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Ciência

Inteligência artificial pode agora diagnosticar doenças cardíacas melhor que médicos

O sistema Ultromics tem potencial para salvar milhares de vidas no futuro

A inteligência artificial (AI) vem demonstrando enorme potencial na área médica. Algoritmos de Machine Learning estão sendo usados para identificar pessoas com tendências suicidasautismo, a partir de varreduras cerebrais, e até prever o tempo de vida de pacientes a partir de imagens de órgãos. Mas, agora, uma equipe de pesquisadores do John Radcliffe Hospital, em Oxford (Inglaterra) desenvolveu um sistema inovador de diagnósticos capaz de detectar doenças cardíacas com mais precisão que os médicos.

Diagnosticando doenças cardíacas

A infalibilidade é uma condição inerente ao ser humano. Todo e qualquer profissional, por mais qualificado, treinado e especializado que seja, está sujeito a falhas e erros. Como humanos que são, os cardiologistas também correm o risco de fornecer diagnósticos imprecisos todos os dias.

Mesmo os melhores profissionais conseguem errar em 1 em cada 5 diagnósticos. Aproximadamente 60.000 exames cardíacos são realizados a cada ano na Inglaterra, sendo que 12.000 são mal diagnosticados. Não são raras as ocasiões em que pacientes são enviados para casa e sofrem um ataque cardíaco logo depois.

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Mesmo os melhores cardiologistas conseguem errar em 1 em cada 5 diagnósticos (Crédito: Shutterstock)

Isso sem falar nos casos de pacientes que são submetidos a procedimentos cirúrgicos dispensáveis. O Serviço Nacional de Saúde (National Health Service – NHS) do Reino Unido gasta, em média, £ 600 milhões todos os anos em operações completamente desnecessárias.

Ultromics foi projetado justamente para reduzir custos e oferecer diagnósticos precisos, capturando detalhes nas varreduras que os nem os melhores médicos conseguem perceber. Totalmente alimentado por AI, o sistema pode detectar doenças cardíacas com uma acurácia incrível.

Idealizado pelo cardiologista Paul Leeson, Ultromics foi testado em seis unidades de cardiologia e treinado a partir de varreduras cardíacas de 1.000 pacientes. Os resultados dos ensaios clínicos (que em breve serão publicados oficialmente) superaram os diagnósticos realizados por cardiologistas humanos.

Economizando bilhões de libras esterlinas

Caso sejam amplamente adotados, sistemas de diagnóstico alimentados por IA como o Ultromics não só poderão salvar vidas – detectando precocemente problemas cardíacos –, como também reduzirão gastos com contratação de médicos, enfermeiros, funcionários e novos equipamentos.

Em síntese, além da possibilidade de tratar doenças cardíacas prematuramente, os testes preliminares sugerem que o revolucionário sistema poderia economizar bilhões de libras esterlinas. Nas palavras do imunologista Sir John Bell, o sistema Ultromics poderia literalmente salvar o NHS:

Há cerca de £ 2,2 bilhões gastos em serviços de patologia no NHS. Você pode reduzir isso em 50%. AI pode ser a salvação do NHS. – Sir John Bell

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Sir John Bell acredita que a IA poderá salvar o NHS (Crédito: BBC News)

Ultromics reacende o debate sobre os riscos que a IA poderá oferecer aos profissionais do setor de saúde. Contudo, ao menos em um futuro próximo, estes sistemas mais desempenharão um papel de apoio, servindo como ferramenta para auxiliar os médicos, do que propriamente oferecerão risco a estes profissionais.

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