Educação

Não vulgarize o futuro nem a disciplina chamada Futurismo

O futuro está na moda, que bom! Vamos refletir um pouco sobre tudo isso e sobre a disciplina chamada Futurismo?

Muito se fala sobre o futuro, sobre as tecnologias e sobre as mudanças do mundo. O termo inovação já deu espaço para a transformação, que representa melhor o momento que vivemos. Como sempre, as ondas fazem com que disciplinas sérias e nem tão novas virem “arroz de festa” quando se popularizam.

Acredito que nada pertence a um grupo ou a uma pessoa, e não há verdade absoluta nem um framework fechado sobre o que é Futurismo ou não e sobre quem é futurista ou Trend Watcher, Palestrante, Curioso, Futurizer ou surfista da onda da moda apenas. Algumas provocações:

Futurismo é só sobre relatar como será o mundo no futuro?

É estar por dentro da linguagem do mundo digital?

É entender de tecnologias exponenciais ou ter visitado o Vale do Silício?

Talvez não. Pesquiso bastante sobre o assunto e percebi que cada profissional o define de uma forma, e claramente existe uma diferença enorme entre a Arte e a Ciência do Futurismo no mundo e alguns recortes mais rasos do mundo apressado.

Futurismo é observar tendências? Também, mas não só.

É adivinhar o futuro? Não.

É dizer que sabe o que acontecerá até 2038? Não mesmo.

É antever e conectar pontes e padrões? Sim, também.

É estudar em escolas futuristas e criar teses autorais sobre os estudos? Sim, na maioria das vezes, mas nem sempre.

É observar, conectar, imaginar possibilidades, trazer clareza, gerar insights que viram ações e decisões no presente? Sim, quase sempre.

É influenciar a mudança? Sim, mas com metodologia, não com falas vazias ou palestras.

É estudar em escolas de futurismo globais, mais de uma de preferência, aplicar diferentes metodologias de Foresight e Prospectiva Estratégica, estimular a criatividade, acelerar ou antecipar o futuro construindo boas decisões no presente? Sim, e aqui se começa a ver quem estuda, tem preparo e skills de um futurista e quem fala sobre, mas não sabe aplicar a disciplina na realidade presente.

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Cada profissional define o Futurismo de uma forma (Crédito: Shutterstock)

Criamos um blog informativo sobre os Futuristas do Brasil, para que todos possam ler, pesquisar, saber, co criar conosco um espaço onde o assunto é tratado com respeito e seriedade. Escolhi algumas, uma do Acceleration Studies Foundation, entre inúmeras definições do nosso banco de dados, e algumas de pessoas que sei que são bacanas e sérias, e que se dedicam muito a este estudo.


Futurismo é uma ciência transdisciplinar que procura antecipar, criar, gerenciar mudanças em uma variedade de domínios ( científico, tecnológico, ambiental, político e societal), em diferentes escalas, usando uma variedade de especialidades, teorias e métodos. – Acceleration Studies Foundation


A disciplina que estuda o futuro para compreendê-lo e poder influir sobre ele. – Rosa Alegria


Enxergar onde acontecem transformações nos padrões e entender como podem se comportar no futuro. – Michel Zappa


Futurismo é a disciplina que investiga, explora, traduz e acelera as possibilidades de um futuro pós-emergente, ou seja, de cinco a 10 anos. Sua proposta é observar como as evidências (passadas e presentes) encontradas na ciência, na tecnologia e no empreendedorismo (ou negócios em geral) podem afetar a cultura, os novos comportamentos e as novas estruturas da sociedade. Seu objetivo é aumentar a consciência da sociedade ajudando-a a tomar decisões que geram impacto positivo tanto hoje quanto amanhã. – Aerolito/Tiago Mattos


Capacidade de entender os sinais de mudança e construir algo em torno disso. Usar Trends para suportar a inovação e adaptar as empresas à realidade atual. – Luis Rasquilha


Futuros podem ser criados ou evitados e é isso que faz o futurista ao traçar cenários, oferecer visões e possibilidades que permitem a criação de estratégias. – Jacques Barcia


Futurismo é poder prever o futuro utilizando meios quantitativos e qualitativos, usando principalmente habilidades de intuição e escrita, e criar o futuro, usando técnicas de planejamento e consultoria. – Daniela Klaiman


E é claro que de forma muito visceral, criei a minha percepção, que traduz o que eu entendi até agora sobre esta linda e importante ciência:

Uma arte que transcende a mente. Uma ciência universal que conecta pontos ainda não manifestados e os tangibiliza no presente. Usa diferentes abordagens para enxergar o possível caminho ainda invisível, faz a leitura de padrões considerando sua continuidade ou ruptura, influencia a mudança sem previsões ou contaminações considerando todas as dimensões da vida. Integra o mundo possível com a vida existente, criando ou polinizando diferentes métodos, oferecendo clareza sobre as tendências e os sinais do futuro que se aproxima, e principalmente, torna as pessoas capazes de se preparar para o salto quântico de nossa época. – Jaqueline Weigel

Quem inventou a disciplina?

O francês Bertrand de Jouvenel é considerado um dos pais da disciplina no âmbito da ciência, mas a primeira ferramenta de pesquisa de futuros foi criada pelo germano-americano Olaf Helmer e sua equipe na RAND Corporation, uma organização fundada para estudar os caminhos do mundo no pós-guerra.

Quando saiu da RAND, Helmer ajudou a fundar uma das principais organizações de futuros do mundo, o Institute For The Future, em Palo Alto, na Califórnia. –Projeto Draft

Contribua, aprenda, mande sugestões, compartilhe o texto. Em um mundo de fake news, não seria o Futurismo o assunto que ficaria de fora de distorções e uso indevido. Talvez todas as definições acima estejam erradas, inclusive a minha. Por isso, convidar a refletir sobre é sempre bom!

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Jaqueline Weigel

Futurista, Humanista, Estrategista de Inovação, Instrutora de Liderança Exponencial e CEO da W Futurismo.

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