Inovação

A sua ideia não vale nada!

A sua ideia não vale nada! POW! Pronto! Comecei esse artigo com uma porrada na sua crença e na crença de muita gente!

Quantas vezes nos pegamos pensando em todas as ideias revolucionárias que melhorariam os desafios mais dolorosos que enfrentamos no dia a dia do trabalho e… deixamos tudo no mundo das ideias! Não é mesmo?

Ou então quando temos um super insight ao vivermos um perrengue e notamos uma oportunidade de criar um novo negócio para uma demanda latejante, atendendo um mercado existente e… não fazemos nada.

Pior: quando temos uma ideia, damos o segundo passo de colocar no papel, estruturamos um plano, mas… o perfeccionismo nos barra! “Não tenho todos os recursos de ponta para fazer do jeito que eu quero” e começa o mimimi mental – e o “do jeito que você quer” é com o refinamento e a qualidade super-mega-blaster de produção que só uma mega corporação seria capaz de arcar com os custos.

Pronto! Está feito o combo do autoengano: a falta de noção, de percepção da sua realidade, disfarçada de perfeccionismo.

Se não for pra sair perfeito, eu nem começo.

Discurso bonito, né? Você já deve ter ouvido alguém falando assim. Você mesmo pode ser a pessoa que já disse ou pensou exatamente isso ao tentar botar a sua ideia pra rodar.

Mas deixa eu te contar uma coisa: a sua ideia não vale nada!

Mas peraí! Eu sempre pensei que inovação, empreender, ser fundador de uma startup, ser iniciador de um novo projeto, se baseasse todo no valor da RARIDADE de se ter o momento EUREKA disruptivo! Aquela ideia de um milhão de dólares! Aquele insight que NINGUÉM no mundo todo pensou antes!

É meu amigo! Deixa eu te desiludir – e te despertar para uma realidade mais empolgante ainda. Prometo.

A supervalorização da ideia disruptiva é algo que está sendo discutido no meio das startups. Investidores, ou seja, pessoas com a grana para investir em novos negócios não estão mais olhando somente para a ideia do negócio na hora de avaliar onde aplicar seu valioso dinheirinho. Eles estão avaliando meticulosamente e principalmente a CAPACIDADE DE EXECUÇÃO DAQUELA IDEIA.

Hein? 

Vou repetir: os caras e as donas da grana (sim, há investidoras mulheres) estão de olho no seu TALENTO em transformar uma boa ideia em REALIDADE.

Vou dizer de outra maneira para ficar mais fácil ainda de entender:

Eles estão apostando nos JÓQUEIS e não mais nos CAVALOS.

Essa expressão é ótima, e também sua referência: leiam o mini-artigo da HBR.

ideia 01
Não adianta ter um unicórnio se não tem ninguém capaz de montar nele…

E é por isso que a sua ideia não vale nada!

Deixa eu aprofundar mais ainda nessa sua crença descabida de que a ideia é o principal valor.

Vamos analisá-la:

Eu sempre pensei que inovação, empreender, ser fundador de uma startup, ser iniciador de um novo projeto, se baseasse todo no valor da RARIDADE de se ter o momento EUREKA disruptivo! Aquela ideia de um milhão de dólares! Aquele insight que NINGUÉM no mundo todo pensou antes!

Sim, é preciso partir de uma ideia. Não estou dizendo que startups, unicórnios e as grandes empresas do Vale do Silício não partiram de boas ideias. Mas pensa aqui comigo: você acha mesmo que NINGUÉM no mundo TODO nunca pensou em algo parecido com a sua ideia?

É claro que existem descobertas disruptivas mesmo, que ninguém nunca pensou antes: geralmente elas são insights que surgem após longos anos de trabalho pensando e repensando, aplicando e reajustando, e testando de novo uma solução para um determinado desafio. Para isso é preciso COMEÇAR de algum lugar.

Por exemplo: sabia que o YouTube era um site de namoro por vídeo? Que o Pinterest era um e-commerce para celular? Que a Nintendo começou fabricando jogos de cartas? E que o Instagram era um serviço de localização que distribuía pontos aos usuários?

A ideia original muitas vezes sofre modificações ou adaptações. Por outras vezes, desaparece por completo e dá lugar a algo que não era o objetivo inicial daquela empreitada. No meio da execução é que você pode ter uma grande ideia…

Então, comece!

Quando falamos em COMEÇAR, entramos no mundo da prática, da tal CAPACIDADE E TALENTO REALIZADOR. Por exemplo, o Facebook. A ideia de uma rede social com o objetivo de conectar pessoas foi lançada mais ou menos ao mesmo tempo (no início de 2004), porém o Orkut se tornou famoso bem antes. O Facebook começou a ganhar a corrida da popularidade e quantidade de usuários por causa da sua interface e funcionalidades mais profissionais. Ou seja: capacidade de realizar MELHOR.

O mundo está todo cheio de grandes ideias pipocando a todo instante por todos os lugares. A RARIDADE e UNICIDADE dessas ideias é algo cada vez mais difícil de ocorrer: a informação corre veloz pelos países, a Aldeia Global de Mc Luhan é cada vez mais real.

Te convenci da baixa probabilidade de você ser o único do MUNDO a ter pensado em uma ideia?

Mas não se desespere. O esvaziamento da crença da supervalorização da ideia não é uma má notícia, pelo contrário! Isso tudo contribui para a valorização do talento humano em realizar, mais do que a ideia em si. Não acredite na “loteria dos insights e ideias geniais”.

Não acredite que algum dia no meio de um passeio ou deitado à sombra de uma macieira, você será premiado pela sua mente com um momento EUREKA e – aí sim! – só assim, você poderá finalmente inovar e trabalhar com propósito.

Só ter uma ideia boa não significará nada se você não conseguir fazer acontecer da melhor forma!

E falar em realizar da melhor forma envolve cada vez mais estar por dentro de conceitos como Design Thinking, Lean UX, Agile…

Uma boa execução é dez vezes mais importante e cem vezes mais difícil que uma boa ideia. – Maurício Benvenutti (Incansáveis)

Fazer acontecer da melhor forma

Antes mesmo de eu saber o que era Design Thinking, fiz um artigo que aborda conceitos de prototipação e trabalho colaborativo em “Desafio do Marshmallow: por que seu filho de 5 anos sabe mais do que você sobre trabalho em equipe?”

Para fazer acontecer da melhor forma, além de dominar novas técnicas de gestão e design de processos também é essencial desenvolver habilidades de liderança. Cada vez mais a chefia (baseado em cargos atribuídos e desvinculados de legitimação e reconhecimento da equipe) perde autoridade e os talentos do líder servil se sobressaem nas formas colaborativas de gestão – que tendem a se aproximar cada vez mais do horizontal.

Espero abordar todas essas incríveis questões do “fazer acontecer da melhor forma” em próximos artigos. O que fica desse artigo é a ruptura daquilo que te prendia imóvel aguardando a ideia perfeita…

Lembre-se:

A sua ideia não vale nada!

E aí? Vamos colocar a mão na massa?

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Daniela Yoko Taminato

Comunicóloga, marketeira e administradora. Apaixonada por livros, viciada em mochilões, ligada no mundo da inovação e das organizações exponenciais. Acabou estudando sociologicamente os impactos das mídias digitais na Itália, refinou os conceitos de marketing em Ohio e fechou com um MBA em terras brasileiras. Viajou o mundo até se deparar com essa fascinante e envolvente curva em velocidade exponencial que tomou conta dos ambientes de inovação, criatividade e empreendedorismo.

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