Ciência

NASA planeja construir estação de pesquisa flutuante para estudar Vênus

Por mais de meio século, o programa espacial estadunidense se dividiu entre dois objetivos de longo prazo: explorar a Lua e enviar astronautas a Marte. Pouco se falou em planetas como Vênus ou Mercúrio. O satélite natural da Terra foi objeto de diversas missões espaciais nos anos 60 e 70, e, com o tempo, foi deixado de lado.

Já Marte vem sendo estudado desde os anos 70. Muito já se aprendeu sobre o planeta, em especial após o lançamento do rover Curiosity, em 2011. Sabemos agora que existe metano na atmosfera marciana, além de matéria orgânica em rochas – indícios de que pode ter existido vida no passado.

Mas, agora, um grupo de engenheiros aeroespaciais do Langley Research Center da NASA, em Hampton, Virgínia, está propondo uma jornada a uma terceira e inesperada opção: Vênus. Isso mesmo: o planeta coberto por espessas nuvens de ácido sulfúrico, tão quentes que podem chegar a 1.100 ºC.

Os planos para Vênus

A superfície de Vênus é quente o suficiente para derreter chumbo, sendo coberta por crateras, vulcões, montanhas e superfícies de lava. Embora o planeta não seja habitável aos humanos, os engenheiros da NASA estão planejando transportar dois astronautas em uma missão de um mês de pesquisa nas nuvens venusianas.

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O planeta é coberto por densas e escaldantes nuvens de ácido sulfúrico (Crédito: Shutterstock)

Chamado High Altitude Venus Operational Concept (HAVOC), o projeto envolve construir uma colônia flutuante para estudar o planeta, que, embora apresente uma atmosfera repleta de dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, possui notáveis semelhanças com a Terra em termos de tamanho e massa.

Explorando a atmosfera venusiana

Para descobrir se Vênus realmente apresenta sinais vitais – e, principalmente, água –, os engenheiros da NASA imaginam construir uma colônia de pesquisa flutuante. A estação ficaria a aproximadamente 50 quilômetros acima das nuvens ácidas, em atmosfera com temperatura não tão escaldante.

O plano envolveria lançar um foguete com um ônibus espacial anexado. Uma vez no espaço, a aeronave se deslocaria até Vênus – em uma jornada de até 6 meses de duração. Ao chegar no planeta, o ônibus iniciaria, então, o processo de desmontagem (desdobramento) da estação da pesquisa.

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A NASA propõe construir uma colônia flutuante para estudar Vênus (Crédito: NASA)

À medida que mergulharia em direção à superfície, a colônia de pesquisa se desdobraria em uma espécie de pára-quedas e se autopreencheria de gás hélio, com a ajuda de tanques. A expectativa da NASA é que, por meio desse arriscado procedimento, a estação permaneceria flutuando a uma altitude não letal.

A posição estratégica – acima das nuvens ácidas do planeta, em temperatura mais baixa – permitia que a estação de pesquisa, semelhante a um dirigível, coletasse uma série de dados sobre Vênus. Após um mês de pesquisa, o ônibus se acoplaria novamente à estação e se deslocaria à Terra para analisar os dados.

Embora ainda não tenha desenvolvido a tecnologia necessária para completar a empreitada, a NASA acredita que os recursos atualmente disponíveis são suficientes para missões robóticas. Na visão da agência espacial, iniciativas em menor escala serão fundamentais para revelar se realmente existe vida em Vênus.

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Redação

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