Cultura

Elon Musk, o magnata pop star

Ao lançar para o espaço o foguete Falcon Heavy e disparar em direção a Marte o seu Tesla Roadster de estimação, o magnata pop star Elon Musk voltou a atrair os holofotes do mundo e aumentou ainda mais a sua popularidade.

Muitos encararam o evento, ocorrido no último dia 6 de fevereiro, como um acontecimento histórico, com celebração em nível de Copa do Mundo. Outros acharam que mandar um veículo flutuando no espaço algo desnecessário, fútil e até sem propósito.

E é assim, entre críticas e aplausos, que o CEO da Tesla vem se tornado um dos principais super-heróis da vida real para os entusiastas da ciência, da astronomia e da cultura nerd.

Tony Stark da vida real

Musk é um daqueles caras que provavelmente já garantiram seu nome nos livros de história a serem publicados daqui a algumas centenas de anos. Seu trabalho como empreendedor frente a empresas como Tesla, SpaceX, Hyperloop, Open AI e Solar City são constantemente mencionados como exemplos de iniciativas que estão mudando o mundo.

Tamanha popularidade lhe rendeu o título de “Tony Stark da vida real”, devido à semelhança da sua relevância social com a do personagem que veste a armadura do Homem de Ferro. Na verdade, o que pouca gente sabe é que o personagem interpretado por Robert Downey Jr. nos cinemas é quem foi inspirado em Musk.

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O personagem interpretado por Robert Downey Jr. foi inspirado em Musk (Crédito: CNBC)

Apesar de ter surgido nas histórias em quadrinhos em 1963, o personagem criado por Stan Lee tornou-se ainda mais conhecido e admirado pelo público graças à versão dos cinemas que estreou em 2008. Não por acaso, o próprio Musk faz uma ponta no filme Homem de Ferro 2 (2010), mostrando que, como ator, ele é um ótimo empresário.

O rótulo de empresário pop star pode até incomodar algumas pessoas. Há quem diga que ele está mais para Lex Luthor do que para Tony Stark. Mas a verdade é que ele conseguiu uma façanha incrível nesses seus 46 anos, que foi ser bilionário e amado por grande parte da população e da imprensa ao mesmo tempo. São poucos que conseguem essas duas coisas.

E talvez a maior contribuição do sul-africano para a humanidade seja justamente essa sua popularidade e a capacidade de se tornar um “super-herói da vida real”.

Um cientista pop star

Muitos jovens se inspiram em ícones inalcançáveis, que mais parecem ser entidades super-humanas, sejam estes super-heróis, astros da música, atletas ou artistas. Infelizmente, são poucos que conseguem trazer a ciência e o empreendedorismo a esse patamar. É muito raro ver um cientista pop star.

Com caras como Musk distribuindo autógrafos por fazer o que ele faz, começamos a repensar esse cenário. É bem provável que, nesse exato momento, tenha alguém decidindo empreender no ramo da programação, da exploração espacial ou da energia sustentável por se inspirar num sujeito que nasceu na África do Sul e hoje é comparado com o Homem de Ferro.

E esse tipo de pessoa, que se inspira em caras como Musk, certamente terão que ralar muito e fazer um bem enorme para o planeta se quiserem chegar onde ele chegou.

Pode até parecer apologia às idolatrias e ao alpinismo social, mas parece menos catastrófico do que uma geração de jovens que se inspira somente em youtubers, futebolistas ou cantores pop.

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É muito raro ver um “cientista pop star” (Crédito: The Star)

Disparar um foguete com um automóvel em direção ao espaço ou projetar a colonização de Marte pode, why not, ser mais sexy do que marcar um gol na final da Champions League ou dar um mosh no Rock in Rio.

O esporte, a música e o cinema conseguiram ter a popularidade que possuem hoje pela facilidade de fabricar ídolos. O surgimento de celebridades nesses segmentos é proporcional ao número de jovens que querem ser boleiros, músicos ou atores quando crescerem.

Nesse caso, que mal tem pendurar um pôster do Elon Musk, do Neil deGrasse Tyson ou do Jacque Fresco na parede do quarto?

Talvez seja um atalho para colonizarmos um futuro melhor onde as próprias idolatrias percam seu sentido, algo que parece muito distante nesse nosso mundo em que celebridades são fabricadas, embaladas e comercializadas.

Se mais pessoas se inspirarem a seguir os passos de Elon Musk e outros bacanudos desse calibre, é provável que tenhamos não somente um Homem de Ferro da vida real, mas toda a equipe dos Vingadores.

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Bruno Seidel

É fã de super-heróis japoneses, quadrinista nas horas vagas e entusiasta de futurismo. É sócio-fundador do Zoonk (zoonk.org). Trabalha como profissional de Criação na Assessoria de Comunicação e Marketing da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

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