Educação

A Era do Conhecimento sem Preconceitos nem Julgamentos

Eu comecei a escrever, de maneira estruturada, há aproximadamente 2 anos, com o objetivo de compartilhar o meu conhecimento e de levar os líderes das empresas a reflexão. Principalmente, aqueles que podem conduzir a transformação digital em suas organizações, gerando maiores resultados, melhorando o nosso mundo, movendo nossa economia e, no final do ciclo, beneficiando todas as pessoas que trabalharão felizes, com o tempo para curtirem suas vidas, famílias e buscarem a realização de seus sonhos.

Acredito DEMAIS que a tecnologia é realmente o melhor MEIO para transformar nosso mundo. Mas não tenho dúvidas de que o MAESTRO desta transformação, para o bem ou para o mal, continuará sendo o SER HUMANO.

Para melhor embasar minha linha de pensamento e forma de trabalhar, tenho dedicado especial atenção a temas relacionados a Futurismo – fazendo exercícios de tendências de tecnologias que possam ser aplicadas em curto prazo nas empresas, para que se antecipem aos seus concorrentes – e ao processo de Aprendizagem das pessoas, ainda mais nesta Era da Informação Exponencial.

Trato destes temas em meus dois últimos artigos:

  • Futurismo (leia aqui);
  • Aprendizagem (leia aqui)

A Era do conhecimento

No artigo de hoje, vou focar em como entendo que os MAESTROS do nosso futuro devam se posicionar em relação à aquisição de mais CONHECIMENTO.

A primeira premissa é a de que a Educação mudou, em grande parte pelos avanços tecnológicos e internet. Concordo muito com a visão do meu caro Conrado Schlochauer, especialista no tema e embaixador da Singularity University em SP:

A grande mudança é que a educação e o aprendizado não estarão mais focados apenas na época da escola e graduação, mas estará presente em toda a vida. Eu acredito que está sendo criada uma nova espécie de Ser humano. Não seremos mais Homo Sapiens, mas Homo Discens – uma espécie que aprende.

Naturalmente o que passa pela cabeça de muitos que entenderam a importância do aprendizado é: Qual a melhor forma de aprender, no meio de tantas alternativas, de tanta informação? Qual me trará maiores benefícios? Qual resultará em maior valorização profissional e pessoal?

Que tal raciocinarmos juntos?

Um parâmetro excelente sempre será a experiência dos outros: como alguns dos profissionais de sucesso, que não saem da mídia nos tempos atuais, adquiriram seu conhecimento?

Elon Musk

Empreendedor, filantropo e visionário sul-africano-canadense-americano. Fundador e Líder de empresas como SpaceX, Tesla Motors, OpenAI,  Neuralink e SolarCity.

Durante a infância ele foi um ávido leitor e incluiu a série da Fundação de Isaac Asimov, da qual ele tirou a lição de que “você deve tentar tomar o conjunto de ações que provavelmente prolongarão a civilização, minimizarão a probabilidade de uma idade das trevas e reduzirão o tamanho de uma Era das trevas se houver uma.”

Aos 10 anos, desenvolveu interesse em computação. Aos 12, depois de aprender sozinho a programar, desenvolveu e vendeu o código de um jogo de vídeo para uma revista por 500 dólares.

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Aos 10 anos, Musk desenvolveu interesse em computação (Crédito: Shutterstock)

Musk sofreu bullying por grande parte de sua infância, mas, com 17 anos de idade, foi aceito na Queen’s University e se mudou para o Canadá. Em 1992, se transferiu para a Universidade da Pensilvânia, onde, 3 anos depois, obteve um diploma de bacharelado em física outro em economia na Wharton School of Business.

Musk estendeu seus estudos por um ano para terminar o segundo grau de bacharel. Para ajudar a pagar os custos com os estudos, Musk e seu amigo Penn Adeo Ressi alugaram uma república estudantil de 10 quartos, usando-a como uma boate não oficial.

Em 1995, aos 24 anos, Musk mudou-se para a Califórnia para começar um doutorado em física aplicada e ciência dos materiais na Universidade de Stanford, mas deixou o programa após dois dias para perseguir suas aspirações empresariais nas áreas da internet, energia renovável e espaço sideral.

Em 2002, tornou-se cidadão dos Estados Unidos.

Steve Jobs

Inventor, empresário e magnata americano no setor da Tecnologia. Fundador, líder e acionista de empresas como Apple, Pixar, The Walt Disney Company.

No 9º ano da escola, aos 12 anos, Jobs conseguiu um emprego de verão na HP, após entrar em contato diretamente com um dos sócios, William Hewlett, para pedir uma peça para um projeto de ciências. Embora se dedicasse muito aos projetos que gostava, suas notas na escola eram fracas. Ele não concordava com o ensino tradicional e preferia aprender de maneiras diferentes.

Ainda jovem, junto com Steve Wozniak, o outro fundador da Apple, criou um aparelho que podia “enganar” os telefones e ligar de graça para qualquer lugar do mundo.

