Negócios

Inovação enlatada

Inovação enlatada. Tempos complexos não podem ser resolvidos com cabeça linear e soluções binárias. Precisamos de um novo estado da mente: o que transcende. As ideias precisam ser dinâmicas e aplicáveis, e qualquer método precisa ser adaptável e polinizado. Não há um só caminho para o futuro dos negócios.

Retiros e imersões tomam o espaço de treinamentos tradicionais, online substitui salas de aula, responsabilidade com o autodesenvolvimento passa a ser exigência. Somos nossos próprios inimigos e agora estamos mergulhados em uma complexidade crescente, volumes de dados inimagináveis e mudanças em velocidade extraordinária.

A revolução apenas começou

O novo mundo precisa se instalar  e a revolução apenas começou. Não conseguiremos resolver nossos desafios com os processos e formatos tradicionais. Precisamos nos tornar capazes de inserir, excluir, trocar e recomeçar os ciclos em curto período mas sem atropelos, o que é bastante conflitante.

Não se fala mais em treinar competências e sim em criar um estado de ser fluido. Pessoas são ineficientes e segundo Jeremy Kirschbaum, do Institute for The Future:

Disrupção é péssima para inovação. É preciso paciência. Não pule etapas. – Jeremy Kirschbaum (Gerente de pesquisa do Institute for The Future)

Não podemos nos render a conversas de medo e ao receio de não saber. Não saber hoje é comum! Precisamos gastar mais tempo em trends e em what if para criar bases para o pensamento criativo e exponencial. É hora de aprender a pensar de trás para frente! O futuro é um lugar seguro para se falar.

Saber sobre o futuro, ter ideias criativas, prototipar é muito importante, mas sem uma estratégia clara podem se tornar fonte de angústia, ansiedade, ilusão ou decisões erradas. Temos que promover o encontro de nossos pensamentos e unir o presente com o futuro de maneira articulada e consistente.

Questionar o que fazemos é condição a partir de agora ou seremos eliminados da nova cadeia produtiva. A maioria das pessoas ainda reclama muito da extrema falta de tempo! A pergunta é : onde você esta colocando sua energia e seu foco? As pessoas do mercado digital estão tão ou mais sem tempo e sem foco que a tribo linear chamada de obsoleta.

Somos uma comunidade global e o indivíduo pulou para a última posição do ranking de preocupações globais. Pensar no mundo agora é mais importante que pensar em você ou no seu pequeno mundo. Sua tribo o cobrará disso e seus filhos em breve questionarão sua forma de agir e viver.

Um novo jeito de pensar

Existe um novo jeito de pensar e há caminhos para que nosso cérebro se conecte com estas novas histórias. ;E um caminho evolutivo, sem volta. Empresas precisam fazer algo bom que dê lucro. Elas não sobrevivem apenas por propósito. Buscamos propósito, impacto positivo e lucro como consequência.

No novo mercado precisamos pensar holisticamente. Defendo que só mentes que transcendem serão capazes de fazê-lo com maestria. Não agir hoje é mais impactante que errar, e muitos ainda adiam a discussão sobre inovação em seus negócios. Novos modelos estão surgindo, os intermediários estão caindo, a digitaização já começou. Modelos de negócio distribuído vêm surgindo e atendendo o mercado de forma inteligente. Empresas sem dono, quando isto seria possível?

Tudo está se conectando com tudo. Não temos como vencer competindo uns com os outros. O futuro já está aqui sendo distribuído aos poucos pelos ecossistemas do planeta. Onde estamos errando no item inovação? Buscamos inovação em prateleiras em vez de assumir a criação do nossos próprio caminho? Fomos treinados para isso: esperar, assistir, adiar, copiar ou comprar.

Temos pressa, foco no curto prazo, deixamos outras pessoas testarem e se der certo, copiamos. Queremos o caminho mais fácil e mais rápido, e este sempre se mostrou como o mais frágil e o mais fraco em termos de legado e sustentação.

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Onde estamos errando no item inovação? (Crédito: Shutterstock)

No mercado, raríssimas empresas ainda não olharam para este assunto, e devem ter decidido pela extinção. Outras desejam inovar sem nenhum investimento: sonho inocente ou projeto falido.

Empresas curiosas formam caravanas para o exterior, na esperança de que o que se vê por lá pode ser aplicado por aqui imediatamente: ingenuidade. Grandes empresas contratam consultorias caríssimas, criam estratégias globais e ecossistemas que dão suporte à inovação: excelente iniciativa, porém não serão elas as agentes de mudança do mundo. Suportar o movimento lhe possibilita a reinserção em em outro formato nos próximos anos.

