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Cultura

Como me tornei um maker

Ser maker é sair da zona de conforto e decidir entrar de cabeça em um novo universo

Como me tornei um maker? Tudo começou quando eu e minha namorada decidimos alugar um apartamento. Era Abril de 2009 quando nos mudamos pra lá. Saímos da casa dos nossos pais somente com nossas roupas.

Nunca havíamos calculado quanto gastaríamos para comprar armários de cozinha, guarda roupas, cama, mesa, cadeiras, sofás, luminárias, etc.

Quando iniciamos a procura pelo mobiliário da casa nova percebemos que comprá-los seria impossível para um arquiteto recém-formado e uma farmacêutica cursando o doutorado. Ou teríamos que nos submeter a móveis de péssima qualidade, mau acabamento e design sinistro para conseguir pagar com a grana que tínhamos.

Foi então que decidimos projetar e executar os móveis com nossas próprias mãos. É evidente que, como arquiteto e apaixonado por design, já tinha a manha do projeto, mas colocar a mão na massa e produzir os móveis era um desfio e tanto.

Sem ferramentas e sem um espaço para montagem do mobiliário, tivemos inúmeros desafios de projeto e de execução. Por exemplo, o guarda roupas tinha que ter rodas e ter 2,05m de altura para poder passar por baixo das portas, já que a montagem seria na sala em função do espaço.

Todas as peças deveriam ser pensadas de maneira que fossem cortadas nas empresas que vendem os MDFs e de preferencia que coubessem no carro para evitar os fretes. O desenho deveria ser simples o bastante para facilitar a montagem e baratear o custo, portanto não teria porta nem gavetas.

No lugar das portas colocamos persianas, destas que se compram prontas, assim a largura do roupeiro ficou na medida da maior persiana que encontramos no mercado. Decidimos então fazer 2 roupeiros pequenos, de aproximadamente 127cm. Assim nasceu o roupeiro window! O projeto inicial ficou assim:

maker 01

Pensamos que por ter persianas e parecer uma janela, poderíamos adesivar a parte interna com imagens de áreas externas, como uma cidade, uma floresta, o céu e a água.

Mas quando iniciamos a montagem do protótipo (que já seria nosso guarda-roupas definitivo) vimos que pintar e adesivar tudo ficaria caro e gastaríamos um pouco mais. Então foi assim que ficou nosso primeiro guarda roupas, que nos acompanhou por 6 anos e meio.

maker 02

Cada um custou, em 2009, o valor de R$ 350,00, já com as rodas, persianas e parafusos. Claro que neste valor não está incluso nossas primeiras ferramentas: uma parafusadeira, chaves de fenda Philips, serrote, martelo, alicate e uma caixa de ferramentas.

Levamos um dia inteiro montando os dois armários, mas economizamos cerca de R$ 4.000,00 na brincadeira. Fora que ter algo feito pelas nossas próprias mãos nos deu uma satisfação tão grande que começamos a projetar o resto dos móveis do apartamento.

O espírito maker

Naquele dia saímos da nossa zona de conforto e decidimos entrar de cabeça no universo Maker. Começamos a ler bastante sobre o assunto, pesquisar ferramentas, ver tutorias DIY (Do It Yourself = Faça Você Mesmo), sites, blogs, etc.

Percebemos a importância de projetar e fabricar nossas próprias necessidades, deixando de lado todo o consumismo desenfreado desta era. E, daquele momento em diante, antes de comprar qualquer coisa, sempre nos perguntamos se realmente necessitamos daquilo e se tem alguma fazermos com nossas próprias mãos.

Acredito que este seja o espírito do Maker.

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Arquiteto e maker, sócio-gestor do Galpão Makers, cofundador da Machina Fabricação Digital e cofundador da Hands On Oficinas.

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