primeiro dia em que você se apresenta, o risco conhecido de voar no espaço é a radiação. – Scott Kelly

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O astronauta Scott Kelly foi exposto a altos níveis de radiação (Crédito: NASA/Robert Markowitz)

Embora a NASA estabeleça o patamar de 1200 mSv (milésimos de Sievert, a unidade que mede os efeitos biológicos da radiação) como índice máximo a ser suportado por um astronauta (durante toda a carreira!), estima-se que uma viagem a Marte exponha os viajantes a doses de radiação de 600 mSv.

Marte apresenta dois tipos de radiação. A primeira delas é a radiação solar, a mesma que sentimos na praia com queimaduras do sol – são partículas energizadas que penetram a atmosfera. O outro tipo é a radiação cósmica, proveniente de fontes misteriosas além do nosso sistema solar – e com energia muito maior.

Terapia genética: como tornar os humanos resistentes à radiação?

Os cientistas estão confiantes de que poderão tornar os seres humanos mais resistentes à radiação. Uma das técnicas envolve o desenvolvimento de medicamentos personalizados (ou seja, feitos sob medida para cada um dos viajantes espaciais) para tornar algumas células humanas tolerantes à radiação.

A inteligência artificial terá um papel fundamental nesse ponto e poderá identificar quais células são mais resistentes. Ao identificar quais são as células mais fortes, os cientistas seriam capazes de fortificá-las por meio da terapia genética, desenvolvendo drogas para melhorar a capacidade de reparação do DNA.

Você provavelmente já deve ter ouvido falar dos tardígrados, também conhecidos como “ursos d’água”. Medindo entre 0,3 a 0,5 milímetros de comprimento, essas criaturinhas extremamente resistentes são uma das grandes apostas dos cientistas para tornar as células humanas resistentes à radiação.

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Os “ursos d’água” são considerados os animais mais resistentes do mundo (Crédito: Universität Stuttgart)

De acordo com o professor David Sinclair, os genes dos tardígrados podem impulsionar o reparo do DNA ou mesmo evitar danos na sequência genética. Uma pesquisa concluiu que células humanas modificadas com genes de tardígrados foram capazes de reduzir danos de raios-X em cerca de 40%.

Os viajantes espaciais e a terapia genética

Embora muitos esforços tenham sido dedicados para explorar novos planetas, são raras as pesquisas que estudam os métodos de proteção dos astronautas nos ambientes radioativos cósmicos. Proteger o corpo humano dos efeitos nocivos da radiação espacial nunca esteve entre as prioridades das agências espaciais.

Contudo, se a humanidade realmente deseja desbravar a última fronteira, não há mais como ignorar a questão. A exposição à radiação (solar e cósmica) representa uma das várias categorias de risco inaceitáveis ​​em missões de exploração do espaço profundo, incluindo a tão aguardada jornada a Marte.

Investir em métodos nutricionais ou farmacêuticos – e não apenas em espaçonaves e trajes espaciais – talvez seja a melhor maneira de proteger os astronautas em futuras missões. E, ao que tudo indica, mesmo animais minúsculos como os “ursos d´água” poderão ter um papel fundamental para nos tornar mais resistentes à radiação.

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Redação

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