Cultura

O que é Cultura Digital?

Você sabe o que é Cultura Digital? As primeiras ondas da Quarta Revolução Industrial fizeram com que nossa atenção ficasse voltada para os sinais de mudança no mundo. Os últimos anos foram momentos de despertar para uma nova realidade. Nos centros de discussão avançada, o tema humano vem ganhando força. Tecnologia versus Humanidade ou Humanidade através da Tecnologia? Temos que olhar para o todo não apenas para um ou outro. 

Notoriamente, a Lei de Moore, a Computação Quântica e a Inteligência Artificial vêm ditando a velocidade de mudança do mundo. Nossa mente não é exponencial e as questões essenciais da raça humana não serão resolvidas pela tecnologia. Ela apenas facilita a retomada saudável de um planeta doente, que precisa em longo prazo se reencontrar com uma espécie mais evoluída de humanos. 

Nas discussões corporativas, os termos 4.0 e digital tomam um espaço importante. Modismos à parte, estamos na era da Transformação Digital, a primeira das grandes transformações dos negócios, segundo o futurista Gerd Leonhard. 

Uma pesquisa da Capgemini, realizada com 342 empresas de 8 países, mostrou que cultura é a grande barreira para a Transformação Digital dos negócios.

O que é Cultura Digital? 

Digital vai além da antiga TI, de plataformas, clouds e apps. Significa um novo estado de pensar, ser e agir no ambiente de trabalho. A complexidade atual, a volatilidade, a ambiguidade e a incerteza passaram a ser o dia a dia de todos nós em diferentes ambientes corporativos. Ser digital é explorar novas fronteiras, quebrar paradigmas, encarar desafios, errar para aprender e olhar o mundo e os negócios por um novo ângulo. 

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Ser digital é explorar novas fronteiras (Crédito: Unsplash)

É importante lembrar ou esclarecer alguns conceitos: 

  • Transformação Digital – é um processo no qual as empresas fazem uso da tecnologia para melhorar o desempenho, aumentar o alcance e garantir resultados melhores. É uma mudança estrutural nas organizações, dando um papel essencial para a tecnologia;
  • Cultura – significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro;
  • Cultura Organizacional – é uma expressão muito comum no contexto empresarial que significa o conjunto de valores, crenças, rituais e normas adotadas por uma determinada organização. 

Parece óbvio, mas as pesquisas de campo da W Futurismo mostram que os conceitos se distorcem durante a prática cotidiana, e pelo menos 50% das pessoas com quem estivemos em 2017 e neste início de 2018 acusam não saber claramente quando o assunto é abstrato ou novo no mercado.

Por que a Cultura Digital é tão importante em nossa época? 

Uma recente pesquisa da Capgemini com o consultor Brian Sollis, em empresas que se anunciam digitais ou que estão com a Transformação Digital em andamento, mostrou a imensa lacuna entre os líderes e empregados, que não veem a cultura de sua empresa como digital: enquanto 40% dos executivos do alto escalão acreditam que seus negócios já dispõem de uma cultura digital, apenas 27% dos empregados entrevistados concordaram com essa afirmação.

Essa lacuna sempre existiu entre a estratégia e a operação. Se a operação devorava a estratégia no café da manhã, agora talvez seja a tecnologia e a pressa que o façam. Precisamos ser estrategistas digitais não tecnologistas modernos apenas.

Executivos seniores não comunicam a visão digital de forma clara para a empresa. Além disso, há uma ausência de modelos digitais e de KPIs alinhados aos objetivos de transformação digital.

As tecnologias digitais podem trazer um novo valor significativo, mas as organizações só conseguirão desbloquear esse potencial e alcançar a sustentabilidade se tiverem uma cultura digital correta, inserida e implementada. – Cyril Garcia (líder do Grupo Capgemini)

A pesquisa ainda mostra que inovação não é uma realidade, que colaboradores discordam fortemente de que seus líderes tenham mesmo uma visão digital capaz de comandar a transformação. 

Sem estratégia, criação da cultura digital e comunicação clara, este pode ser o resultado a curto prazo. Errar é permitido, mas erros dramáticos desperdiçam tempo, recursos e energia.

Características da Cultura Digital (Fonte: McKinsey) 

  • Ambiente composto por indivíduos de alta performance, responsáveis e e autoguiados;
  • Equipes extraordinárias e positivamente integradas;
  • Disciplina em alto nível;
  • Capacidade de mover-se rapidamente;
  • Forte estratégia digital;
  • Alta capacidade de execução;
  • Talentos e campeões digitais;
  • Foco no longo prazo;
  • Pessoas com paixão pelo risco.

