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Tecnologia

A era dos cyborgs já chegou

Tecnologia e biologia nunca estiveram tão conectadas como hoje

Semanalmente, um grupo de cientistas amadores e cyborgs se reúne na cidade de Nova York para trabalhar, discutir e aprender uns com os outros. Os encontros ocorrem no laboratório comunitário da Genspace, organização sem fins lucrativos que busca promover o acesso à biotecnologia.

Os membros da Genspace praticam a técnica de biohacking, cujo propósito é aprimorar a performance humana. Para os biohackers, como se autointitulam, o próximo passo do ciclo evolutivo não terá influência da natureza, mas de esforços próprios e coletivos (DIY).

Atualmente, iniciativas similares a Genspace têm sido criadas em todo o mundo. Na Suécia, a organização sem fins lucrativos Bionyfiken, cofundada por Hannes Sjoblad, reúne biólogos, hackers e artistas para explorar a integração entre humanos e máquinas. Todos praticam biohacking.

A era dos cyborgs

A conexão cada vez mais forte entre a tecnologia e a biologia, que abrange tanto a instalação de aprimoramentos corporais quanto a manipulação genética dentro da própria residência, levou Sjoblad a argumentar recentemente que já estamos vivendo na era dos cyborgs.

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Para Hannes Sjoblad, já estamos vivendo na era dos cyborgs

Contudo, os cyborgs de hoje não são como aqueles robôs humanoides assustadores que vemos nos filmes de Hollywood; são apenas pessoas comuns que decidiram integrar a tecnologia em seus corpos para melhorar (ou monitorar) algum aspecto de sua saúde.

Hoje, existem sistemas inteligentes de monitoramento de insulina (para controlar o índice glicêmico), marca-passos (para manter o ritmo cardíaco), olhos biônicos (para melhorar a visão) e implantes cocleares (para melhorar a sensação auditiva). Todos são exemplos de biochaking.

Saúde

Pelas experiências atuais, Sjoblad acredita que o campo onde biohacking pode causar o impacto mais positivo é o da saúde. Além dos sistemas mencionados, várias novas tecnologias estão sendo desenvolvidas para melhorar nossa saúde e simplificar o acesso a informações sobre nossos corpos.

Pílulas inteligentes (ingestibles) usam tecnologia wireless para monitorar como nosso organismo reage a determinados medicamentos. Em posse desses dados, os médicos conseguem determinar os melhores níveis de dosagem e tratamentos personalizados para diferentes pessoas.

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Pílulas inteligentes monitoram como nosso organismo reage aos medicamentos (Crédito: Shutterstock)

No futuro, colonoscopias e endoscopias poderão ser substituídas por câmeras de vídeo em forma de comprimidos em miniatura. Os dispositivos transmitiriam imagens à medida que viajassem pelo trato digestivo, auxiliando os médicos a constatar o problema intestinal de cada paciente.

Segurança

Mas, além do campo da saúde, o biohacking também pode ser benéfico para a segurança. Um bom exemplo seria a personalização de armas. Imagine uma polícia equipada com armas que somente policiais poderiam usar.

Assim como podemos desbloquear nossos smartphones com nossas impressões digitais, os policiais também poderiam desbloquear suas próprias armas. Isso eliminaria o risco de bandidos desarmá-los e utilizar as armas para fins ilícitos.

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A personalização de armas seria mais um dos benefícios do biohacking (Crédito: Shutterstock)

Você poderia também ter uma arma em casa que respondesse somente à sua impressão digital. Logo, se uma pessoa invadisse sua casa, não seria capaz de disparar sua arma, diminuindo assim os riscos de uma fatalidade.

Transações comerciais

O biohacking também tem potencial de simplificar tarefas diárias. Com microchips NFC (do inglês, Near Field Communication) implantados em nossas mãos, seremos capazes de transportar a todo lugar nossas informações pessoais, profissionais e bancárias.

Se hoje levamos todos esses itens em nossas bolsas ou carteiras, no futuro apenas acenaremos nossas mãos na frente de um sensor para comprar a passagem de ônibus ou acessar um prédio comercial. O auge da Internet das Coisas tornará estes gestos tão comuns que sequer nos daremos conta.

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Por meio de microchips NFC, poderemos fazer pagamentos e acessar dispositivos (Crédito: Shutterstock)

Aliás, as empresas já estão começando a adotar a implantação de microchips em seus funcionários para essas finalidades, como demonstram dois casos recentes, respectivamente na Suécia e nos Estados Unidos. Assim como este projetos iniciais, muitos outros deverão surgir em breve.

O futuro do biohacking

É bem verdade que a utilização do biohacking envolve o enfrentamento de questões éticas e jurídicas, que deverão ser debatidas para tornar a tecnologia o mais segura possível. Mas é inegável que hoje muitas pessoas se beneficiam sensivelmente desta prática.

O biohacking está apenas no começo e suas aplicações poderão ser alavancadas para melhorar a nossa qualidade de vida de múltiplas formas. Para Sjoblad, não há dúvida de que a técnica irá proliferar nos próximos anos e muitas pessoas acabarão eventualmente se tornando cyborgs.

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Redação do Futuro Exponencial

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