Virtualidade

Quando a realidade virtual será capaz de se conectar diretamente às nossas mentes?

A tecnologia de realidade virtual (VR) tem avançado muito nos últimos anos. Com ela, podemos fazer nossas mentes flutuarsentir o vento e a temperatura, aprender química, projetar carros e até mesmo fazer sexo. Definitivamente, o mundo virtual está se tornando cada vez mais presente em nossas vidas diárias.

Apesar de todos os avanços, a VR ainda tem suas limitações. Os usuários precisam colocar headsets para imergir na simulação computadorizada – sem o equipamento, a virtualização não acontece. Além disso, os eventualmente precisam usar controles hápticos (sensíveis ao toque) para obter uma melhor experiência dentro da VR.

Muitos gamers sonham com o dia em que seremos capazes de ignorar todos esses utensílios. Sonham em um dia conectar a VR diretamente às nossas mentes. Ainda que os equipamentos sejam relativamente fáceis de utilizar. Mas será possível estabelecer essa conexão no futuro?

Os mistérios da mente

Em seu livro The Future of the Mind (2014), o físico teórico Michio Kaku lembra que a mente humana é uma das forças mais poderosas e misteriosas do mundo, e o cérebro, pesando apenas um quilo e meio, é o elemento mais complexo do sistema solar.

A ideia parece não intimidar empreendedores como Elon Musk e Bryan Johnson. Em resumo, os visionários estão trabalhando para conectar nossos cérebros a computadores.

A ideia por trás da Neuralink, empresa criada por Musk, é desenvolver, por meio de redes neurais, uma interface cérebro-máquina para impulsionar as habilidades cognitivas dos seres humanos. A tecnologia consiste no implante de pequenos eletrodos no cérebro, os quais poderiam fazer o download/upload de nossos pensamentos.

Interfaces cérebro-máquina, que recorrem a implantes invasivos de eletrodos, já existem hoje. Embora seu uso seja limitado ao tratamento de pacientes com Parkinson, epilepsia e outras doenças neurodegenerativas, Musk acredita que em breve veremos uma fusão mais próxima entre a inteligência biológica e a inteligência artificial.

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Elon Musk e Bryan Johnson pretendem conectar nossos cérebros a computadores no futuro

Conexões duradouras

Já a Kernel, fundada pelo empresário Bryan Johnson, busca criar conexões duradouras entre o mundo digital e o neocórtex humano para aumentar a inteligência humana e a qualidade de vida. A empresa estima que, ao conectar o neocórtex com a nuvem, o ser humano poderá aprimorar suas funções cognitivas e a capacidade de memória.

Johnson investiu US$ 100 milhões do próprio bolso na empresa. E hoje está aumentando seu time de neurocientistas e engenheiros de software. Em síntese, o objetivo é reverter os efeitos de doenças degenerativas e tornar nossos cérebros mais rápidos, inteligentes e conectados.

No futuro, poderíamos conectar nossos cérebros com a mente de outras pessoas. Isso sem falar em inteligências artificiais emergentes. Em resumo, é algo similar ao que está ocorrendo, aos poucos, com os dispositivos móveis na Internet das Coisas.

Os objetivos que impulsionam iniciativas como Neuralink e Kernel demonstram o quão longe a tecnologia poderá nos levar. Mas, ao que parece, serão os desenvolvedores de jogos os primeiros a conectar nossas mentes com a VR.

Conectando a realidade virtual às nossas mentes

Dan Cook, fundador da EyeMynd, trabalha na tecnologia que permitirá aos usuários imergir na VR usando suas ondas cerebrais – sem a necessidade de headsets ou controles (apenas pensamentos).

Em entrevista ao The Guardian, Cook referiu que os computadores estão se tornando suficientemente rápidos para que possamos detectar e interpretar todos os sinais do cérebro em tempo real. Para ele, em até 10 anos seremos capazes de conectar nossas mentes à VR.

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A EyeMynd está trabalhando para que as ondas cerebrais sejam traduzidas em ações na VR (Crédito: EyeMynd)

O portal Futurism realizou essa semana uma enquete com seus leitores, questionando em qual década será possível conectar a realidade virtual com a mente humana. Em torno de 60% dos participantes estimam que isso ocorrerá nos próximos 20 anos.

Já outros estão mais céticos em relação à situação da tecnologia de interface cérebro-computador (Brain-Computer Interface – BCI). Em recente estudo, um grupo internacional de pesquisadores destacou que os métodos para interagir com ambientes virtuais através de nossos pensamentos são ainda embrionários. Para os pesquisadores, o BCI deve amadurecer muito para se comunicar com aplicações em VR.

Enfim, talvez tenhamos que aguardar alguns anos para resultados mais concretos. Mas o fato é que empresas estão investindo fortemente na combinação entre VR e BCI. E não deverá tardar para que possamos desfrutar de mundos virtuais conectados por nossos pensamentos.

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Redação

Futuro Exponencial é um site que se dedica a cobrir os mais recentes avanços tecnológicos e seus potenciais impactos para o futuro da humanidade

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