Ciência

Ratos no espaço poderão nos ajudar a entender como sobreviver em Marte

A NASA enviou 20 ratos de laboratório à Estação Espacial Internacional, com objetivo de nos ajudar a entender como sobreviver em Marte. Os pequenos roedores poderão ser a chave para descobrir o que realmente acontece quando passamos um período significativo de nossas vidas fora da Terra.

Liderada pelos neurobiólogos Fred Turek e Martha Vitaterna, a iniciativa pretende analisar os efeitos do ambiente espacial nos ritmos circadianos e no microbioma (os trilhões de micro-organismos, principalmente bactérias, que vivem nos humanos), bem como nos sistemas fisiológicos relacionados.

Os ratos foram lançados ao espaço em um foguete Falcon 9, da SpaceX. O plano? Dez roedores passarão 90 dias em órbita, enquanto os outros dez retornarão à Terra após 30 dias. Os cientistas esperam aprender como nosso corpo responde a condições estressantes encontrar maneiras de lidar com a privação do sono.

Ratos no espaço?

O leitor, a essa altura, provavelmente pode estar pensando: mas por que ratos em órbita? Por que os especialistas estão enviando 20 roedores à Estação Espacial Internacional? Eles já não possuem informações suficientes a partir dos exames e entrevistas com humanos que retornaram do espaço?

Bem, 90 dias pode não parecer tanto tempo, mas equivalem a nove anos de nossas vidas. Assim, os roedores nos ajudarão a entender o que aconteceria se passássemos nove anos fora da Terra. E nenhum astronauta ficou tanto tempo em órbita para sanar essa dúvida que tanto assola os cientistas.

O módulo em que os ratos foram colocados (Crédito: NASA)

O astronauta que ficou mais tempo no espaço foi Scott Kelly. O norte-americano ficou 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, enquanto seu irmão gêmeo, Mark Kelly, permaneceu na Terra. Ao retornar, Scott passou por exames para verificar alterações em sua capacidade cognitiva e configuração genética.

O estudo dos gêmeos

A mídia alardeou que houve uma transformação na estrutura física do código genético de Scott. Mas a mudança se deu, na verdade, no processo que regula o funcionamento dos genes. Fundamentalmente, não houve mudança no DNA de Scott, nada de muito extraordinário, como referiu a NASA:

O que os pesquisadores observaram foram mudanças na expressão gênica, que é como seu corpo reage ao seu ambiente. Isso provavelmente está dentro do esperado para humanos sob estresse, como escalando montanhas ou praticando mergulho.

É claro que ainda não há conclusões definitivas sobre o DNA de Scott. Os pesquisadores da NASA estão analisando uma série de exames e comparando as informações genéticas de Scott e Mark Kelly. Seja como for, é inegável que existe muita expectativa em torno do chamado estudo dos gêmeos.

Mark Kelly, à esquerda, e Scott Kelly, à direita  (Crédito: NASA)

Nesse meio tempo, como nenhuma agência espacial cogita deixar um astronauta nove anos no espaço, os pequenos ratos astronautas poderão responder, ainda que com naturais limitações da espécie, se os corpos dos viajantes espaciais suportarão longos períodos fora da Terra e mesmo em Marte.

Será possível sobreviver em Marte?

Assim como Scott e Mark Kelly, os 20 roedores também têm irmãos idênticos que permanecerão na Terra, em um centro de pesquisa da NASA. Lá, os ratos terrestres experimentarão exatamente as mesmas condições de iluminação e temperatura que seus irmãos em órbita, e praticarão as mesmas atividades.

Obviamente, ratos e humanos são biologicamente diferentes. No entanto, os cientistas acreditam que submeter os roedores a condições de microgravidade e pressão quase exatas às existentes em Marte poderá esclarecer, de uma vez por todas, se os seres humanos poderão sobreviver no planeta vermelho.

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Redação

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