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Cultura

Impacto positivo: quando simples atos podem mudar o mundo

As possibilidades de construir o futuro são infinitas

No mundo dos negócios, uma coisa é certa: o futuro das empresas está diretamente relacionado ao fato de ela ter um propósito claro e declarado. Pessoas cada vez menos se identificam com produtos e cada vez mais com causas. E nessa luta interna por encontrar essa razão de existir, um tema passou a ser alvo de discussão entre todos aqueles que estudam o futuro: impacto positivo.

Impacto positivo para um mundo melhor

Comecei a estudar futurismo há três anos. Um pouco sem querer, um pouco sem saber exatamente o que estava por vir. Pouco a pouco, fui aprendendo termos novos e diferentes visões para um futuro cada vez mais presente.

Impacto positivo é tema recorrente. E, na ânsia de seguir empresas ou projetos que tenham como atividade principal a solução de algum dos 17 desafios globais elencados pela Organização das Nações Unidas, vi muita gente pedindo demissão e mudando de vida.

Eu mesma passei por um período de reflexão. Buscava entender o quanto eu estava de fato promovendo uma mudança no mundo. Pensei muito sobre meu propósito individual. Afinal, qual o motivo de eu estar viva? O que quero fazer com minha vida? Que legado quero deixar?

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Que legado quero deixar? (Crédito: Shutterstock)

Uma lição do passado

Apesar de não ter nenhum vínculo direto com a Alemanha, sempre tive uma admiração profunda pelo país. Ajuda o fato de eu morar em uma cidade com enorme presença de descendentes germânicos. E ajuda também o fato de ter tido, durante toda a minha vida, amigos que tivessem essa cultura tão arraigada.

Em 2006, estive no país pela primeira vez. Havia planejado um mochilão pela Europa e decidi que Alemanha seria o primeiro destino e a última parada. Me encantei.

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Decidi que Alemanha seria o primeiro destino e a última parada (Crédito: Shutterstock)

Depois disso, muitas outras oportunidades vieram; algumas a trabalho, outras de férias. A cada ida, minha ânsia pela história daquele país tão rico aumentava. E, com isso, o consumo de um conteúdo triste, violento e preconceituoso. Aquilo me fazia mal, mas ao mesmo tempo, me atraía como uma força magnética.

No ano passado fui a Berlim pela segunda vez; de férias, com tempo e toda vontade de entender de perto tudo o que se passou por ali. Da Segunda Guerra Mundial à Guerra Fria, visitei bunker, campo de concentração, museus e exposições. Fiquei mal, fisicamente mal.

Até que um dia, ainda lá, fazendo uma reflexão para tentar entender os motivos que me faziam buscar por essa parte da história, tive uma epifania:

Se um homem foi capaz de influenciar milhões de pessoas a fazer o mal, numa época em que a comunicação era difícil e restrita, o quão difícil seria movimentar a construção de um exército do bem?

Não seria uma grande ironia criar algo super positivo inspirado em algo que foi talvez uma das partes mais tristes da história mundial?

O início de uma reflexão

Voltei ao Brasil e comecei a trabalhar em um mapa mental que pudesse definir algumas diretrizes para o projeto. Comecei pela definição do que seria “fazer o bem”: tudo aquilo que fosse retribuído com um sorriso ou um abraço.

Passei por um estudo de gamificação: pessoas poderiam começar como soldados e subirem de patentes conforme fossem fazendo mais atividades em prol do bem. Pensei na lógica de blockchain: a comunidade poderia validar as atividades e promoções. Enfim, fui longe!

E de tão longe que fui, ficou difícil pensar no desenvolvimento de tudo isso e na visão de quando isso estaria pronto para rodar. Mas a angústia de criar algo que impactasse positivamente o mundo me gerava confusão e falta de foco em qualquer outra atividade que eu viesse a desenvolver.

Fui procurar terapia. Com a terapia, e a ajuda de um amigo especial, entendi a diferença entre impacto positivo e caridade. Derrubando muros, abrindo minhas inseguranças e incertezas, recebi amor.

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Derrubando muros, abrindo minhas inseguranças e incertezas, recebi amor (Crédito: Shutterstock)

E o mais legal é que percebi o quanto eu influenciava diversas vidas todos os dias. Seja com o meu trabalho, seja nas relações pessoais, seja com troca ou através da inspiração.

Naquele momento, entendi que o Exército do Bem já existia. Ele talvez fosse mais filosófico do que eu imaginava, mas era orgânico, distribuído e exponencial. Soldados do bem se alistam todos os dias, em todas as partes do mundo, sem necessidade de patente, validação ou retribuição.

Ressignificando

Olho para aquela primeira definição de impacto positivo e questiono se ela não seria uma forma de colocarmos a responsabilidade em algo ou alguém que não nós mesmos.

Será que precisamos ter uma atividade ou projeto para trabalhar em prol de um mundo mais justo e de uma sociedade mais empática? Será mesmo que eu não posso, como indivíduo, ser um agente de transformação todos os dias?

Hoje eu acredito que sim. Não só posso, como devo. Acredito que se minha atividade principal for servir café, ainda assim, com generosidade, alegria e simpatia, eu tenho condições de gerar impacto positivo em muitas pessoas. E o clichê é verdadeiro: gentileza gera gentileza. As possibilidades são infinitas.

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Gentileza gera gentileza (Crédito: Shutterstock)

No que eu acredito

Sempre tive dificuldade de explicar quem sou “em um tweet”. Olhei pra trás e percebi que isso acontecia porque eu definia quem eu era por aquilo que eu faço profissionalmente. Olhei para o meu extenso currículo e pensei: isso não me define!

Por que no final das contas, nossa essência está em nossos valores, crenças e ideais. Hoje a explicação é simples, apesar de causar ainda algum estranhamento: sou uma guria que acredita que pode mudar o mundo.

P.S.

Em um momento da história de Alice no País das Maravilhas, o Chapeleiro Maluco pergunta: Será que enlouqueci? Ao que Alice responde: Sim, você é completamente pirado. Mas vou te contar um segredo. As melhores pessoas são assim.

 

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Jornalista, curiosa e filósofa de boteco

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