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Inovação

Com que frequência você pensa sobre o futuro?

Um estudo fez a pergunta para milhares de pessoas e chegou a conclusões pouco animadoras

Você já parou para se perguntar com que frequência você pensa sobre o futuro? Um recente estudo conduzido pelo Institute For The Future fez essa pergunta a milhares de norte-americanos e chegou a conclusões pouco animadoras. Confira a seguir os principais resultados da pesquisa.

O que é o Institute For The Future?

É uma organização educacional e de pesquisa estratégica independente, sem fins lucrativos, com sede em Palo Alto, Califórnia, nos Estados Unidos. O instituto busca identificar tendências emergentes e possíveis transições que poderão transformar a sociedade e o mercado global no futuro, analisando campos em constante transformação como saúde, local de trabalho e aprendizagem.

Com que frequência as pessoas pensam no futuro?

No período compreendido entre os dias 7 a 13 de dezembro de 2016, o Institute For The Future conduziu o estudo intitulado The American Future Gap. Coordenado pela game designer Jane McGonigal, autora dos livros Reality is Broken (2012) e SuperBetter (2016), a pesquisa explorou a frequência com que as pessoas pensam no futuro.

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O estudo foi coordenado pela game designer Jane McGonigal

A metodologia de pesquisa adotada foi o survey, que envolve a coleta de dados através de entrevistas aplicadas a uma amostra selecionada de participantes. Para viabilizar a pesquisa, foram recrutados 2.818 adultos a partir do Facebook e Twitter, que responderam um questionário online pré-formatado na plataforma Survey Monkey.

As principais conclusões do estudo

De acordo com a pesquisa, mais de um quarto (27%) dos entrevistados raramente ou quase nunca pensa sobre suas vidas daqui a 5 anos; mais de um terço (36%) quase nunca pensa em algo que acontecer daqui a 10 anos; e mais de metade (53%) dos entrevistados raramente ou quase nunca pensa sobre suas vidas daqui a 30 anos – um fato que pode levar a tomada de decisões ruins na vida cotidiana e consequências negativas para a sociedade.

Apenas uma minoria de entrevistados demonstrou ser altamente orientada para o futuro. Desse patamar, 17% dos participantes disseram que pensam sobre como estará o mundo daqui 30 anos pelo menos uma vez uma semana; 29% afirmaram que pensam sobre suas vidas daqui a 10 anos pelo menos uma vez por semana; e 35% assinalaram que pensam sobre os próximos 5 anos pelo menos uma vez uma semana.

Na visão do instituto, as conclusões da pesquisa demonstram uma espécie de lacuna (gap). Algumas pessoas estão se conectando regularmente com seus futuros, enquanto a maioria não. E isso é preocupante, pois a falta de reflexão sobre o futuro pode trazer consequências profundas tanto em nossa vida pessoal quando no bem-estar coletivo.

Estudos demonstram que quanto menos as pessoas pensam em suas vidas futuras, menos elas são propensas a fazer escolhas que beneficiem o mundo a longo prazo. Da mesma forma, constatam que pessoas que não pensam sobre o futuro votam com menos frequência, tomam decisões de saúde precárias, procrastinam mais suas tarefas e são mais inclinadas a abandonar os estudos e apresentam menor resiliência ao lidar com obstáculos difíceis.

Fatores que afetam o future thinking

Uma constatação curiosa da pesquisa é que o fato de ter filhos ou netos não necessariamente aumenta o future thinking. Entre os entrevistados que relataram ter filhos, 31% quase nunca pensaram sobre os próximos 30 anos. Já entre os entrevistados que relataram ter netos, 54% disseram que quase nunca pensaram sobre os próximos 30 anos.

Por outro lado, um diagnóstico médico terminal ou uma experiência de quase-morte pode significativa aumentar o future thinking. Entre os entrevistados que tiveram de lidar com a morte de um ente querido, 21% referiram que desde o fato passaram a pensar mais nos próximos 30 anos, 25% disseram que passaram a pensar mais nos próximos 10 anos e 31% assinalaram que passaram a pensar mais nos próximos 5 anos.

Diagnóstico geral

Embora os participantes estivessem cientes de que estariam respondendo a uma pesquisa sobre o futuro – e ainda que, por essa mesma razão, tenham sido potencialmente incluídas no estudo pessoas mais interessadas em pensar sobre o futuro do que população em geral –, mesmo assim a pesquisa demonstrou baixas taxas de future thinking.

Logo, levando em conta o potencial perfil dos entrevistados – pessoas que gostam de pensar sobre o futuro estão mais propensas a participar de um estudo sobre future thinking –, as conclusões da pesquisa reforçam que (a) o norte-americano típico raramente ou quase nunca pensa sobre o futuro; (b) o percentual de pessoas altamente orientadas para o futuro na população em geral provavelmente é inferior aos relatório do estudo.

Para o Institute For The Future, todos devemos pensar nos próximos 5, 10 e 30 anos. Se realmente quisermos criar mudanças em nossas próprias vidas ou no mundo que nos rodeia, é essencial desenvolver a capacidade de imaginar como as coisas poderiam ser diferentes e a aprimorar nossa empatia para com nossos “eus” futuros.

É fundamental adquirir habilidades e hábitos de pensamento futuro; é essencial aumentar a frequência com que as pessoas projetam suas vidas futuras; é imprescindível, em suma, desenvolver o future thinking.


P.s. 1: Para saber mais sobre o estudo The American Future Gap, o arquivo integral está disponível AQUI.

P.s. 2: E você, com que frequência pensa sobre o futuro?

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Redação do Futuro Exponencial

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