Ciência

Rússia anuncia planos para construir “hotel de luxo” na Estação Espacial Internacional

A Rússia anunciou planos para construir um “hotel de luxo” de 15 metros de comprimento a bordo da Estação Espacial Internacional. Estimado em US$ 446 milhões, o módulo turístico será composto por quatro quartos, duas estações médicas, uma sala para atividades físicas e uma área de lounge.

Turismo espacial

O turismo espacial não é necessariamente uma ideia nova. A diferença é que hoje empresas aeroespaciais privadas estão investindo esforços para que pessoas de todas as partes do mundo possam conhecer o cosmos. Ao que tudo indica, no futuro o espaço não será apenas dos astronautas.

A SpaceX, de Elon Musk, recentemente anunciou planos para enviar duas pessoas para orbitar a Lua. A Virgin Galactic, de Richard Branson, está trabalhando para viabilizar voos espaciais regulares. E a Blue Origin, de Jeff Bezos, lançou um vídeo demonstrativo de uma futura viagem espacial:

O lado não tão bom da experiência é que, mesmo pagando milhões de dólares, os aventureiros bilionários terão de  lidar com as mesmas dificuldades enfrentadas por astronautas bem treinados, tais como acomodações apertadas, comidas desidratadas e dormir em baixa gravidade.

Para aqueles acostumados com experiências de primeira classe, o turismo espacial, nas condições propostas por empresas como Blue Origin, pode ser frustrante. Foi buscando atender este público mais exigente que a agência espacial russa (Roscosmos) decidiu construir um “hotel de luxo” no espaço.

“Hotel de luxo” no espaço

As comodidades do módulo turístico incluirão uma suíte orbital a bordo da Estação Espacial Internacional, cabines privadas com grandes janelas, instalações de higiene pessoal, equipamentos de ginástica e até conexão Wi-Fi. Cada viagem durará em torno de duas semanas, ao preço de US$ 40 milhões por pessoa.

A estrutura do “hotel de luxo” proposta pela Rússia é semelhante ao The Science and Power Module (NEM), módulo atualmente em construção na Rússia e que deverá ser enviado à Estação Espacial Internacional em 2021. A diferença essencial é que o novo módulo será personalizado para os clientes pagantes.

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Renderização do módulo turístico (Crédito: Anatoly Zak)

O módulo será financiado pela empreiteira russa RKK Energy. Para minimizar o custo inicial, a empresa está buscando pelo menos 12 passageiros dispostos a pagar US$ 4 milhões iniciais, seguido de dois pagamentos de US$ 12,6 milhões nos dois anos anteriores ao voo real.

Já para recuperar o investimento o mais rápido possível (estimado em até US$ 446 milhões), a RKK Energy planeja oferecer quatro viagens por ano (com dois turistas em cada voo) acompanhadas de um cosmonauta profissional. Neste ritmo, a empresa espera recuperar o investimento em sete anos.

Os turistas espaciais poderão prolongar a estadia para um mês com US$ 20 milhões adicionais. Além de contemplar a Terra a uma altitude vertiginosa de 340 km, os hóspedes terão a oportunidade de dar caminhadas espaciais acompanhados de um cosmonauta profissional.

Os próximos passos da Rússia

Como toda iniciativa no setor espacial, existem muitas dificuldades. A primeira delas está na obtenção dos turistas espaciais. O plano aposta no número crescente de multimilionários em todo o mundo, baseado em estimativas de que haverá 43 mil pessoas com fortuna superior a US$ 30 milhões até 2021.

Contudo, há o risco de que estes multimilionários não tenham interesse em viajar para o espaço. A RKK Energy precisaria que pelo menos 36 pessoas (ou 0,33% do grupo inteiro) desejassem optar visitar o hotel espacial para recuperar o investimento e, então, começar a lucrar com o projeto.

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O investimento para construir o “hotel de luxo” está estimado em US$ 446 milhões (Crédito: Shutterstock)

Um segundo obstáculo é a complexidade técnica envolvida na construção do módulo. Mesmo que engenheiros possam aproveitar os modelos existentes e peças sobressalentes disponíveis do NEM, os esforços para reiniciar a montagem foram cronicamente atrasados em outras experiências.

Há também o problema da iminente aposentadoria da Estação Espacial Internacional, prevista para 2028. A RKK Energy estima que levaria pelo menos cinco anos para construir o módulo turístico. Logo, mesmo que as construções começassem hoje, o hotel chegaria à estação a partir de 2022.

Seja como for, a Rússia está entusiasmada com os planos de construir o primeiro “hotel de luxo” no espaço. Se tudo correr bem, em alguns anos veremos agências espaciais oferecendo aventuras orbitais de cinco estrelas – sobretudo para aqueles, é claro, que podem pagar os valores sugeridos.

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Redação

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