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Cultura

Você lembra como era ir ao cinema em 2000?

Olhar em retrospectiva nos ajuda a perceber o impacto da tecnologia digital em nossas vidas

A tecnologia digital é tão onipresente em nosso cotidiano que, muitas vezes, só conseguimos perceber seu impacto em nossas vidas quando olhamos em retrospectiva, comparando os tempos passados com os dias atuais. Experiências como ir ao cinema e agendar encontros com amigos se transformaram completamente nos últimos anos.

Talvez o aspecto mais curioso do período em que estamos vivendo seja justamente o fato de não darmos conta do quanto nossas vidas foram – e continuam sendo – transformadas pelos avanços tecnológicos.

Por isso, a proposta de hoje é convidar você, leitor, para um rápido tour mental: Você lembra de como era ir ao cinema no ano de 2000? O exercício comparativo – sobretudo entre décadas – não apenas nos auxilia a prever o ritmo da mudança, mas nos traz novas perspectivas para que possamos nos preparar melhor para o futuro.

Uma ida ao cinema em 2000

Retroceda ao ano de 2000 e tente relembrar uma noite fora com os amigos. É domingo à noite e você, entendiado em casa, decide convidá-los para ir ao cinema.

Tente lembrar de que forma era possível saber quais filmes estavam em cartaz. Tente também recordar como você contatava seus amigos para ir à sessão. Tente, em suma, rememorar qual era o “procedimento” usual para fazer isso.

Feche os olhos por uns instantes e pense em tudo isso.

(…)

Conseguiu lembrar?

Caso não se recorde, não há problema! O expert em inovação Jeremy Gutsche, em seu livro Better and Faster (2015), nos ajuda a recordar como era:

Para escolher um filme naquele primeiro ano do novo milênio, você provavelmente reviraria sua pilha de jornais para encontrar os últimos lançamentos. Talvez escolhesse X-Men, mas ao perceber que seu jornal era de dias atrás, teria que verificar a programação. Por telefone! Se por acaso você tivesse um celular, isso não ajudaria. No ano 2000, havia poucos smartphones, e as opções de programação de cinema na internet eram limitadas. Você literalmente teria que ligar para o número do cinema, ouvir pacientemente todos os anúncios antes de confirmar o horário do filme e depois desligar e telefonar para seus amigos. Muitos deles provavelmente sequer teriam celulares, então você talvez tivesse que deixar mensagens em suas secretárias eletrônicas. Por fim, você teria que entrar em seu carro e ir para o cinema. Como isso está acontecendo antes da popularização do GPS, você teria que saber onde estava indo e, por mais estranho que isso possa parecer, na época poucas pessoas usavam regularmente mapas impressos. Quando você finalmente chegasse, descobriria, para seu desânimo, que os ingressos estavam esgotados. Você precisaria então de um plano alternativo, que poderia incluir uma ida ao shopping mais próximo para comprar tênis e comer alguma coisa. – Jeremy Gutsche

Uma ida ao cinema em 2010

Retroceda agora ao ano de 2010 e tente novamente lembrar uma noite fora com os amigos. É domingo à noite e você decide convidá-los para ir ao cinema.

Feche os olhos por mais uns instantes e reflita.

(…)

Tudo nessa noite mudou, não é mesmo?

Jeremy Gutsche nos ajuda a lembrar mais uma vez:

Em 2010, se você quisesse ver um filme com esses mesmos amigos, poderia escolher A rede social, sobre os fundadores do Facebook. Você poderia decidir economizar alguns dólares vendo o filme em streaming, em casa, mas se quisesse encontrar seus amigos pessoalmente, poderia enviar e-mails para eles, ou uma mensagem de texto pelo celular ou usar o próprio Facebook para se comunicar. Enquanto esperava as respostas, você poderia usar o mesmo smartphone para fazer uma pesquisa sobre o filme. Por exemplo, você poderia usar seu aplicativo de filmes favorito para ver o trailer de A rede social e chegar as avaliações dos internautas. (E quando você tivesse analisado o que veria, seus amigos poderiam já ter respondido com um emoticon de carinha feliz.) Você teria então a opção de comprar os ingressos antecipadamente e poderia usar o GPS para achar o cinema. Se tivesse feito a compra antecipadamente, chegaria com o ingresso garantido e não precisaria esperar na fila nem se arriscar a sentar numa poltrona horrível. Você poderia, então, dar um bom uso a esses minutos extras – por exemplo, encontrando o Starbucks mais próximo ou lugares para fazer compras. Tudo pelo seu smartphone. – Jeremy Gutsche

Uma década, inúmeras mudanças

Esse rápido exercício de recordação nos permite constatar o quanto nossa vida mudou em apenas uma década, diante dos avanços da tecnologia digital.

Quando lembramos de como era ir ao cinema em 2000, pensar que era preciso pesquisar em jornais os filmes que estavam em cartaz – ou mesmo ligar para o cinema para ter acesso a essas informações – parece algo pré-histórico. Esse é o poder da mudança.

A experiência de ir ao cinema se transformou completamente em apenas uma década, e inúmeras outras atividades estão sofrendo profundas mudanças, como lembra Gutsche:

A era dos filmes tradicionais, dos telefones fixos, dos telefones celulares não muito inteligentes, dos catálogos telefônicos, dos jornais impressos e dos mapas de papel foi ofuscada por smartphones, mensagens de texto, avaliações de espetáculos por comunicados da internet, compras online e videogames sociais. – Jeremy Gutsche

Uma ida ao cinema em 2020

No futuro, será que os filmes serão reproduzidos nos cinemas com headsets de Realidade Virtual para aumentar a imersão? Será que nas sessões de cinema serão reproduzidos objetos em Realidade Aumentada ou Realista Mista, possibilitando que os telespectadores interajam com a história?

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Ou será que as pessoas nem precisarão ir ao cinema, pois assistirão os filmes em seus próprios home theaters pessoais?

Tente imaginar como será ir ao cinema com seus amigos em 2020.

Feche os olhos por mais alguns instantes…

(…)

Imaginou?

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Redação do Futuro Exponencial

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