Internet das Coisas
Tecnologia

A Internet das Coisas poderá salvar vidas no futuro

Em breve, estaremos todos conectados por uma gigantesca rede neural mundial

Antes de cogitar o que se entende hoje por Internet das Coisas, o ser humano criou e criou os mais diversos tamanhos e formatos de computadores. A curta história computação nos apresenta desde gigantescas caixas até dispositivos minúsculos com ampla capacidade de processamento de dados.

Na década de 1950, por exemplo, um único computador ocupava um edifício inteiro. Nos anos 1970, um mainframe tinha o tamanho de uma geladeira. Na década de 1980, um personal computer precisava de uma mesa e gavetas. Ao final dos anos 90, o laptop cabia no próprio colo do usuário.

Em janeiro de 2007, Steve Jobs apresentou ao mundo o iPhone, um telefone/computador de mão pequeno, mas incrivelmente poderoso. Desde então, estamos presenciando um processo acelerado de miniaturização da tecnologia.

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O Iphone transformou o mundo e incentivou todo um processo de miniaturização da tecnologia (Reprodução/YouTube)

Hoje, existem mais smartphones em uso do que pessoas no planeta. E, assim como os telefones celulares, uma nova gama de dispositivos está disputando uma posição em nossa rede doméstica.

Juntos, todos esses utensílios representam os primeiros passos em direção a um novo paradigma de computação, que promete transformar radicalmente nossa forma de viver, trabalhar e se relacionar com os outros.

Imagine, leitor, a existência de trilhões de dispositivos todos interligados por meio de uma rede colossal de sensores. Pense em maçanetas, termômetros, caixas de som, babás eletrônicas, sistemas de segurança, casas automatizadas, veículos, interruptores de luz – todos conectados.

Cada com deles com seu próprio endereço de IP acessível pela Internet. Perdeu as chaves do carro? O Google poderá ajudar a encontrá-las. O estoque de café terminou? A residência encomendará automaticamente a reposição.

Todas essas comodidades, que mais se assemelham a um episódio da série animada Os Jetsons, estão muito próximos de se tornar plenamente viáveis e formam a Internet das Coisas – o futuro das redes e sensores.

A origem da expressão

A expressão Internet das Coisas (Internet of Things, em inglês) foi usada pela primeira vez em 1999.

Na época, o pesquisador Kevin Ashton, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), trabalhava em um projeto para a Procter & Gamble (P&G) quando percebeu que, se todos os objetos da vida cotidiana estivessem conectados por uma rede sem fio, eles se comunicaram entre si e compartilhariam informações.

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Kevin Ashton, o primeiro a usar a expressão Internet of Things (Crédito: The IoT List)

No momento em que os computadores tivessem acesso aos dados, eles poderiam controlar todos os objetos, evitando desperdícios e reduzindo custos. O conceito era genial, não é mesmo?

Ashton expôs a ideia durante uma apresentação para executivos da P&G, demonstrando que era possível etiquetar eletronicamente os produtos da empresa para facilitar a logística da cadeia de produção, por meio de identificadores de rádio frequência (Radio-Frequency IDentification – RFID).

O conceito de Ashton teve grande impacto sobre fabricantes e varejistas, e não só apenas aprimorou a gestão de suprimentos como reduziu os custos para os consumidores. O termo Internet das Coisas, inicialmente usado como um simples título para a apresentação, logo se popularizou.

A Internet das Coisas hoje

Hoje, a Internet das Coisas representa a ideia de interligar os objetos da vida cotidiana à Rede Mundial de Computadores, possibilitando que todos estes itens se comuniquem entre si, sendo gerenciados por computadores e controlados remotamente.

A Internet das Coisas não apenas oferece a possibilidade melhorias e facilidades a todos nós, como também tem um potencial imenso para salvar vidas humanas. Mas o que, afinal, vem sendo feito?

1. Monitoramento de tubarões

Na Austrália, um grupo de pesquisadores implantou marcadores acústicos em mais de 300 tubarões para monitorar seus movimentos e proteger surfistas de ataques fatais. O equipamento envia um sinal eletrônico para um computador sempre que constata a presença de um dos tubarões a 800 metros da praia.

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Na Austrália, tubarões “usam” Twitter para alertar surfistas (Crédito: Shutterstock)

Ao receber o sinal, o computador converte a informação em um mensagem de Twitter. Tudo isso em poucos segundos. O tweet é publicado no perfil Surf Life Saving Western Australia’s (@slswa), informando aos seguidores as características do animal e sua localidade aproximada.

Desde a criação do projeto, mais de 40 mil banhistas já se inscreveram no perfil para receber os alertas.

2. Detecção de incêndios

No campo da segurança domiciliar, detectores de fumaça poderão ser aprimorados pela Internet das Coisas. Os dispositivos terão o potencial de fazer mais do que soar um alarme alto em caso de incêndio.

Dentre as funcionalidades extras estão: ligar o aparelho de som, acender as luzes do quarto, avisar os vizinhos, contatar o corpo de bombeiros e interromper o fluxo de gás da residência. Já existem dispositivos que realizam todos estes procedimentos e muito mais, como o Smoke Sensor da Fibaro.

3. Comunicação de crimes

Há pouco mais de uma semana, um dispositivo inteligente instalado em uma residência no Novo México (Estados Unidos) presenciou uma possível agressão em andamento e alertou a polícia sobre o acontecimento. Na ocasião, um homem ameaçou matar a namorada perguntando: “Você chamou os xerifes”?

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Dispositivos domésticos inteligentes têm agora o potencial para salvar vidas (Crédito: Shutterstock)

O dispositivo, conectado ao sistema de som da residência, reconheceu a frase com um alerta e chamou o 911. Graças à chamada, os policiais chegaram a tempo na cena e conseguiram salvar a mulher e a filha que estavam na casa.

A Internet das Coisas amanhã

Ainda são necessários avanços para tornar a Internet das Coisas uma realidade a todos. Para Peter Diamandis, precisamos de 45 mil bilhões de endereços IP únicos (45×1012) para atingir a população planetária projetada (9 bilhões de pessoas). Com isso, cada indivíduo estaria cercado por 1.000 a 5.000 mil objetos.

A concretização do projeto encontra limitações na versão atual do IP (IPv4), que consegue fornecer apenas 4 bilhões de endereços. Contudo, pesquisadores estão buscando implementar a nova geração de protocolos de Internet (IPv6), que aumentará o tamanho do espaço “endereçável” disponibilizado online.

Quando isso acontecer, a Internet das Coisas será viabilizada para todos. Se a Internet permitiu o desenvolvimento de computadores, smartphones e servidores para compartilhar informações, a Internet das Coisas terá uma repercussão ainda maior. Será possível controlar remotamente qualquer objeto na Terra.

Cada peça, cada instrumento e cada produto terá uma vida e uma identidade, tanto no mundo físico quanto no virtual. Não haverá distinção entre online offline. As pessoas, os dados e as coisas estarão diretamente interligados. A Internet das Coisas causará um impacto em todos os aspectos de nossas vidas.

Em síntese, estaremos inteligentemente conectados por uma gigantesca rede neural mundial.

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Redação do Futuro Exponencial

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