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Propósito, dinheiro e empreendedorismo: uma relação em constante DR

Você já parou pra pensar no que o dinheiro significa para você? Sobre o poder que ele exerce sobre suas decisões ou sobre como você lida com a falta dele?

É muito interessante observar o paradoxo existente em diversos temas cotidianos nos dias de hoje. Buscamos por mais flexibilidade no trabalho, mas trabalhamos muito mais do que antes. Queremos mudar o mundo, mas ignoramos a pessoa com fome sentada na esquina.

Queremos conhecer novas culturas e respeitar as diferenças, ao mesmo tempo em que desdenhamos de aspectos culturais próprios. Queremos construir um unicórnio (empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares), mas julgamos aqueles que possuem bom patrimônio.

E é sobre esse último ponto que eu gostaria de falar um pouco mais. Tenho percebido que o culto inconsciente ao empreendedorismo e as tão faladas startups fez com que ressignificássemos nossa relação com o dinheiro. O que para a Geração X era sinônimo de poder, para a Z carrega consigo um estigma de não merecimento. É como se o bonito fosse mesmo passar a vida na busca por um investidor.

Não sei exatamente qual foi o turning point disso tudo, mas desde que comecei a estudar sobre cenários de futuro, novas profissões e, especialmente sobre empreendedorismo com propósito, comecei a ver cada vez mais pessoas abandonando empresas tradicionais em busca de um sonho.

E perceba aqui que não estou colocando essas questões para desmotivá-lo a correr atrás dos seus. Pelo contrário. O que quero trazer para a discussão é a importância de uma certa estabilidade para que possamos alcançá-los.

Propósito

Quando falamos em sonhos, logo vem à mente uma palavrinha do momento: propósito. A razão pela qual algo existe ou é criado. A razão pela qual eu existo! E como encontrar ou criar um trabalho que, ou seja sinérgico ao meu propósito, ou que o entregue em sua totalidade?

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Quando falamos em sonhos, logo vem à mente uma palavrinha do momento: propósito (Crédito: Unsplash)

Quando pensamos em propósito, tendemos a considerá-lo de forma limitada, fragmentada. Mas precisamos entender as implicações disso. Nos acostumamos com o hábito de dividir para analisar.

Em partes menores, tudo fica mais fácil. Mas esquecemos que o todo é maior que a soma das partes. Aplicando sobre nosso propósito uma visão holística conseguimos compreender como ele pode ser manifestado de diversas formas, em diversas frentes e através de diversas plataformas. Inclusive pelo seu trabalho.

Dinheiro

O dinheiro não faz parte desta equação. Dinheiro é um fenômeno de mercado. Ele representa a concretização de um acordo predeterminado em que você fica responsável por algo e, em troca desta entrega, recebe uma determinada quantia. Ele não deveria vir carregado de culpa.

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Dinheiro é um fenômeno de mercado. (Crédito: Unsplash)

Pelo contrário, deve ser recebido como sinônimo de um bom desempenho na entrega das suas propostas. A culpa aparece quando não percebemos o impacto que todo e qualquer trabalho pode ter.

Empreendedorismo

O cenário atual, que valoriza o propósito como linha guia de nossas ações, fez com que acontecesse um bum de empreendedores. Em grande parte, tentando resolver alguma problema global. O tema chegou a virar piada com a série Sillicon Valley, mas o fato é que o movimento é superpositivo.

Eu admiro muito quem larga tudo para a construção de uma startup de impacto positivo. De verdade! E entendo que, em alguns casos, a única forma de fazê-la um negócio é de fato se dedicando integralmente ao empreendimento. Meu ponto aqui é que essa é uma forma de entregar um propósito alinhado com o espírito do nosso tempo. Mas existem outras.

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Eu admiro muito quem larga tudo para a construção de uma startup de impacto positivo (Crédito: Unsplash)

Acredito que um novo olhar para o dinheiro virá quando entendermos o potencial de nossas ações no dia a dia, no trabalho, em casa, em qualquer lugar. A empresa é uma plataforma, o trabalho, uma ferramenta. Observe tudo o que você faz e tente entender todos os pontos de contato que permitem uma interação positiva.

Perceba que, independente do setor em que trabalha, você ajuda no desenvolvimento de diversas famílias. Identifique o potencial dessa plataforma para a disseminação das suas ideias. Empreenda de dentro para fora. Hackeie o sistema.

Dinheiro é apenas uma forma de viabilizar desejos. Entender que não são empresas as responsáveis por mudar o mundo, mas sim as pessoas, deve permitir que enxerguemos novas possibilidades de transformação. Talvez assim olharemos para o saldo da conta bancária não como recompensa, mas como novas possibilidades.

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Roberta Ramos

Jornalista, curiosa e filósofa de boteco

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