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Ciência

Mineração de asteroides poderá ser nossa melhor esperança para colonizar Marte

Algumas rochas espaciais são ricas em água e matérias-primas valiosas

Estamos entrando na era de ouro da exploração espacial. A vontade de colonizar outros planetas nunca foi tão intensa desde a década de 60, quando o ser humano pisou na Lua pela primeira vez. A diferença é que agora são empresas privadas (e não nações) buscando abrir a fronteira final para todos.

A corrida espacial do século XXI está “pegando fogo” e, dentre os próximos destinos, Marte parece ser a primeira opção das empresas espaciais. Contudo, para colonizar o planeta vermelho precisaremos encontrar recursos essenciais como água, oxigênio e materiais de construção.

Os desafios para colonizar Marte

Existe o risco de que nenhum destes recursos estejam disponíveis em Marte. Embora as sondas espaciais da NASA tenham descoberto que há água no planeta vermelho, o recurso está congelado no solo marciano (regolito). Os cientistas não sabem se será possível convertê-la para o estado líquido.

O oxigênio é igualmente um problema. Não temos a tecnologia necessária para criar uma atmosfera respirável em Marte. As estratégias apresentadas para oxigenar o planeta são incompletas e imprecisas, e estimam um prazo de centenas de anos para transformar a atmosfera marciana.

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Colonizar Marte envolve uma série de desafios (Crédito: Shutterstock)

Cientistas e pesquisadores também não sabem quais materiais poderemos usar na construção das colônias. Alguns  sugerem utilizar o próprio o regolito. Uma dupla de designers recomenda o cultivo de bambu em Marte para construções adicionais, criação de móveis e ferramentas.

Empresas como Deep Space Industries (DSI) e Planetary Resources – inicialmente destinadas a reabastecer satélites de comunicações e desenvolver telescópios espaciais, respectivamente – começaram a perceber estas necessidades e propuseram uma nova forma de resolver o problema: mineração de asteroides.

Mineração de asteroides

Na perspectiva das referidas empresas, só conseguiremos colonizar Marte se explorarmos o número incontável de asteroides em nosso sistema solar, que carregam consigo valiosas matérias-primas capazes de ser extraídas com as ferramentes certas.

Segundo informações do site da DSI, muitos asteroides são ricos em água e fáceis de ser acessados, pois viajam ao redor do Sol em órbitas similares as de nosso planeta. Além disso, as pequenas rochas espaciais possuem pouca massa (e, consequentemente, pouca gravidade), facilitando a extração de recursos.

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A mineração de asteroides poderia ser a solução para que possamos colonizar Marte (Crédito: Shutterstock)

Ainda de acordo com a empresa espacial, os recursos encontrados nos asteroides incluem todos os mesmos materiais que os planetas são feitos, o que ofereceria aos mineradores uma oferta abundante de elementos, tais como carbono orgânico, enxofre, nitrogênio, fósforo e metais ferrosos.

Tanto a DSI quanto a Planetary Resource estão visando a extração de asteroides próximos ao planeta Terra para suas próximas missões. Contudo, enquanto uma está focada na aquisição de água com o Prospector-1, a outra está direcionando seus esforços para a coleta de metais.

Deep Space Industries (DSI)

O processo de mineração proposto pela DSI ocorre em quatro etapas principais. A primeira etapa é chamada de prospecção e consiste em usar minúsculos exploradores – como o Prospector-1 – para localizar asteroides próximos da Terra e estudar os melhores recursos espaciais.

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Primeira etapa: prospecção (Crédito: Deep Space Industries)

Uma vez identificados os melhores locais para a mineração, a empresa enviará uma espaçonave robótica intitulada Comet para extrair e transportar os recursos. A água extraída do asteroide na etapa de coleta também poderá ser usada como propulsora para a viagem de retorno.

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Segunda etapa: coleta (Crédito: Deep Space Industries)

A terceira etapa é chamada de processamento e tem por finalidade separar recursos em materiais utilizáveis. Uma vez que os materiais de asteroides são devolvidos ao espaço próximo da Terra, eles podem ser processados ​​em combustível, água potável e materiais de construção.

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Terceira etapa: processamento (Crédito: Deep Space Industries)

A última etapa se destina a fabricar aditivos em microgravidade. A fabricação em microgravidade e vácuo rígido permitiria a construção tanto de grandes matrizes solares para produzir energia quanto de antenas enormes para aprimorar os satélites de comunicação.

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Quarta etapa: fabricação (Crédito: Deep Space Industries)

Planetary Resources

Na concepção da Planetary Resources, os asteroides são os maiores presentes do sistema solar. Convencida de que as rochas espacias impulsionarão a marcha da humanidade ao espaço, a empresa construiu dois nanossatélites para prospectar recursos em asteroides próximos da Terra.

O primeira deles – Arkyd 3 – foi colocado em órbita terrestre baixa em julho de 2015 e completou com sucesso sua missão de testar as principais capacidades de prospecção da Planetary Resources.

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O nanossatélite Arkyd 3 (Crédito: Planetary Resources)

Já o segundo – Arkyd 6 – foi construído em ReDmond (WA) e está programado para ser lançado em breve, com o objetivo de testar novas capacidades de observação e prospecção.

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O nanossatélite Arkyd 6 (Crédito: Planetary Resources)

O futuro da mineração de asteroides

A mineração de asteroides é uma perspectiva atraente para todos os envolvidos. Enquanto os colonizadores teriam acesso aos recursos necessários para sobreviver em Marte, as empresas pioneiras na extração poderiam vendê-los por um preço mais elevado na Terra, aumentando seus lucros.

Embora os Estados Unidos já tenha aprovado uma lei sobre a atividade e vários países estejam despertando para o potencial desta indústria emergente, o processo de extração está sendo adiado por dois problemas comuns da exploração espacial: falta de financiamento e dificuldades tecnológicas.

Ainda que leve algumas décadas para engrenar, a mineração de asteroides poderá ter um papel importante no futuro da humanidade, sobretudo se consideramos que recursos terrestres são escassos e podem acabar algum dia.

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