Ciência

Pela primeira vez, um robô realizou cirurgia ocular em humanos

Pesquisadores do Departamento de Neurociências Clínicas de Nuffield, na Universidade de Oxford, concluíram com sucesso a primeira cirurgia ocular auxiliada por um robô. O procedimento envolveu a dissecção da membrana epirretiniana de seis pacientes e foi realizado no John Radcliffe Hospital.

Em 2016, a Universidade de Oxford iniciou uma série de testes clínicos com o dispositivo cirúrgico PRECEYES. O sistema, de propriedade da empresa holandesa Preceyes BV, foi projetado exclusivamente para realizar cirurgias na retina humana – a membrana responsável pela formação das imagens.

Cirurgia ocular realizada por robô

Após dois anos de aprendizado, os pesquisadores decidiram testar, pela primeira vez, a destreza do robô em humanos. Assim, liderados pelo cirurgião Robert MacLaren, os especialistas recrutaram 12 pacientes para realizar procedimentos de dissecação da membrana epirretiniana.

Em síntese, os profissionais conduziram seis cirurgias da maneira tradicional e seis com o auxílio do PRECEYES. A forma humana de realizar o procedimento envolve uma pequena incisão logo acima da pupila, através da qual o cirurgião, usando instrumentos microcirúrgicos, disseca a membrana.

Na maneira robótica, o cirurgião insere o sistema PRECEYES através de uma incisão (inferior a um milímetro de diâmetro) um pouco abaixo da pupila. Uma vez lá, ele separa a membrana da retina com um joystick. Em seguida, remove a membrana e sai pelo mesmo buraco em que entrou.

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Todas as 12 cirurgias foram bem-sucedidas (Crédito: Oxford University)

Tornando os cirurgiões ainda mais eficazes

Na primeira fase de testes, em alguns procedimentos o robô tornou o cirurgião ainda mais eficaz do que o habitual. Já na segunda fase, a equipe usou o robô para inserir uma agulha fina sob a retina. O procedimento dissolveu o sangue de três pacientes que tinham degeneração macular relacionada à idade.

Como os cirurgiões não estavam familiarizados com o robô, o jeito foi manuseá-lo lentamente e com cautela. Com isso, a cirurgia ocular robótica acabou durando três vezes mais do que uma cirurgia tradicional. Ainda assim, todos os 12 procedimentos foram bem-sucedidas e todos os pacientes tiveram melhora na visão.

A cirurgia ocular robótica, na opinião dos especialistas

De acordo com Marc D. de Smet, da empresa Preceyes BV, o teste confirmou a segurança e precisão do projeto. Para ele, fornecer precisão nos procedimentos – além das capacidades humanas – é um caminho para ultrapassar as fronteiras dos procedimentos atuais.

Já para Robert MacLaren, professor de oftalmologia da Universidade de Oxford, o procedimento configura um enorme passo na realização de cirurgias delicadas e tecnicamente difíceis. De acordo com ele, é inegável que o robô apresenta grande potencial de expandir os limites das operações oftalmológicas.

Nosso próximo passo será usar o dispositivo cirúrgico robótico para a entrega precisa e minimamente traumática de uma terapia genética para a retina, que será outra conquista inédita e deve começar no início de 2019. – Robert MacLaren

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Redação

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