Tecnologia

Cientista desenvolve vasos sanguíneos com impressão 3D para crianças doentes

A impressão 3D tem dado o que falar ultimamente. As máquinas atuais são capazes de manufaturar com precisão objetos complexos com grande velocidade. O rápido processo de prototipagem permite que sejam impressas dezenas de variações de um projeto, a custo reduzido, camada por camada, e com uma precisão impressionante.

Desde que foi introduzida, a impressão 3D vem conquistando espaço em diversos setores da indústria. No ramo da construção civil, a tecnologia esteve presente na fundação do Building Technologies, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos – o primeiro edifício de escritórios do mundo construído por uma impressora 3D.

A impressão 3D também vem sendo usada na indústria alimentícia. Localizado na cidade de Londres, o Food Ink é o primeiro espaço a servir exclusivamente pratos fabricados digitalmente. Toda a comida oferecida é confeccionada a partir de uma projeção no computador, sendo então impressa e cozida em três dimensões.

Mas, ao que tudo indica, é na medicina que a impressão 3D promoverá os avanços mais surpreendentes nos próximos anos.

Impressão 3D na medicina

A comunidade médica está se preparando para incorporar cada vez mais a impressão 3D em seus procedimentos.

Em abril de 2017, o National Institutes of Health (NIH) concedeu um subsídio de US$ 211.000,00 à Universidade do Texas, em Arlington, com objetivo de financiar o desenvolvimento de materiais impressos em 3D e criação de novos vasos sanguíneos para crianças com defeitos vasculares.

O projeto será conduzido pelo cientista e engenheiro Yi Hong, que vem se dedicando a combater os defeitos vasculares em crianças e está confiante de que poderá alcançar grandes resultados com o aporte financeiro do NIH.

impressão 3D cientista hong
O engenheiro Yi Hong, da Universidade do Texas, em Arlington

Hong recebeu seu doutorado pela Universidade de Zhejiang em 2005. Ele também obteve mais de US$ 850.000,00 de subsídio para conduzir suas pesquisas. O estudo atual do cientista é particularmente importante porque busca desenvolver tratamentos para defeitos vasculares em crianças, que, se comparada aos adultos, são mais difíceis de tratar.

Há grandes possibilidades desta pesquisa, que é um amplo olhar para a possibilidade de engenharia de tecidos de um vaso sanguíneo – Yi Hong

Anomalidades vasculares

Existem muitos tipos de anormalidades vasculares que afetam as crianças. Os aneurismas são bolsas que se formam a partir da dilatação anormal de um vaso sanguíneo. Eles podem se romper a qualquer instante, causando hemorragia.

Outra anormalidade é a doença cerebrovascular oclusiva crônica (moyamoya), que acomete as artérias do sistema nervoso central, provocando tromboses e hemorragias, bem como bloqueando o fluxo sanguíneo para o cérebro.

Estas enfermidades – que causam sintomas como dores de cabeça, convulsões e até mesmo coma – poderiam ser reduzidas conforme os avanços da pesquisa. Os vasos sanguíneos impressos também poderiam reduzir o risco de trombose em comparação com o que os enxertos tradicionais.

Embora ambicioso, o projeto tem grande potencial

Yi Hong está tentando criar uma gama de materiais impressos em 3D. Os materiais poderão ser transformados em vasos sanguíneos flexíveis – específicos para cada paciente – e misturados com células humanas já existentes.

O projeto conduzido por Hong é ambicioso, mas tem grande potencial. E, caso seja bem-sucedido, fortalecerá ainda mais a importância da impressão 3D na medicina. Além disso, poderá incentivar outros profissionais a pensar fora da caixa. Acima de tudo, o sucesso da pesquisa ajudará a melhorar a qualidade da vida de todos.

Na era em que vivemos, cada vez mais o analógico e o digital se mesclam. Em síntese, se tornam indistinguíveis um do outro. Em poucos segundos, bits e bytes se transformam em átomos e, agora, também em vasos sanguíneos.

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Redação

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