Ciência

Seremos um dia imortais?

A ideia de imortalidade sempre esteve presente na humanidade. Desde os tempos mais remotos, o ser humano buscou evitar a morte. Este desejo, sem dúvida, permanece até os dias de hoje. A diferença é que agora muitas pessoas realmente acreditam que seremos imortais nas próximas décadas.

Um número cada vez maior de cientistas e pesquisadores está se convencendo de que a morte pode ser interrompida ou, pelo menos, retardada. Há ideias mais ousadas de que, no futuro, nem precisaremos de um corpo ou de um cérebro para existir, já que nossas consciências “viverão” em redes de computadores.

Seremos um dia imortais?

Conheça a seguir as três maneiras pelas quais os cientistas estão se esforçando para que um dia a humanidade possa alcançar a imortalidade ou, pelo menos, aumentar o seu “prazo de validade”.

1. Criônica

A criônica (cryonics, em inglês) é o processo de preservar – em baixa temperatura – uma pessoa que não pode mais ser mantida viva pela medicina atual, na expectativa de que a cura e a reanimação sejam possíveis no futuro. O termo é derivado da palavra grega κρύος (kryos), que significa congelado.

O processo criônico “vitrifica” o cérebro, transformando-o em uma substância semelhante a um copo (de vidro). A técnica vem levando muitos especialistas a questionar se pacientes congeladas podem ser revividos com sucesso, havendo dúvidas se é possível manter as memórias intactas após acordar.

Para Ralph Merkle, considerado um dos maiores especialistas no assunto, os críticos da criônica se assemelham aos céticos do início dos anos 1900 que acreditavam que a humanidade jamais conseguiria pisar na Lua. Na opinião do profissional, ninguém deve subestimar o potencial da tecnologia do futuro.

Merkle é atualmente membro conselheiro da Alcor Life Extension Foundation, uma organização dedicada a pesquisar e realizar o processo criônico nos Estados Unidos. A Alcor possui 153 pacientes congelados em suas instalações, e quase 1.000 pessoas já fizeram arranjos para ter seus corpos preservados.

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As instalações da Alcor Life Extension Foundation, em Scottsdale, Arizona, EUA (Crédito: Gizmodo)

O especialista nega que as tecnologias de congelamento sejam incapazes de preservar a memória. Em testes preliminares com lombrigas, Merkle constatou ser possível a retenção de memória após o descongelamento. Para ele, a “vitrificação” oferece uma excelente preservação da estrutura sináptica.

Ralph Merkle acredita que, nas próximas décadas, a tecnologia permitirá que sejam realizados reparos nos corpos durante o processo criônico. Assim, no momento que fossem descongelados, os pacientes acordariam com todas suas doenças curadas, prontos para recomeçar suas vidas.

2. Inteligência artificial

Uma minoria crescente de pesquisadores está se convencendo de que o envelhecimento, enquanto um fenômeno natural experimentado por todos nós, é uma doença capaz de ser tratada ou mesmo curada. Os avanços da biotecnologia e da biologia sintética estão nos permitindo estender a vida de variadas formas.

Para Ray Kurzweil, conseguiremos interromper a morte (ou, pelo menos, retardá-la) no futuro. Segundo o futurista, seremos capazes de enganar a morte uma década por vez, nos submetendo a tratamentos para curar doenças, regenerar tecidos e aumentar a eficácia de nossos sentidos.

Já na opinião de Alex Zhavoronkov, a imortalidade poderá ser alcançada graças à inteligência artificial (AI). O pesquisador pretende construir um sistema capaz de modelar e monitorar o estado de saúde humana para corrigir rapidamente desvios ou realizar intervenções terapêuticas, se necessário.

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Para Zhavoronkov, a imortalidade poderá ser alcançada graças à inteligência artificial (Crédito: BiopharmaTrend)

Segundo Zhavoronkov, que é CEO da Insilico Medicine , Diretor do International Aging Research Portfolio (IARP) e da Biogerontology Research Foundation, o impacto da AI sobre a humanidade será imensurável. Para o pesquisador, será ela a verdadeira responsável por nos salvar da morte nas próximas décadas.

3. Upload mental

Existem, por fim, os defensores do upload mental. Para eles, no futuro nem precisaremos de um corpo ou de um cérebro para existir, já que nossas consciências viverão em redes de computadores. A ideia talvez fique mais clara se você assistir o filme Lucy (2014), especialmente a cena final.

2045 Initiative é certamente um dos projetos mais ambiciosos de upload mental. Fundada pelo bilionário russo Dmitry Itskov, a organização pretende criar tecnologias que permitam transferir a personalidade de um indivíduo para um transportador não biológico mais avançado.

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A 2045 Initiative é um dos projetos mais ambiciosos de upload mental (Crédito: 2045 Initiative)

A organização acredita que poderá tornar os seres humanos imortais no futuro. O roteiro para o desenvolvimento da imortalidade cibernética se baseia em quatro etapas, sendo que cada uma delas representa um nível adicional de imaterialidade. A 2045 Initiative já começou a trabalhar nas três primeiras fases.

O autor do livro Heavens on Earth (2018), Michael Shermer, destaca que iniciativas não faltam para nos tornar imortais. Hoje, há muitos cientistas trabalhando para estender o limite máximo da vida humana por meio de tecnologias médicas. Mas ninguém ainda descobriu como sobreviver além dos 125 anos.

Mesmo que a ciência médica eleve a idade máxima por alguns anos ou décadas, o sonho de viver séculos ou milênios é algo improvável. – Michael Shermer

Será que, no futuro, haverá um limite máximo da vida humana? Será que algum dia seremos amortais, nos tornando seres humanos sem “data de validade”? Será a humanidade capaz de alcançar a imortalidade nas próximas décadas ou séculos, com nossas consciências “vivendo” em computadores?

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Redação

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