No campo da vida real, decisores lineares pedem cases de transformação digital e de inovação disruptiva de sucesso para terem certeza de que qualquer em inovação investimento terá garantias, lucro ou diminuição de custo.Este tipo de pedido mostra um desconhecimento absoluto do assunto.

Não há retas pelo caminho, só curvas. Não há garantias, o mundo está em teste e não há fórmulas que você ou sua empresa possam copiar no mundo complexo. Há trilhas para se inspirar e um enorme quebra cabeça a ser montado por você e por sua equipe.

Que etapa estamos pulando?

Tudo deveria começar com a imediata mudança de mindset da liderança no comando dos negócio. Na nova era, o pensamento linear, comando e controle serão rapidamente substitutivos por curadoria.Os novos líderes são pessoas bem formadas em termos humanos, são hostess de projetos, trazem tudo para o mesmo guarda-chuva, consideram emoções, talentos, ouvem conselhos, respondem a tudo e criam consenso sem perder a coragem de arriscar.

Emoções passaram a ser data. Navegar na ambiguidade, desenhar experiências, ser resiliente e improvisar passaram a ser skills básicas de liderança no mundo digital. Educar ficou lento, temos que transcender e saltar para dentro do novo mundo que já está em progresso acelerado.

Respeito todas as iniciativas de inovação do mercado, só percebo que a discussão em sua grande maioria está rasa e pouco estratégica. A mídia espalha o pânico, os ecossistemas falam um idioma que ainda é desconhecido e assusta a maioria das pessoas do campo de trabalho.  90% das pessoas ainda não está familiarizada com a linguagem e os modelos do mundo digital, e já o está vivendo.

Uma minoria já é muito boa nas especificações tecnológicas e em  partes do assunto, mas não na visão holística completa da revolução do mundo. Restringir o futuro e a inovação à tecnologia é um erro. Para que empresas possam inovar, o primeiro passo é entender quem estará no comando do movimento de inovação e se esta pessoa tem as qualificações que precisa.

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Restringir o futuro e a inovação à tecnologia é um erro de iniciante (Crédito: Shutterstock)

O segundo foco é entender para onde a empresa deseja ir, e acredite, a maioria responde com um “não sei por onde começar”. Há várias alternativas e podemos olhar para o futuro com método não apenas com imaginação. CEOs e diretorias precisam de debates mediados, transparentes, honestos para que a estratégia de inovação seja robusta.

Quem media precisa ser híbrido, conhecedor do mundo linear e navegador exímio do mundo exponencial. O aprendizado sobre os novos modelos de negócio e a nova linguagem do mercado não podem ser atropelados. Sem conhecimento não há raciocínio lógico. Sem lógica não há conexão emocional. A mudança é emocional não mental.

O ponto mais importante no inicio da jornada não é começar elo fim instalando labs e startups sem preparar o terreno e mudar o mindset dos líderes e influenciadores do negócio. São eles que constróem caminhos de inovação para o negócio e sem preparo viram os maiores sabotadores ( Imunidade à Mudança de Robert Keagan ).

Como em uma grande orquestra, as etapas de um projeto de inovação precisam ocorrem em sinergia, dando início à formação de uma cultura de transformação constante onde novos atores podem ser inseridos sem colapso.

Vencendo a inovação enlatada

Cultura ainda é a grande barreira da inovação de qualquer porte (Capgemini). Os antigos catalisadores do assunto como áreas de Recursos Humanos hoje se mostram incapazes de conduzir o processo. O maestro precisa vir de fora.

Com uma base mas sólida, as iniciativas de inovação passam a ser bem-vindas e os testes criativos têm mais chances de sucesso e de aceleração posterior.

Precisamos manter o antigo vivo enquanto criamos o novo. Em algum momento, nos tornaremos híbridos e em uma terceira etapa, o novo passará a ocupar o lugar do que existiu anteriormente. Tudo isso requer tempo, sabedoria, estratégia, paciência, inteligência emocional e acima de tudo, consciência de quem está no comando. O que você decide hoje será relatado como história ou legado amanhã.

A inovação enlatada já mostra grandes sinais de perigo e fracasso. É hora de redesenharmos juntos uma rota mais sustentável porque nosso país está muito atrasado no assunto. Acredito em um Brasil que cria, não que copia.

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Jaqueline Weigel

Futurista, Humanista, Estrategista de Inovação, Instrutora de Liderança Exponencial e CEO da W Futurismo.

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