Cultura

Futuro do trabalho e a ‘Sociedade 5.0’

Falaremos hoje sobre o futuro do trabalho e a ‘sociedade 5.0’. Tenho percebido uma crescente inquietude nos jovens que converso e uma sensação de desesperança quanto ao futuro a médio e longo prazo.

Na mídia em geral e em artigos publicados em periódicos sobre o futuro do trabalho, percebo também um sentimento de urgência crescendo sobre os desafios trazidos pela adoção da Inteligência Artificial nas empresas e o medo de que a automação levada às últimas consequências possa gerar o que foi chamado de desemprego tecnológico.

Acredito que há duas maneiras de se encarar a situação: uma seria uma visão de abundância do copo meio cheio, e outra de escassez do copo meio vazio. Prefiro assumir uma escolha: a da abundância, e ter todas minhas ações guiadas por essa forma de ver as coisas, que podemos também chamar de Growth Mindset ou Mindset de Crescimento, conceito adotado e popularizado em livros para empreendedores.

Sociedade 5.0

A ‘Sociedade 5.0’ é um conceito adotado pelo governo japonês para designar uma nova forma da sociedade lidar com a tecnologia, não apenas como forma de gerar eficiência em processos, o que acaba beneficiando alguns, mas para compartilhar os ganhos advindos do uso das tecnologias e escalar seu alcance para diferentes áreas de modo a gerar valor para a sociedade como um todo.

Entendo que estamos entrando em um mundo de abundância material, no qual a ética social também mudará. Cada vez mais não será tolerável permitir que um talento humano seja desperdiçado. Estimular seu máximo desenvolvimento e potencial será um objetivo do conjunto da nação.

Um mundo em que menos postos de trabalho como concebemos hoje estarão disponíveis, o papel da inovação e empreendedorismo terá um papel cada vez mais relevante.

Esse mundo em que fluxos informacionais atravessarão fronteiras e até mesmo os limites de nosso planeta, em função da perspectiva da exploração do espaço em nosso sistema solar, vejo como fator decisivo o estímulo ao desenvolvimento de novos negócios, criação de ecossistemas de Startups e o apoio ao surgimento de ideias e sua execução por novos empreendedores.

Quando falhar passa a ser uma opção e a pessoa não ter medo de tentar em função disso, a ideia de “falhar rápido”, pivotar (mudar de direção) e seguir em frente for a norma, entendo como formidável a liberação de energia criativa criada devido a isso, devendo ser estimulado o espírito de perseguir um sonho e mudar sua própria realidade.

Propósito Transformador Massivo

O chamado “Propósito Transformador Massivo”, tão famoso no Vale do Silício, ideia que procura pela ação da startup/empresa impactar as pessoas em escala global. É uma forma de engajar os talentos que desejam compartilhar desse futuro grandioso com os fundadores da empresa, e uma forma de direcionar todas as energias em busca desse futuro e o tornar realidade.

A ideia de que a inteligência artificial veio para destronar o ser humano como principal agente de mudança do seu destino, e que este passaria a ser um mero espectador da mudança, não é nem realista nem desejável.

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Aumento Humano

O conceito de Human Augmentation (ou “Aumento Humano”), na minha concepção, pode se fazer o uso da tecnologia como aliada do ser humano, aumentando seu grau de consciência situacional sobre seu ambiente e amplificando dessa forma o alcance de suas ações, com isso sendo possível aumentar sua performance no ambiente profissional e seu impacto na sociedade.

Assim como, por meio do estímulo da colaboração em escala global para objetivos comuns de um futuro próspero para todos, vejo como condição mandatória para isso o surgimento de uma espírito de solidariedade entre os povos, para ajudar aqueles que ficaram para trás em seu desenvolvimento e que a busca de valores que façam as pessoas a aspirar por dias melhores, em que as habilidades que no passado caracterizavam o espírito humano como a experimentação sem medo, a Arte e a Poesia possam ser cultivadas e que possamos deixar o trabalho chato e repetitivo para as máquinas, enquanto possamos buscar gerar e engajar as pessoas para resolver problemas que se acumulam aos montes e que sempre de uma forma ou de outra se perpetuaram aos nossos olhos.

A busca por sanar essas demandas não atendidas vai exigir o melhor do espírito humano, toda sua garra, criatividade, imaginação, foco, empatia, além de exigir a capacidade de trabalhar em times diversos e fazendo uso da colaboração e experimentação para poder atingir resultados, antes inimagináveis para apenas um grupo de pessoas, mas que a soma da contribuição singular de cada indivíduo, consiga realmente gerar valor e impacto na vida das pessoas do mundo para melhor.

A mensagem que quero passar é a que ao invés de termos medo do futuro, devemos procurar ter uma postura corajosa e altiva para com ele, de estimular o que há de melhor no ser humano, um espírito de generosidade para com o próximo e para o conjunto da Humanidade.

Dessa forma externalidades positivas podem ser geradas em seu conjunto, novas possibilidades de futuros serem criados devido a isso, pois ocorre o restabelecimento da confiança na sociedade como um todo e entre os povos, e na ação do indivíduo como protagonista de seu futuro e agente de mudança social.

Mas não há receitas prontas, há de se co-criar esse futuro, todos juntos.


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Renato Azevedo Sant'Anna

Renato Azevedo Sant'Anna trabalha como Estrategista Digital / Consultor de Insights & Data Intelligence. Graduado em Engenharia da Computação e MBA Analytics em Big Data pela FIA e MBA em Marketing pela FGV. Tem experiência com Inteligência de Negócios em canais digitais desde 2011.

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