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Pesquisadores afirmam que as máquinas irão substituir médicos e advogados no futuro

Estamos diante de uma mudança radical no trabalho profissional

No ano de 2013, um estudo conduzido pelos pesquisadores Carl B. Frey e Michael A. Osborne, da Oxford University, no Reino Unido, constatou que 47% das profissões nos Estados Unidos possui alto risco de ser automatizadas por máquinas no futuro.

Embora tenha aborrecido operadores de telemarketing, restauradores de relógios e bibliotecários – profissionais listados com maior probabilidade de substituição por máquinas –, o estudo foi comemorado principalmente por médicos e advogados, que acreditaram estar completamente imunes à automatização.

Para os pesquisadores Richard Susskind e Daniel Susskind, que recentemente publicaram um novo estudo sobre o futuro do trabalho na Harvard Business Review, a tranquilidade desses profissionais não passa de uma doce ilusão.

O futuro do trabalho

Após anos participando de conferências e prestando consultoria para empresas, a dupla de pesquisadores concluiu que as profissões tradicionais serão desmanteladas dentro de algumas décadas. E profissionais como médicos e advogados – lamentavelmente – não serão poupados.

Segundo Richard Susskind e Daniel Susskind, embora as pessoas reconheçam ser alta a probabilidade de que as máquinas assumam os trabalhos rotineiros no futuro, a maioria delas acredita que especialistas humanos sempre serão necessários para as trabalhos difíceis que exigem julgamento (juízo), criatividade e empatia.

Para colocar à prova o argumento, os pesquisadores entrevistaram 100 líderes de oito áreas de profissionais diferentes, dentre elas Medicina e Direito, e consultaram cerca de 800 fontes relacionadas ao tema do futuro do trabalho, abrangendo livros publicados, relatórios internos, artigos e sites. A constatação foi apenas uma:

Encontramos muitas evidências de que uma mudança radical no trabalho profissional já está em andamento. – Richard Susskind e Daniel Susskind

E como isso afeta médicos e advogados?

Vejamos o campo da Medicina. O WebMD é uma rede que fornece informações e ferramentas para gerenciar a saúde. A equipe do portal trabalha em colaboração com mais de 100 médicos e especialistas em saúde nos Estados Unidos, oferecendo constante suporte a todos que procuram informações na área. Mas, segundo os pesquisadores,

Há mais visitas mensais à rede WebMD (…) do que a todos os médicos nos Estados Unidos. – Richard Susskind e Daniel Susskind

Já no campo do Direito, anualmente 60 milhões de discussões entre os comerciantes do eBay são solucionadas usando o recurso intitulado online dispute resolution, ao invés de advogados e juízes. E novamente, de acordo com os pesquisadores,

Este é três vezes o número de ações movidas a cada ano em todo o sistema judicial dos Estados Unidos. – Richard Susskind e Daniel Susskind

Para a dupla de pesquisadores, o WebMD e eBay apenas alguns dos indicadores de uma mudança fundamental que está ocorrendo nos serviços profissionais. Soluções personalizadas para cada cliente (ou paciente) estão sendo trocadas pela padronização do serviço. E isso está sendo verificado em empresas, escolas e hospitais.

Cada vez mais, os médicos estão usando checklists, os advogados dependem de precedentes e os consultores trabalham com metodologias. – Richard Susskind e Daniel Susskind

À medida que os conhecimentos profissionais e os conhecimentos especializados vão sendo sistematizados, a tendência é colocá-los na rede: disponibilizá-los para todos. Às vezes, como um serviço cobrado; outras vezes, sem nenhum custo; mas, em suma, como open source. Já existem muitos exemplos de serviços profissionais online.

Médicos e advogados estarão imunes?

Os profissionais que acreditam estar imunes à automatização costumam sustentar que as máquinas não têm capacidade de julgamento tampouco podem ser criativas ou empáticas, e que essas capacidades são indispensáveis ​​na prestação de serviços profissionais.

Mas, na opinião de Richard Susskind e Daniel Susskind, esses pressupostos são completamente insuficientes.

Primeiro, porque a maioria das atividades desenvolvidas hoje são rotineiras e baseadas em processos, e por isso não exigem a capacidade de julgamento, criatividade ou empatia. Segundo, porque pressupor que as máquinas tenham essas três capacidades equivale a antropomorfizar a inteligência artificial, o que é um erro.

Isso porque, ao projetarmos nas máquinas aptidões, emoções e padrões que vemos na natureza humana – quando não há qualquer motivo para acreditarmos que essas capacidades estarão presentes nelas –, ficamos mais distantes de compreender a inteligência artificial.

Para muitos profissionais, a única maneira de fazer com que as máquinas alcancem melhores resultados e superem os melhores profissionais humanos é copiando a forma como esses profissionais trabalham. Mas esse raciocínio é uma verdadeira falácia.

pesquisadores AI

Ou, nas palavras de Richard e Daniel, uma “AI fallacy”

Esses profissionais esquecem que estamos testemunhando o trabalho de máquinas de alta performance que, acima de tudo, não pensam. São sistemas não sencientes, que não replicam raciocínio e pensamento humanos.

Para os pesquisadores, as profissões precisam mudar

Na opinião de Richard e Daniel, as profissões de hoje, da forma como organizadas, estão rangendo. Elas são cada vez mais inacessíveis, ineficientes e não mais conseguem de entregar o mesmo valor em nossas comunidades. Embora a tecnologia não tenha o poder para “curá-las”, ela pode contribuir para mudá-las e, até mesmo, aprimorá-las.

As profissões precisam mudar. E a tecnologia pode forcá-las a fazer isso. – Richard Susskind e Daniel Susskind

E você, qual sua opinião sobre o futuro do trabalho? Você concorda com a conclusão dos pesquisadores?

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