Educação

O futuro da profissão docente

O futuro da profissão docente. Nunca se precisou tanto de humanização e de educadores como hoje. A inteligência artificial vem evoluindo exponencialmente e já responde a perguntas de milhares de pessoas.

Cresce, na internet, o número de cursos gratuitos disponíveis (MOOC, cursos livres online), assim como o acesso ao volume de informação. Tudo isso impacta a forma de aprender, de comunicar e as relações entre as pessoas.

É nesse contexto, das facilidades tecnológicas, que os professores podem e devem conhecê-las para utilizá-las visando aprendizagens significativas de seus estudantes.

Educadores do futuro

Se os educadores permanecerem como centro do processo educativo, transmitindo conhecimentos acumulados, serão, sim, substituídos pela inteligência artificial (chatbots, avatares) ou qualquer site de notícia e redes sociais disponíveis no mundo da internet.

No entanto, se tiverem disponibilidade e persistência para conhecer e utilizar: aplicativos, espaços makers, STEM (Science, Technology, Engineering e Matematics), plataformas, games, realidade virtual, aumentada e mista, compreenderão que, ao utilizarem essas tecnologias, estarão proporcionando experiências de sentido, onde se valoriza o protagonismo do estudante.

Essas ferramentas e linguagens de comunicação possibilitam ao professor construir trilhas de aprendizagem personalizadas, as quais registram o desenvolvimento individual dos estudantes. As tecnologias são utilizadas não só para personalização da aprendizagem, mas também permitem a simulação de situações as quais acessam a emoção do aprendiz pela intensidade da imagem, cor e movimento, facilitando a aprendizagem.

Essas tecnologias possibilitam a interatividade entre os alunos, seus professores e os pais, proporcionando transparência no processo de aprendizagem.   

Dessa forma, o professor poderá utilizar a sala de aula invertida em diferentes momentos escolares, deixando o espaço presencial na escola para diálogo, escuta, cuidado e partilha de experiências, inquietações, dúvidas e esclarecimentos. “Só por meio do diálogo é possível aprender” (GADAMER, 2000, p10).

Profissão docente

O diálogo ocupa lugar central de abertura ao outro como horizonte da nossa própria humanização. A partir do diálogo desenvolvemos o novo paradigma da conviviabilidade. Inspirado pelo cuidado, identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das ações uma forma de política cotidiana.

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Precisamos de professores que escutem e dialoguem (Crédito: Adobe Stock)

Esse agir expressa nossa “natureza” humana, a qual não se “encontra tanto na inteligência, na liberdade ou na criatividade, mas basicamente no cuidado. O cuidado é, na verdade, o suporte real da criatividade, da liberdade e da inteligência. No cuidado se encontra o ethos fundamental humano.” (BOFF, 2012, p.1).

Esse humano que habita um universo totalmente tecnológico, mas com necessidades de conviver e interagir. O campo do cuidado é, essencialmente, o campo das relações, dos encontros, dos modos de viver juntos. Precisamos oportunizar experiências aos estudantes.

O futuro da profissão docente

Bondiá afirma que “é onde o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada aconteça.” (2001, p.21).

Para isso, precisamos de professores que escutem, dialoguem e proporcionem experiência de sentidos para seus estudantes e nos cuidem enquanto humanos aprendizes para sempre.

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Fabiane Franciscone

Doutora em Educação (Universidade La Salle) e Coordenadora Geral da Educação Básica da Rede La Salle Brasil

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