Como podemos quebrar as barreiras culturais no ambiente de negócios: 

  • O suporte para a mudança precisa vir do Topo: Chief Digital Officer;
  • O workflow precisa ser reinventado na digitalização do negócio;
  • Os líderes precisam ser coaches exponenciais não gestores;
  • O grupo que trabalha na mudança precisa ter uma visão clara das oportunidades digitais;
  • O grupo de gestão precisa ter credibilidade junto aos colaboradores;
  • O controle e a média gerência precisam ser eliminados e as equipes trabalham com autonomia;
  • É essencial remover silos e departamentos, e todos cuidam do projeto do início ao fim.

A Cultura do Brasil

O foco da discussão sobre inovação está apontado excessivamente na tecnologia. A grande atenção das empresas tradicionais ainda está em metas e em pressões feitas pelos acionistas, e os CEOs precisam confrontar este modelo.

Os debates de inovação são fragmentados, gerando um atraso na tomada de consciência e na decisão de onde colocar o foco e o investimento. As empresas ainda não escutam suas pessoas. Muitas vezes os colaboradores estão mais prontos para as iniciativas de inovação dos que os executivos da diretoria, que têm tomado decisões com base no medo pós-crise.

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Os debates de inovação são fragmentados no Brasil (Crédito: Shutterstock)

O mundo já luta com uma espada de Luz e continuamos insistindo na espada de pau. Entre uma maioria de mindset obsoleto alguns se destacam pela visão de futuro, mas ainda de forma rasa como agentes de mudança. Há uma apressada mistura do antigo com o novo sem a devida adaptação cultural.

Os cases em andamento vêm apresentando conflitos nocivos para a manutenção o ambiente de negócios e o progresso da inovação. As pílulas de conhecimento são dispersas,  tendenciosas e em excesso, o que afeta negativamento o aprendizado humano tão definitivo para a nova era.

“Gestores que não viraram líderes ainda poderão se tornar inovadores digitais?”

Não temos mais tempo para cuidar do que não fizemos nos últimos dez anos. Muito já se falou de liderança estratégica, hábil na influência de pessoas, em áreas de RH tornarem-se áreas de negócio e em criar equipes de trabalho autônomas. Poucos deram ao assunto a importância devida.

Quem trabalhou na transformação, fez a lição de casa; quem adiou, precisa acelerar seu desenvolvimento. Os novos colaboradores não se submetem mais a líderes operacionais falhos no relacionamento interpessoal, nem a segredos estratégicos que limitam a atuação e a visão do grupo que precisa fazer as entregas.

Como faremos a mudança?

Áreas de RH são catalisadoras desse movimento, mas a maioria ainda desconhece os formatos e o mindset digital. Executivos precisam assumir essa posição, e se não souberem como,  precisam abrir espaço para quem sabe, sem delegar a tarefa e sim trabalhar de forma cooperada.

Algumas empresas dão carta branca a equipes de inovação sem manter uma malha básica como teia e pano de fundo. Altíssimo risco, e é possível que a iniciativa não se sustente ou que o ambiente fique tão conflitante que inovar se torne insustentável.

Precisamos educar a alta gerência e os atores influentes das empresas, discutir a remodelagem do negócio com base no que pode ser não no que já foi. Precisamos construir juntos o novo mindset, preparar os líderes da mudança e guiá-los na condução de estratégias digitais e exponenciais.

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Precisamos construir juntos o novo mindset (Crédito: Shutterstock)

Os projetos precisam estar alinhados com um propósito, obrigatório a partir de agora para empresas de qualquer tamanho, e cada ação deve ir compondo a nova cultura digital como a montagem de um grande quebra cabeça.

Educação aliada a experiências de aprendizado e desenvolvimento podem demorar um pouco mais do que labs avulsos, mas se mostram mais sólidos a médio prazo. Empresas com foco no longo prazo faturam e empregam mais que as empresas com foco no curto prazo.

Em um primeiro momento, talvez tenhamos que criar uma cultura híbrida. Em um segundo momento podemos empoderar mais os inovadores que os operadores do negócio, e com o tempo, podemos ter criado uma comunidade de talentos digitais capazes de fazer com que a nova cultura seja mais forte que a vigente até agora.

E assim, vamos nos reinventando a cada etapa e aprendendo com os desafios desta que promete ser a maior transformação do mundo corporativo. 


Conheça a W Futurismo e a W Future School.

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Jaqueline Weigel

Futurista, Humanista, Estrategista de Inovação, Instrutora de Liderança Exponencial e CEO da W Futurismo.

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