Negócios

Libra, a criptomoeda do Facebook: visão de futuro ou utopia?

Libra, a criptomoeda do Facebook. O desafio de criar uma moeda digital verdadeiramente global e segura mobiliza a rede social e mais 27 empresas, mas sua viabilidade está em discussão e causa polêmica. 

Segura pela criptografia, mas volátil. Virtual, mas rentável. Sem regulamentação ou sujeita a entes monetários, mas suas transações agora precisam ser reportadas à Receita Federal no Brasil.

As muitas variáveis e aparentes contradições que ainda envolvem as moedas virtuais – tendo a bitcoin como uma das mais conhecidas – ainda fazem com que esse tipo de ativo gere muitas dúvidas e não tenha exatamente deslanchado como era a expectativa geral.

Mas o anúncio do Facebook no final de junho de que pretende criar sua própria criptomoeda colocou o tema em evidência de novo e, bem ao estilo de todas as iniciativas de Mark Zuckerberg, imprimiu um novo e polêmico patamar de discussão, envolvendo até mesmo o presidente dos Estados Unidos. Não é para menos.

A Libra, nome que o Facebook adotou para sua criptomoeda, chega embasada em um cuidadoso – e megalomaníaco – projeto de alcance global, e disposta a corrigir tudo aquilo que, segundo os críticos, foi falho no advento do dinheiro virtual até hoje.

A ideia é que seja efetivamente uma moeda digital acessível, ao alcance de todos, mesmo daqueles que não têm condições de integrar o sistema bancário atual: em todo o mundo, é uma população de cerca de 1,7 bilhão de adultos, sendo que, desse total, estima-se que pelo menos um bilhão possui um celular e, metade disso, com acesso à internet. Qualquer um poderia baixar um aplicativo e usar, mesmo para pagamentos diretamente via Messenger e Whats App. 

A segurança do blockchain estará presente, claro, mas a Libra, conforme os planos do Facebook, não se sujeitará à mesma volatilidade das criptomoedas normais.

Ela não poderá ser minerada – ou seja, o processo existente com as moedas virtuais convencionais, onde o usuário pode resolver uma equação matemática complexa no computador para multiplicar esse dinheiro “do nada” – e estará embasada em ativos reais.

Será administrada por uma associação, sediada em Genebra, na Suíça, que já conta com 27 integrantes, incluindo empresas do segmento financeiro como MasterCard, Visa e PayPal, e outras de outros setores como eBay, Spotify e Uber. Quem quiser entrar para o clube – que Zuckerberg espera que tenha até 100 componentes até 2020, quando está previsto o lançamento – precisa investir pelo menos 10 milhões de dólares.

Mas se por um lado, todas essas medidas garantiriam maior solidez, por outro estão gerando acirradas oposições ao que é visto como um poder excessivo nas mãos de empresas privadas, de um ativo tão poderoso, sem regulamentação governamental ou do sistema bancário.

E não se trata de qualquer grupo de empresas. Em que pese a participação de outros setores, o Facebook, por meio de suas redes, detém mais de dois bilhões de usuários, que rapidamente poderiam aderir à Libra e, segundo os mais resistentes, dada a dimensão dessa movimentação sem fronteiras, acabar com isso enfraquecendo até mesmo moedas como o dólar.

Não à toa, Donald Trump foi um dos primeiros a se manifestar contra a Libra e as criptomoedas em geral, advertindo que qualquer que seja a iniciativa nesse sentido, terá que passar pela regulamentação bancária norte-americana e de outros países, inclusive para não facilitar ilegalidades como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A mesma preocupação foi manifestada pelo FED, o Banco Central dos Estados Unidos, que criou até uma força-tarefa para tratar do tema. 

É provável que também goste:

Balões de ar quente poderão ser usados ​​para lançar satélites

NASA está enviando um drone para Titã, a maior lua de Saturno

Cassinos chineses estão usando reconhecimento facial para detectar clientes perdedores

A gritaria é tanta que o próprio Facebook já reconheceu, em sua última apresentação de resultados do trimestre para investidores, um nível de incerteza sobre a viabilidade da Libra. Entre outros fatores, destacou que o excesso de barreiras legislativas e regulatórias podem impedir que a criptomoeda da discórdia saia do papel, e que uma alegada falta de experiência poderia afetar sua capacidade de comercializar esse serviço com sucesso.

Manifestar uma certa margem de incertezas combina bem com as estratégias usuais de relacionamento com investidores, mas não com o perfil ousado de Zuckerberg e sua mega rede social.

Acrescente-se aqui a quantidade e a relevância dos parceiros que o projeto já conquistou, e fica mais difícil ainda de acreditar em uma possível desistência, sendo esse movimento mais coerente um recuo momentâneo e providencial para ajustar a rota. É esperar – ou pagar? – para ver.  

Enfim, gostou da matéria?

Então siga o Futuro Exponencial no Facebook e no Instagram. Além disso, não deixe de acompanhar todos os nossos conteúdos semanais sobre futurismo, tecnologia, inovação, ciência e muito mais.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER SEMANAL

Samuel Leite

Samuel Leite, jornalista, publicitário e empreendedor. Líder da Digitale Content, fundador do portal d/propósito, Trabalha há mais de 20 anos em comunicação digital para as mais importantes marcas do Brasil, como Telefonica Vivo, Microsoft, Honda Brasil entre outras.

ARTIGOS RELACIONADOS

Comentários no Facebook