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Jobs foi mentor dos criadores do Google, Sergey Brin e Larry Page (Crédito: Shutterstock)

Eles teriam arrecadado um total de U$$ 6 mil com este produto. Steve cursou a Universidade Reed College, formalmente, por apenas 6 meses, e ficou mais 1 ano e meio frequentando o campus e dormindo no chão do dormitório da faculdade, em quartos de amigos e estudando “por fora” apenas o que ele gostava, como o curso de Caligrafia que inspirou todo o design da Apple.

Anos depois, Jobs foi mentor de Sergey Brin e Larry Page, criadores do Google. Há um famoso discurso de Jobs em 2005, para os formandos de Stanford, que vale ver e rever:

François Pinault

Fundador e acionista do conglomerado de luxo e artigos esportivos Kering, que controla marcas como Gucci, Yves St. Laurent, Puma, Stella McCartney e Alexander McQueen. Pinault também é dono da casa de leilões Christie’s, da vinícola Chateau Latour e de uma coleção de arte de 2 mil peças. O magnata do luxo desistiu do ensino médio em 1974 depois de sofrer bullying moral por ser pobre.

Howard Schultz (CEO da Starbucks)

Cresceu em um conjunto habitacional para pobres e chegou a declarar em uma entrevista:

Ao crescer eu sempre senti como se estivesse vivendo do outro lado dos trilhos. Eu sabia que as pessoas do outro lado tinham mais recursos, mais dinheiro, famílias mais felizes. E eu não sabia a razão de querer alcançar algo além do que as pessoas diziam ser possível. Eu posso ter um terno e gravata agora, mas eu sei de onde eu vim e sei como é.

Schultz acabou ganhando uma bolsa na Universidade de Northern Michigan e foi trabalhar para a Xerox após a graduação. Pouco depois, ele assumiu um café chamado Starbucks, que na época tinha apenas 60 lojas. Schultz tornou-se CEO da companhia em 1987 e fez a cadeia do café crescer para mais de 16 mil pontos de venda em todo o mundo.

Trilhas de conhecimento e aprendizado

Nestes poucos, mas significativos casos, podemos constatar que cada um dos extremamente bem-sucedidos empresários citados, seguiu um caminho diferente de trilha de conhecimento e aprendizado. E inúmeros outros casos de sucesso podem confirmar esta afirmação.

Não vou abordar neste artigo tantos outros profissionais e empresários de sucesso que não chegaram a acumular uma riqueza material tão vultosa, mas que concretizaram seus sonhos, cada um seguindo um caminho distinto, rumo à conquista do maior bem de todos: a FELICIDADE.

Mas uma destas histórias recentes de sucesso, tenho certeza que abrirá a cabeça de muita gente: aos 14 anos, em meio à pobreza e fome, um garoto de Malawi, África, de maneira totalmente autodidata, consultando livros da pequena biblioteca de sua vila, construiu um moinho – a partir de restos de sucatas – para gerar eletricidade para a casa de sua família.

Aos 22, William Kamkwamba, palestrando no TED, conta com suas próprias palavras a emocionante história da invenção que transformou sua vida:

Falamos de pessoas até agora. Mas como estes diferentes tipos de aprendizado podem interferir nas empresas e organizações atuais?

O mercado corporativo de grandes empresas ainda é muito tradicional quanto aos seus conceitos e estruturas organizacionais. Isto vale para a seleção dos seus CEOs e outros executivos C-level, contratados com formação nas mais reconhecidas universidades do mundo.

O curioso é que, de acordo com um estudo (Genome Project), com avaliação de mais de 17.000 perfis de profissionais durante 20 anos, publicado no mês de maio de 2018, pela Harvard Business Review, concluiu-se que um diploma de alto nível não garante que alguém seja bom no cargo e, para a surpresa dos pesquisadores, 8% dos CEOs da amostra não haviam concluído a faculdade.

Aqui em nosso país, recentemente, o maior bilionário do Brasil, Jorge Paulo Lemann declarou estar se sentindo um “dinossauro apavorado” pois percebeu que

‘tinha vivido em um mundo aconchegante, de marcas consagradas e grandes volumes, em que quase nada mudava, que podia se concentrar em ser eficiente e tudo ficava bem. E que, de repente, tudo mudou’. Lemann também declarou ‘estar preocupado com os efeitos dos dados e da Inteligência Artificial, mas que o que estava tirando o seu chão e o seu sono eram as mudanças advindas, principalmente, da existência de uma nova gente, habitando esta terra, que tem outros hábitos, vontades e certezas. Uma gente volúvel, permanentemente insatisfeita e que quer novos produtos todos os dias. Estas pessoas são, ao mesmo tempo, clientes, empregados, executivos e parceiros das corporações’.

Então…Vamos incluir agora o FUTURO DO TRABALHO em nossas análises?

