Negócios

Economia compartilhada e o futuro do trabalho

No passado já foi dito que se todos os habitantes do planeta fossem adquirir um padrão de consumo visto nas economias desenvolvidas, iríamos necessitar de alguns planetas adicionais para satisfazer a demanda por recursos. Nos últimos anos foi concebida a ideia de economia compartilhada ou também economia sob demanda, nos quais os recursos (a capacidade profissional das pessoas, insumos, capital para investimento e ferramentas de trabalho) podem ser compartilhados de modo a gerar economias de escala e evitar desperdícios por ociosidade e ineficiências em sua alocação.

Economia compartilhada

A pujança das startups baseadas na lógica da economia das plataformas funciona com o mesmo princípio, em que, como “marketplaces”, fazem a ponte entre quem oferece o serviço e quem o utiliza.

O problema de ociosidade em algum setor da economia é decorrente da capacidade ofertada ser superior à demanda, e o preço geralmente é a ferramenta que regula o ponto de equilíbrio entre ambos.

Problemas de ineficiência gerados por falhas na alocação dos recursos, vejo que em parte poderiam ser resolvidos se houvessem processos automatizados ou semi-automatizados, como um grande “marketplace”, que estimulassem a precificação e alocação dinâmica destes recursos. Por exemplo, já existem startups com essa proposta visando ao transporte de carga rodoviária.

O grande problema que vejo é o desafio da reeducação massiva que centenas de milhões de pessoas terão de passar, de modo a readquirir habilidades que possam ser bem remuneradas num mundo onde a inteligência artificial é a nova eletricidade, pervasiva em seu alcance e que tarefas repetitivas passarão a ser automatizadas e o trabalho manual tenderá a ser cada vez mais raro, sendo utilizado apenas de modo a documentar um processo e/ou de modo a ganhar algum insight para que possa ser quebrado em tarefas menores e enfim ser automatizado no futuro.

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O grande problema que vejo é o desafio da reeducação massiva (Crédito: Shutterstock)

Habilidades como imaginação, criatividade, pensamento algorítmico e sistêmico tenderão a ganhar cada vez mais espaço, sendo que em um mundo cada vez mais complexo e interconectado, as pessoas precisarão também de um tempo para si mesmas, para desconectarem e refletirem em suas trajetórias, propósito e legado.

O futuro do trabalho

Um mundo futuro rodeado por robótica e sistemas automatizados tenderá a valorizar habilidades que nos diferenciam como seres humanos, como a empatia, diplomacia, capacidade de liderança e de trabalho em equipes diversas, formadas por pessoas de múltiplas culturas e que muitas vezes estarão espalhadas pelo planeta.

Conhecimentos oriundos das Ciências Humanas e Biológicas aplicados à Gestão como Filosofia, Antropologia, Psicologia, Economia Comportamental, Neurociência aplicada à Tomada de Decisão serão diferenciais competitivos para os profissionais que desejam se destacar em um mundo, em que a previsão de comportamentos e tendências por meio da análise de dados e metodologias de Big Data, somados ao foco no Design da Experiência centrada no consumidor e/ou usuário do produto/serviço serão tidos como o novo “normal” e que a inovação pela disrupção e melhoria contínua não será opcional e sim a norma.

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Renato Azevedo Sant'Anna

Renato Azevedo Sant'Anna tem 35 anos, trabalha atualmente como Estrategista Digital / Consultor de Insights & Data Intelligence. Graduado em Engenharia da Computação e MBA Analytics em Big Data pela FIA e MBA em Marketing pela FGV. Tem experiência com Inteligência de Negócios em canais digitais desde 2011.

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