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Ciência

É matematicamente impossível parar o envelhecimento, revelam cientistas

A descoberta foi feita por dois pesquisadores da Universidade do Arizona

Um recente estudo conduzido na Universidade do Arizona demonstrou que interromper o envelhecimento não é tão simples quanto parece. A pesquisa analisou como nossas células se comportam à medida que ficamos mais velhos e concluiu que eternizar a vida é matematicamente impossível.

Enfrentando o envelhecimento

Embora o envelhecimento seja um aspecto natural de nossas vidas, uma minoria crescente de cientistas está se dedicando a encontrar maneiras de interromper ou ao menos retardar o processo. O gerontologista Aubrey de Grey é um dos principais nomes nas chamadas pesquisas anti-envelhecimento.

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Aubrey de Grey é um dos principais nomes nas pesquisas anti-envelhecimento (Crédito: Brian Flaherty)

Segundo Aubrey de Grey, os seres humanos envelhecem em decorrência de 7 tipos de danos: (1) mutações nucleares; (2) mutações mitocondriais; (3) agregados intracelulares; (4) agregados extracelulares; (5) perda de células; (6) envelhecimento de células; e (7) ligações cruzadas extracelulares.

O gerontologista está convencido de que, se conseguirmos resolver estes 7 problemas, seremos finalmente capazes de viver para sempre. Com isso, as pessoas não mais morreriam por envelhecimento (a teoria de Aubrey de Grey será analisada com mais detalhes em breve, em post específico).

O contraponto

Apesar dos esforços de cientistas como Aubrey de Grey, um estudo conduzido pelos pesquisadores Paul Nelson e Joanna Masel, ambos da Universidade do Arizona, concluiu que é matematicamente impossível interromper o envelhecimento em organismos multicelulares, como é o caso dos seres humanos.

Os pesquisadores descreveram suas descobertas no artigo Intercellular competition and the inevitability of multicellular aging (Competição intercelular e a inevitabilidade do envelhecimento multicelular), publicado na edição atual da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

À medida que envelhecemos, duas coisas acontecem em nosso corpo em nível celular. Uma delas é que as células diminuem de velocidade e começam a perder a função (processo denominado senescência). A outra é que as células aumentam sua taxa de crescimento, o que pode causar a formação de câncer.

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À medida que envelhecemos, duas coisas acontecem em nosso corpo em nível celular (Crédito: Shutterstock)

O envelhecimento é matematicamente inevitável

Em síntese, enquanto algumas células gradualmente perdem suas funções e param de se dividir durante o processo de envelhecimento, outras sofrem mutação, aumentando sua capacidade de divisão e se espalhando de forma incontrolável pelo corpo até se tornarem cancerosas.

Assim, a conclusão é matemática: como se tratam de dois cenários inevitáveis (ou as células não mais se dividem ou se dividem como nunca) e que, portanto, se anulam (ou predomina um ou predomina outro), é impossível retardar o envelhecimento. Não é possível se livrar de ambos os tipos de células problemáticas.

Uma pessoa pode realizar um tratamento a base de senolíticos para matar suas células envelhecidas, por exemplo, e obter a curto prazo uma diminuição nos sintomas do envelhecimento. Mas o mesmo tratamento poderá também ocasionar câncer, pois o usuário encorajaria um bando de células a se proliferar.

Você pode diminuir o envelhecimento, mas você não consegue detê-lo. Temos uma demonstração matemática de por que é impossível corrigir ambos os problemas. Você pode consertar um problema, mas está preso a outro. (…) ou todas as suas as células continuarão a ficar mais lentas, ou você terá câncer. E a razão básica é que as coisas se quebram. Não importa o quanto você tente impedi-las de quebrar, você não consegue. – Joanna Masel

Mesmo que a seleção natural fosse perfeita, o envelhecimento ainda ocorreria, uma vez que as células cancerosas tendem a trapacear quando as células competem. Logo, sob a perspectiva dos pesquisadores, as tentativas de parar o envelhecimento são inúteis. Afinal, é matematicamente impossível interrompê-lo.

Mas… e a vida eterna?

Embora sustentem que o envelhecimento acontecerá de forma inevitável, os pesquisadores não descartam a possibilidade de suavizarmos o processo. Existem muitos aspectos que nos fazem envelhecer e morrer de modo prematuro – e é para eles que devemos direcionar nossa atenção.

Mesmo que não sejamos capazes de eliminar o envelhecimento indefinidamente – como sugere o estudo –, recentes avanços em áreas como a biotecnologia e da biologia sintética nos oferecem grandes perspectivas de estender a vida humana de múltiplas formas.

A busca pela extensão da vida humana é, sem dúvida, um tema apaixonante que nos faz perceber o potencial da tecnologia – e das pessoas envolvidas nas mais diversas iniciativas – para melhorar o mundo em que vivemos. O que mais o futuro nos reserva para o campo da longevidade humana?

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