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Tecnologia

Software que lê emoções será usado para identificar “criminosos” antes de agir

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa russa NTechLab

Os Estados Unidos têm investido muito na tecnologia de reconhecimento facial para evitar atos criminosos, principalmente desde os ataques terroristas do 11 de Setembro. Hoje, estima-se que 117 milhões de rostos estão cadastrados no banco de dados das polícias e agências governamentais norte-americanas.

A tecnologia de reconhecimento facial está modificando a maneira como as autoridades enfrentam o crime e buscam prevenir novas práticas. O FBI, por exemplo, está usando o Next Generation Identification (NGI).

O sistema é capaz de analisar mais de 411 milhões de fotos para identificar suspeitos, e não apenas analisa rostos de pessoas que já cometeram crimes, mas também compara a pesquisa com fotografias de vistos e passaportes.

Como forma de oferecer mais segurança aos países, cidades e estados, a empresa russa NTechLab desenvolveu um software de reconhecimento facial que, quando usado em conjunto com câmeras de vigilância, poderia identificar pessoas que estão irritadas, nervosas ou estressadas em uma multidão e, com isso, prevenir crimes em tempo real.

A ferramenta de identificação de emoções é uma nova parte do software de reconhecimento facial da NTechLab, que em 2016 ganhou notoriedade ao conseguir encontrar pessoas desaparecidas na Rússia. Na ocasião, a tecnologia foi integrada ao aplicativo FindFace, sendo usada para rastrear os desaparecidos na rede social VKontakte.

Com sede em Moscou, a empresa tem mais de 2.000 clientes em diversos países, como Reino Unido, Estados Unidos, China, Índia e Austrália. O perfil dos interessados no software vai desde empresas de varejo até agências governamentais, que utilizam a tecnologia para identificar criminosos e terroristas em potencial.

A essa altura, é bem provável que o leitor tenha pensado (ou recordado) do filme Minority Report (2002), dirigido por Steven Spielberg. Seria o sistema da NTechLab uma antecipação do futuro distópico apresentado no filme, no qual pessoas inocentes são aprisionadas sem nunca ter cometido crimes reais?

Antecipando o futuro distópico de Minority Report?

Inspirado num conto do escritor Philip K. Dick, Minority Report se passa no ano de 2054 e retrata um universo futurista onde criminalidade foi completamente erradicada. A narrativa tem como protagonista o ator Tom Cruise, que interpreta o detetive John Anderton.

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O detetive John Anderton em Minority Report

Lotado na Divisão Pré-Crime do Departamento de Polícia de Washington, Anderton tem o dever diário de interpretar insights fornecidos por três paranormais com a capacidade de prever o futuro. Imersos num enorme tanque líquido, os precogs (de precognição) transmitem cenas de crimes que ainda não aconteceram.

A incumbência de Anderton é então identificar, a partir das visões fornecidas pelos precogs, o local exato em que o crime será “praticado” e prender o “criminoso” antes mesmo que leve sua ação adiante.

Identificando emoções para evitar atos criminosos

Embora o sistema desenvolvido pela NTechLab não tenha capacidade de apontar onde o crime seria cometido, poderia ser usado para, a partir das expressões faciais, impedir preventivamente possíveis criminosos. Para o CEO da empresa, Alexander Kabakov, a tecnologia oferece mais segurança a todos:

O reconhecimento dá um novo nível de segurança nas ruas. Em alguns segundos você pode identificar terroristas, criminosos ou assassinos – Alexander Kabakov

A NTechLab está convencida de que o patamar atual de precisão da tecnologia (94%) é suficiente para reduzir os índices de criminalidade. A empresa está atualmente trabalhando com o governo de Moscou para adicionar o software de reconhecimento às 150.000 câmeras de vigilância (CCTVs) da cidade.

Para o CEO da empresa, Alexander Kabakov, a integração do software com as CCTVs seria um meio eficaz para interromper os crimes antes mesmo que eles sejam praticados.

Em suma, antecipando ou não o futuro distópico de Minority Report, estamos definitivamente vivendo a era do reconhecimento facial. Nos dias de hoje, nossos rostos são livros abertos que podem ser lidos por qualquer um.

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