Negócios

Empreender é um exercício de humildade

Todo mundo deveria empreender um dia. Empreender internamente, no ambiente de trabalho, já é legal, mas de forma individual, nossa!, aí as coisas ganham uma intensidade que traz para meses o aprendizado que, pelos livros, poderia levar anos para absorvermos.

Se você já sabe tudo sobre modelo ágil, startup enxuta, MVP, pivotagem, escalonagem de negócios e unicórnios, talvez você pense que já está preparado para empreender. E talvez esteja, tecnicamente. Mas é na parte comportamental que o bicho pega! E isso a gente só aprende na prática.

Preparação para empreender

Claro que é essencial estar preparado para todos os ciclos do empreendedorismo. E sim, estudar modelos de negócio, criar um MVP, pivotar, escalar e todo o resto, é extremamente importante. Isso é base, é conhecimento, é mitigar riscos.

E, ainda assim, com todo o conhecimento do mundo, empreender segue sendo um salto no escuro. Um pulo de muita coragem, esperando que a gente consiga voar.  E que, se as asas não funcionarem, teremos uma rede de segurança lá embaixo, para que as feridas da queda sejam facilmente tratadas.

O que ninguém conta é que existe um desenvolvimento cultural fundamental necessário para quem se arrisca nessa vida. E, por mais que hoje as pessoas estejam indo atrás de autoconhecimento, evolução e conexão espiritual (não a religiosa!), o grande exercício fica mesmo no quanto o empreendedor está disposto a se mostrar vulnerável.

Temos medo da vulnerabilidade

Normalmente, aliamos seu conceito a fraqueza, fragilidade e insegurança. Afinal, o próprio dicionário segue essa mesma linha. Mas eu gosto de olhar pra essa palavra com outra lente, entendendo que estar vulnerável é apenas mostrar ao outro que precisamos – e queremos – ajuda!

Gosto de pensar em vulnerabilidade como humildade, ou compreensão de que não sabemos de tudo e entender que, em algum nível, feedbacks e críticas sempre podem contribuir para o nosso crescimento.

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Gosto de pensar em vulnerabilidade como humildade (Crédito: Shutterstock)

Quem vem do modelo CLT de trabalhar está acostumado a departamentalização das funções. Tem os gestores, que tomam decisões. Tem a equipe operacional, que faz a coisa acontecer.  Tem a equipe de comunicação, que domina redes sociais, mídia e segmentação.

Tem a tia do café e a tia da limpeza, que cuidam da gente com carinho. Tem a secretária, que agenda as reuniões e anota recados. Enfim, numa empresa consolidada, com funcionários contratados, as funções são definidas e cada um conhece o que e como deve fazer.

A realidade quando empreendemos é bem diferente

Numa startup, você é o presidente, o colega e a equipe. Tudo ao mesmo tempo. Aí você pensa: “ok, preciso ser rápido, pois afinal, tenho que realizar todas as funções!”. Só que você não consegue ser rápido, pois você não sabe como executar todas as funções. E aí você precisa de ajuda, e de tempo, e de testes. Muitos testes.

Ou seja, é o aprendizado na prática e na marra! E é nessa hora que sua postura bacana, colaborativa e gentil nos tempos de CLT ajuda muito. Se você sempre botou a mão na massa e olhou pro colega do lado com amor e solidariedade, não deve sofrer tanto no momento de empreender.

E é também nessa hora que entra aquela rede maravilhosa de pessoas, profissionais e amigos que você desenvolveu e nutriu com tanto carinho. São eles que te ajudam a abrir as asas, ou a te segurar lá embaixo.

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Empreender desenvolve nossa cabeça e nosso coração (Crédito: Shutterstock)

Sem o chão, mas também sem o teto

Tem uma frase do Tiago Mattos, futurista e fundador da Aerolito, que gosto muito:

Quando você empreende, você perde o chão. Mas também perde o teto. – Tiago Mattos

As possibilidades são infinitas, e o aprendizado também. Empreender desenvolve nossa cabeça e nosso coração (as vezes até o físico). É a exposição máxima das tuas capacidades, sem escudos ou blindagens. Enfim, é nudez total!

E é justamente por isso que empreender é um exercício de humildade. Humildade para se colocar como protagonista da sua vida, assumindo a responsabilidade pelos erros e pelos acertos.

Humildade para pedir ajuda e criar uma rede de suporte, que envolve família e amigos. Humildade para aceitar suas falhas, entender suas limitações e pedir desculpas pelos erros. E humildade para aceitar os elogios com amor e não com o ego.

Com toda a certeza, empreender é assustador. Mas, garanto, é também delicioso.

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Roberta Ramos

Jornalista, curiosa e filósofa de boteco

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