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Ciência

China revela planos para levar insetos e plantas ao “lado oculto” da Lua em 2018

A missão pretende explorar a geologia local e estudar os efeitos da gravidade lunar

Estamos vivendo a era de ouro da exploração espacial. A Lua, que foi o centro das atenções nos anos 70, voltou agora a ser alvo de interesse. Além da recente diretiva de Trump para que a NASA novamente a explore, agências espaciais e empresas privadas estão planejando suas próprias missões na superfície lunar.

Dentre as principais empresas aerospaciais privadas estão a Space X, de Elon Musk, que anunciou planos para lançar a primeira viagem turística em torno da Lua em 2018, e a Blue Origin, de Jeff Bezos, a qual está desenvolvendo um enorme foguete com o objetivo de levar os humanos à Lua até 2020.

Já dentre as principais agências espaciais estão a própria NASA, que uniu forças com a agência espacial russa Roscosmos com o objetivo de construir uma estação espacial em órbita lunar até 2025, e a Agência Espacial Europeia (ESA), cujos planos envolvem a construção de aldeia lunar até 2030.

Mas, agora, o Programa Chinês de Exploração Lunar – batizado de Programa Chang’e, em homenagem à antiga deusa lunar chinesa – também revelou planos para estudar a superfície da Lua. A iniciativa almeja explorar a geologia local e avaliar os efeitos da gravidade lunar sobre insetos e plantas.

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O lander da missão Chang’e 3 na superfície lunar (Crédito: Chinese Academy of Sciences)

O “lado oculto” da Lua

A missão Chang’e 4 terá início em junho de 2018, quando será lançado o foguete Long March 5 com uma sonda de retransmissão a bordo. O satélite permanecerá estacionado a 60.000 km atrás da Lua (Ponto de Lagrange L2). O objetivo é fornecer um link de comunicação entre a Terra e o “lado oculto” da Lua.

Uma vez estabelecida a conexão, a China começará a segunda parte da missão, enviando um lander e um rover. Ao aterrar no lado escuro da Lua, o país superaria as conquistas históricas dos Estados Unidos e da antiga União Soviética. Ninguém jamais tentou esse tipo de pouso antes.

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A China pretende estacionar um satélite no Ponto de Lagrange L2 (Crédito: Wikipedia)

Além de um conjunto avançado de instrumentos, o lander também estará carregando um recipiente de liga de alumínio cheio de sementes (batatas e arabidopsis) e insetos (ovos do bicho-da-seda), com a finalidade de produzir, respectivamente, oxigênio e dióxido de carbono na superfície lunar.

O recipiente enviará batatas, sementes de arabidopsis e ovos de bicho da seda para a superfície da Lua. Os ovos chocam os bichos-da-seda, que podem produzir dióxido de carbono, enquanto as batatas e as sementes emitem oxigênio através da fotossíntese. Juntos, eles podem estabelecer um ecossistema simples na Lua. – Zhang Yuanxun (designer do recipiente)

Bacia do Polo Sul-Aitken

A Lua completa seu ciclo de fases sempre mantendo a mesma face voltada para a Terra. Isso não necessariamente significa que ela não tenha movimento de rotação, mas apenas que período em que gira em torno de si mesma leva o mesmo tempo do movimento de translação em torno da Terra.

À medida que gira em torno da Terra, a Lua gira também em torno do seu eixo – o que nos leva a enxergar sempre a mesma face. Isso ocorre porque a força gravitacional da Terra freia a rotação lunar e produz uma força de maré ainda mais forte sobre a Lua. Não por outra razão o fenômeno se chama “força de maré”.

A missão chinesa ofereceria uma oportunidade única de explorar o “lado oculto” da Lua, o qual nenhuma agência especial conseguiu estudar a fundo até hoje devido às dificuldades de comunicação. E uma das regiões inexploradas nesta face escura é, sem dúvida, a Bacia do Pólo Sul-Aitken.

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Representação da Bacia do Pólo Sul-Aitken (Crédito: Wikipedia)

A Bacia do Pólo Sul-Aitken é uma enorme cratera de impacto localizada no “lado oculto” da Lua. Medindo cerca de 2.500 quilômetros de diâmetro e 13 quilômetros de profundidade, é uma das maiores bacias de impacto do Sistema Solar e fonte de grande interesse para os cientistas.

A região apresenta grandes quantidades de água congelada, provenientes do impactos de meteoros e asteroides ao longo dos séculos. Como não há luz solar direta na face escura da Lua, o gelo da água nestas crateras não foi sujeito a sublimação e dissociação química, estando, a princípio, disponível para ser estudado.

Caso seja bem-sucedida, a missão Chang’e 4 contribuirá para o conhecimento científico de maneira sem precedentes na história, fornecendo valiosas informações sobre a Bacia do Pólo Sul-Aitken, a geologia do “lado oculto” da lua e os efeitos da gravidade lunar em plantas e insetos.

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