Ciência

Novo método de hibernação poderá nos levar até Marte

Lançar um foguete espacial em órbita envolve muito planejamento  e recursos financeiros. Se uma nova missão não tripulada já exige muitos anos (quando não décadas) de dedicação de cientistas e engenheiros, o que dizer sobre missões tripuladas por seres humanos? É preciso um método hercúleo, não?

O espaço não é lugar para os seres humanos. Os seres humanos evoluíram para viver na Terra. Ainda assim, o desejo de desvelar os mistérios do cosmos sempre se manteve presente. E agora, mais do que nunca, uma série de empresas aerospaciais privadas está buscando colonizar Marte, o árido planeta vermelho.

Realmente, não falta vontade de explorar Marte. O grande problema é que toda e qualquer exploração espacial de longa distância apresenta muitas incógnitas. E um dos principais desafios envolvendo as missões prolongadas está relacionado aos efeitos sociais e psicológicos do isolamento e confinamento.

Missões espaciais prolongadas

Como se sentirão os astronautas enclausurados em uma espaçonave de pequenas proporções? Como os viajantes especiais reagirão sem poder enxergar nada na janela por meses e meses? Quais serão os desdobamentos de permanecer dentro de uma embarcação espacial à mercê do “humor” do cosmos?

Contudo, vamos além: como manter uma tripulação de humanos vivos por meses, sem qualquer ajuda externa?  Como embalar comida e água suficientes para sustentar a tripulação sem deixar o foguete muito pesado? O que aconteceria com a saúde dos viajantes de um deles ficasse perigosamente doente?

Embora não faltem iniciativas para compreender os efeitos sociais e psicológicos do isolamento e confinamento durante as viagens espaciais – basta pensar no projeto HI-SEAS, financiado pela NASA, que tem realizado excelentes progressos – ainda não temos respostas concretas para todas essas perguntas.

A viagem até Marte

O planeta vermelho está localizado a milhões de quilômetros do nosso. A distância mais próxima entre a Terra e Marte é de 55.000.000 quilômetros de distância. Contudo, isso só ocorre a cada 26 meses, no chamado fenômeno de oposição dos planetas. Mesmo durante esse período, estamos muito distantes de Marte.

Foi pensando exatamente nesses cenários que a SpaceWorks desenvolveu uma possível solução: câmaras de hibernação. Liderada por John A. Bradford, a empresa estadunidense almeja encontrar uma maneira de hibernar equipes de astronautas durante as viagens espaciais prolongadas.

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O planeta vermelho está localizado a milhões de quilômetros da Terra (Shutterstock)

Um novo método de hibernação

A empresa, que recebeu uma doação de US$ 500.000 da NASA, propõe um método chamado hipotermia terapêutica (ou gerenciamento de temperatura direcionada). O processo envolve esfriar lentamente o corpo para a temperatura de – 34º C, com a finalidade de diminuir a frequência cardíaca e reduzir a pressão arterial.

Durante a viagem espacial, a tripulação seria alimentada e regada diretamente no estômago por meio de uma sonda ou tubo alimentar (gastrostomia endoscópica percutânea). Além disso, os viajantes teriam seus corpos estimulados eletricamente, de modo a mentar seus músculos ativos e evitar a atrofia.

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A SpaceWorks acredita que câmaras de hibernação serão uma realidade na década de 2030 (Crédito: SpaceWorks)

Segundo a equipe da SpaceWorks, durante esse “estado torporoso” – semelhante à hibernação do sono profundo –, o corpo precisa de um terço a menos de comida e água para se sustentar. Assim, técnica reduziria significativamente o peso da aeronave, acelerando viagem e reduzindo os recursos para manter a tripulação.

Mas os tripulantes hibernarão o tempo todo?

O procedimento se baseia na alternância. Isso significa que, durante uma viagem até Marte, parte da tripulação permaneceria acordada enquanto a outra parte ficaria em animação suspensa. A SpaceWorks está projetando uma câmara aberta para permitir que os viajantes espaciais entrem em estase por turnos.

Em resumo, a técnica evita adicionar muito peso na aeronave. E também garante que sempre haja pessoas atentas para monitorar os “dorminhocos” e gerenciar emergências durante a missão espacial. Afinal, ninguém quer repetir o angustiante episódio que a tripulação da Apollo 13 teve de suportar, não é mesmo?

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A SpaceWorks propõe um método chamado hipotermia terapêutica (Crédito: SpaceWorks)

Como toda e qualquer iniciativa ousada, a hibernação proposta pela SpaceWork está sendo alvo de críticas. Alguns especialistas desconfiam da capacidade humana de “acordar” dos estados de animação suspensa, afirmando que nós evoluímos e nos adaptamos para sobreviver em temperaturas precisas.

Certamente, existem muitos obstáculos a superar. Contudo, a SpaceWorks está confiante de que câmaras de hibernação podem ser a solução para as viagens espaciais prolongadas. A empresa pretende começar testes com animais ainda neste ano e, se tudo correr bem, iniciar experimentos com astronautas.

Enfim, a expectativa é que missões tripuladas com câmaras de hibernação sejam uma realidade na década de 2030.

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Redação

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