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No futuro, as estrelas do cinema poderão atuar nas telonas mesmo depois de mortas

Não é de hoje que vemos estudos sérios prevendo que a tecnologia eliminará milhões de trabalhos no futuro. Mas, do imenso número de profissões existentes em todo o mundo, talvez uma daquelas que menos imaginamos sendo substituídas por robôs ou máquinas é a dos atores e atrizes – as estrelas do cinema.

Grandes atores e atrizes são capazes de arrancar suspiros, choros e risos dos telespectadores – tudo ao mesmo tempo. São eles e elas incrivelmente habilidosos a ponto de transformar radicalmente seus corpos e seus trejeitos em prol da construção de seus personagens. Como, então, poderiam ser substituídos?

Por mais que não sejamos capazes de imaginar como atores e atrizes poderiam ser substituídos no futuro, a realidade é que as técnicas de efeitos especiais da indústria do cinema estão evoluindo para criar atores digitais, que poderiam, a princípio, competir com atores e atrizes humanos.

O futuro da indústria do cinema

O filme de ficção científica Blade Runner 2049 nos oferece um vislumbre desse cenário. No longa-metragem, há uma cena na qual o ex-policial Rick Deckard (interpretado por Harrison Ford) reencontra a personagem Rachael (que, no filme original de 1982, foi representada por Sean Young, hoje com 58 anos).

Embora o personagem de Ford tenha envelhecido muito desde o primeiro filme, em Blade Runner 2049 vemos uma Rachael com o rosto digitalizado. Com uma pequena ajuda dos efeitos especiais hollywoodianos, a personagem encontra Deckard sem apresentar quaisquer “sinais de envelhecimento”.

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Em Blade Runner 2049, vemos uma Rachael com o rosto jovem e digitalizado (Reprodução/YouTube)

Para fazer a cena, os técnicos primeiro escanearam a cabeça e o crânio de Sean Young. Depois, usaram as filmagens da atriz no primeiro Blade Runner para construir um rosto mais jovem ao redor de seu crânio escaneado. Por fim, reorganizaram o áudio das interpretações antigas. O resultado você confere a seguir:

Mas Blade Runner 2049 não é o único exemplo do potencial da indústria de efeitos especiais. Em 2016, o ator Peter Cushing “voltou à vida” na “pele” do personagem Grand Moff Tarkin em Rogue One: A Star Wars Story. O ator, falecido em 1994, teve seu rosto inteiramente digitalizado para participar do novo filme.

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Em 2016, o ator Peter Cushing “voltou à vida” para interpretar Grand Moff Tarkin (Reprodução/YouTube)

Os avanços tecnológicos estão poupando os bolsos dos cineastas, mas, ao que tudo indica, representarão um risco ao trabalho dos figurantes e, sobretudo, dos atores. Os especialistas em efeitos especiais estão cada vez mais próximos de produzir performances completas de atores que não estão mais vivos.

Imortalizando as estrelas do cinema

Darren Hendler, supervisor de efeitos digitais da Digital Domain, disse que alguns atores renomados já estão fazendo os preparativos necessários para que suas vidas como artistas continuem mesmo após a morte. Segundo ele, há atores investindo milhões para se preservar digitalmente no arquivo da empresa.

Temos um menu de arquivo digital. Você pode arquivar como seu rosto funciona e cada expressão que você faz. Você pode arquivar sua voz e a maneira como sua voz soa. – Darren Hendler (supervisor de efeitos digitais da Digital Domain)

Embora Hendler não possa revelar quais atores tomaram a decisão de se imortalizar digitalmente, é possível imaginar um futuro no qual jovens atores/atrizes concorrendo com estrelas do cinema digitalizadas. Pense em uma jovem atriz competindo com uma Meryl Streep digital daqui a 20 ou 30 anos.

É possível ainda imaginar um futuro em que um ator consagrado interpretaria o mesmo papel eternamente, sendo, mesmo depois de morto, o protagonista de novos filmes, continuações ou spinoffs. Pense em Vin Diesel “dando vida” a Dominic Toretto em 2058, na 50ª continuação da franquia Fast & Furious.

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Imagine Vin Diesel “dando vida” a Dominic Toretto em uma 50ª continuação de Fast & Furious (Reprodução/YouTube)

Que tal ver o falecido James Gandolfini interpretando Tony Soprano para sempre? Ou desfrutar de uma atuação de Marlon Brando, “incorporando” o icônico Don Vito Corleone em uma nova continuação de The Godfather? Ou, quem sabe, assistir a atriz Elizabeth Taylor “revivendo” seu papel de Cleópatra?

Atores e atrizes estarão ameaçados?

Sempre que um ator especial morre, temos a sensação de que todos os seus papéis e todas as suas representações também se foram. O aspecto curioso – e paradoxal – é que todos os personagens permanecem vivos. Os filmes, na verdade, eternizam o intérprete que partiu, imortalizando-o nas telas.

Mais do que imortalizar as estrelas do cinema nas telonas, o futuro da indústria dos efeitos especiais está caminhando para permitir que atores e atrizes continuem “atuando” mesmo depois de mortos. Com suas versões digitalizadas, os artistas seriam capazes de interpretar “novos” personagens eternamente.

É claro que os especialistas em efeitos especiais ainda não são capazes de produzir uma excelente performance de um ator morto – que execute principalmente movimentos corporais complexos –, mas, no ritmo acelerado que a tecnologia está evoluindo, quem pode dizer do que serão capazes daqui 10, 20 ou 30 anos?

Quando este dia chegar, será que a indústria dos efeitos especiais colocará em risco a profissão dos atores? Será que atores e atrizes jovens disputarão papéis com versões digitais de artistas consagrados? E será que o público terá interesse em assistir longa-metragens protagonizados por atores mortos?

Essas e muitas outras perguntas caberá ao tempo – e somente o tempo – responder.

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Redação

Futuro Exponencial é um site que se dedica a cobrir os mais recentes avanços tecnológicos e seus potenciais impactos para o futuro da humanidade

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