A Inteligência Artificial, segundo a McKinsey, nos próximos 20 anos, irá substituir metade da força de trabalho atual. Outras pesquisas estimam um prazo ainda menor, e eu sou um dos que acredita nisto. Os seres humanos irão se concentrar em atividades que exigem criatividade, empatia, intuição, capacidade de resolver problemas complexos e pensamento crítico.

93% da geração dos Millenials deseja continuar aprendendo depois da educação formal e fora do trabalho, se necessário, investindo tempo e recursos próprios. 85% dos jovens americanos acreditam que a criatividade é essencial para as suas carreiras. E está comprovado que esta característica é melhor desenvolvida em ambientes com grande diversidade de perfis de pessoas.

O aumento de banda de internet, a evolução de tecnologias de comunicação unificada e colaboração, incluindo realidade virtual, a quantidade de locais de coworking, estão levando a força de trabalho a migrar para o conceito “work anywhere” ou “anywhere office”.

Segundo uma pesquisa recente da Morar Consulting, com 25.000 empregados, 98% declaram que esta modalidade de trabalho remota é positiva e incentiva a produtividade, levando os líderes das empresas a avaliarem com mais atenção a adoção de estratégias como esta.

A organização “The Work Foundation” prevê que até 2020, 70% dos profissionais estarão trabalhando desta maneira. Pelo lado das empresas, segundo pesquisa da “The Square Foot”, o custo anual de uma estação de trabalho em um escritório, nos EUA varia entre US$ 4.000 e US$ 15.000. No Brasil, facilmente este valor chega a R$ 18.000 anuais. Olhem a economia que este processo pode gerar.

Sob o ponto de vista de estruturas organizacionais, existe uma grande tendência de o modelo de estrutura distribuída substituir os modelos atuais centralizados e descentralizados. Além dos fatores já citados, tecnologias como Blockchain estão permitindo a desintermediação das relações de negócios.

Irá ficar cada vez mais fácil uma pessoa com toda a segurança, contratar serviços e comprar produtos diretamente de outras pessoas. E as transações podem ser remuneradas a partir de cryptomoedas, como o bitcoin, que estão fazendo um grande sucesso.

É de se imaginar que, num futuro próximo, uma pessoa possa ter várias competências e várias profissões. E ser contratada, por demanda por cada uma delas. Um engenheiro civil que ama cozinhar e tocar música, pode monetizar as 3 atividades. E talvez este mesmo profissional, reserve um tempo para se dedicar a aprender marcenaria. E incluir isto no futuro como uma 4ª atividade remunerada.

E depois deste “brainstorming”, com o intuito de vocês raciocinarem comigo, talvez tenhamos a resposta para as questões-chave deste artigo: “Qual a melhor forma de aprender, no meio de tantas alternativas, de tanta informação? Qual me trará maiores benefícios? Qual resultará em maior valorização profissional e pessoal?

No meu conceito, não existe um caminho único para o processo de aprendizagem contínua, na Era do Conhecimento. Recomendo que cada pessoa descubra e construa o seu próprio caminho. E não deixe que os outros o influenciem com preconceitos e menos ainda, julgamentos.

Por isto se você quiser – e puder – vá aprender no MIT, Harvard ou na Singularity. Viaje ao Vale do Silício, Finlândia ou ao Porto Digital (Recife). Ou aprenda on-line com eles. Use muito o Google, TED, YouTube, 12 minutos, Wikipedia, blogs. Ou, quem sabe, frequente bibliotecas, físicas ou virtuais.

O futuro do conhecimento aplicado

Aprenda com outras pessoas! Tenha mentores! Se relacione! Ensine, porque assim você também aprende! Se achar necessário, obtenha certificações e diplomas. Ótimo! Ou não… Apenas absorva o conhecimento e obtenha as competências.

Eu vejo um futuro em que as pessoas serão valorizadas pelas suas competências. É o futuro do conhecimento aplicado, sem julgamentos e nem preconceitos.

E vocês? O que acham?

Caso tenham alguma dúvida, queiram trocar algumas ideias ou ainda, necessitem de algum apoio dentro da minha expertise, deixem seus comentários no artigo/blog ou entre em contato comigo pelos meus canais que será um prazer ajudá-los.

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Renato Grau

Engenheiro Eletrotécnico formado pela Escola de Engenharia Mauá; Especialista em Transformação Digital para o mercado corporativo, com foco no resultado do negócio; Empreendedor há mais de 25 anos apaixonado por Inovação, Tecnologia, Pessoas e Futurismo; Eterno Aprendiz; Autor de artigos e conteúdos que buscam colaborar com a melhoria de nosso mundo; Empresário, Fundador e CEO da Innovision, empresa de tecnologia com 22 anos de mercado; Sócio fundador, Ex-presidente (2012-2015) e membro do Conselho de Administração do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul); Criador do Arranjo Produtivo Local das Empresas de TIC de São Caetano do Sul e Região; Ex-Membro do COMDEC (Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico) de São Caetano do Sul em 2013-2016

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