Cultura

Esse tal de futurismo

De alguns anos pra cá, entre tantas novas profissões que emergiram no cenário pós-digital, uma vem ganhando, cada vez mais, força e notoriedade: a de futurista. Mas afinal de contas, o que é isso? Futurismo é uma metodologia de exploração de futuros.

Um conjunto de técnicas e ferramentas que auxilia indivíduos e organizações a desafiar suas suposições acerca do presente, explorar as mudanças do mundo e extrair insights de sinais do presente que possam indicar transformações.

É uma disciplina cada vez mais relevante para a saúde das empresas e da sociedade. Por ser homônima ao movimento artístico italiano de 1924, muitos entusiastas da disciplina preferem chamá-la de Metodologias de Foresight ou Exploração de Futuros.

Em um curso recente promovido pela WTF! School com foco nessa disciplina, o futurista Jacques Barcia, fundador da Futuring.Today e membro da Associação de Futuristas Profissionais, trouxe ferramentas e conceitos que nos fazem repensar as metodologias atuais de planejamento.

Futurismo não é futurologia

Antes de tudo, é importante entendermos que futurismo não é igual a futurologia. Não prevê futuro ou utiliza tom determinístico. Ao contrário, a grande pergunta que a disciplina faz é “e se?”. É como diz Yuval Harari, em Sapiens:

A história é o que chamamos de sistema caótico ‘nível dois’. […] O caos nível um é o caos que não reage a previsões a seu respeito. O clima, por exemplo, é um sistema caótico nível um. […] O caos nível dois é o caos que reage a previsões a seu respeito e, por isso, nunca pode ser previsto com precisão. Os mercados, por exemplo, são um sistema caótico nível dois. – Yuval Harari

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O historiador israelense Yuval Harari (Crédito: ynharari)

Ou seja, a própria previsão desencadearia ações que influenciariam o presente de maneira a invalidá-la. Além disso, o futurismo trabalha com futuros, assim mesmo, no plural. Afinal de contas, o futuro não existe. O que existe são inúmeras possibilidades de futuros distintos.

Barcia falou sobre o empuxo de futuro, que seria como uma turbina de avião, que puxa o ar nos movendo para frente.  Não somos nós que vamos em direção ao futuro, é ele que chega como presente. O conceito possibilita muita reflexão, mas o importante para a prática da metodologia são as ferramentas.

Catalogação de sinais fracos, matriz de inovação cruzada, jornada no futuro, worldbuilding, mapas de ações e prólogo são  algumas das que me foram apresentadas no curso, mas muitas outras existem.

E o que mais me chamou atenção foi o embasamento técnico e histórico que elas dão a qualquer insight, seja ele para planejamento ou para a inovação.

Ainda são poucos os futuristas no Brasil, mas a disciplina está cada vez mais difundida. Espero poder ver cada vez mais empresas do setor utilizando metodologias como essa para a  construção do seu futuro desejável.


Artigo originalmente escrito para o Jornal Exclusivo

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Roberta Ramos

Jornalista, curiosa e filósofa de boteco

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