corrida espacial
Ciência

Afinal, quem ganhou a corrida espacial?

Em 1957, a humanidade assistiu ao lançamento do primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik

Em 4 de outubro de 1957, a humanidade assistiu, com espanto e entusiasmo, ao lançamento do primeiro satélite artificial do mundo, pela União Soviética: o Sputnik. Na época, provavelmente ninguém imaginaria que uma pequena bola metálica, com menos de 60cm de diâmetro, seria responsável por desencadear uma corrida espacial entre os EUA e a URSS, que duraria nada menos que 18 anos.

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O lançamento do Sputnik pela URSS, em outubro de 1957

E, certamente, poucos imaginariam que o lançamento iria mudar o mundo como o conhecemos.

O início da corrida

Não querendo ficar atrás da URSS, o presidente Dwight D. Eisenhower deu ordem à Marinha para desenvolver um satélite o mais rápido possível. A urgência conduziu ao fracasso do projeto: em 6 de dezembro de 1957, o mundo assistiu à transmissão do lançamento do satélite Vanguard TV3, que despencou no solo dois segundos depois.

O fracasso do Vanguard foi um constrangimento sem igual para os EUA. Apesar do fracasso da Marinha norte-americana, o Exército estava trabalhando em um projeto paralelo, The Explorer, que foi lançado com êxito em janeiro de 1958.

O primeiro homem no espaço

Apesar do lançamento do The Explorer, os EUA foram novamente ultrapassados pela URSS em 1961. Em abril daquele ano, Yuri Gagarin veio a ser o primeiro homem no espaço:

Para o presidente Kennedy, ficar em segundo lugar não era uma opção. Contentar-se em acompanhar os avanços soviéticos, meses depois, não era suficiente. O desespero dos EUA era claro. Algo deveria ser feito o quanto antes.

Em maio de 1961, um mês depois do voo de Gagarin, os norte-americanos anunciaram o seu objetivo: pôr um homem na lua no final dos anos 60. Mas foi o discurso do Presidente Kennedy, em 12 de setembro de 1962, que viria a ser uma das mensagens mais impactantes veiculadas até os dias de hoje:

Em fevereiro de 1962, os EUA colocaram o primeiro astronauta em órbita, John Glenn, embora quase um ano depois de ter o russo Gagarin alcançado a mesma meta.

O primeiro homem na Lua

Com o programa Apollo, os EUAs finalmente conseguiram atingir seu objetivo. Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong deu o famoso primeiro passo na Lua:

A esse ponto, a corrida espacial estava mais competitiva do que nunca, e os dois países estavam direcionando todas suas energias para as estações em órbita. Por quanto mais tempo iria continuar a competição entre EUA e URSS?

A verdade é que nunca saberemos. Mas, graças às negociações do primeiro-ministro soviético, Leonid Brejnev, e do presidente dos EUA, Richard Nixon, adotou-se uma política de cooperação ao invés de competição entres os países.

A negociação conduziu ao encerramento da corrida espacial em 1975, sendo marcada pela missão conjunta Apollo-Soyuz, quando uma nave espacial norte-americana (Apollo) acoplou a uma nave soviética (Soyuz). As duas tripulações encontraram-se, apertaram as mãos e trocaram presentes. A corrida espacial estava terminada.

Mas, afinal, quem ganhou a corrida espacial? Qual foi o objetivo da disputa entre EUA e a URSS? É realmente difícil dizer. Terá a corrida espacial disputada entre os dois países sido apenas uma grande perda de tempo e dinheiro? Os recursos não poderiam ter sido despendidos para outras finalidades? Bem, de certa forma, sim.

Os benefícios da corrida espacial

Mas os maiores benefícios do programa espacial não cessaram em 1975. Como lembra Jeff Steers, no TED-Ed Who won the space race?, os maiores benefícios da corrida espacial podem ser vistos até hoje:

1. Durante a corrida ao espaço, o financiamento para investigação e formação aumentou drasticamente;

2. Muitos avanços científicos não teriam acontecido de outra forma, senão fosse a corrida espacial;

3. Tecnologias como alimentos liofilizados e tratamento de câncer por LEDs provavelmente não existiriam hoje se a NASA não as tivesse desenvolvido para o espaço;

4. Os satélites de que dependemos para os sinais de GPS não existiriam sem o programa espacial;

5. Da mesma forma, os smartphones provavelmente não existiriam sem o programa espacial;

As recompensas da investigação científica e do progresso são geralmente muito mais amplas do que muitos imaginam. Que benefícios a corrida espacial do século XXI, travada entre players como EUA, Rússia, Emirados Árabes Unidos e China, poderá nos proporcionar no futuro?

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Redação do Futuro Exponencial

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