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Tecnologia

Cientistas desenvolvem esponja para detectar câncer de esôfago

O dispositivo já foi testado, com êxito, em mais de 2.000 pacientes

Nas últimas décadas, a ciência fez avanços significativos na investigação do câncer, desde vacinas personalizadas a nanopartículas biodegradáveis que ajudaram a aumentar as probabilidades de sobrevivência. Mas há um tipo de câncer em especial que vem dando causando muita “dor de cabeça” nos cientistas.

Estamos falando do câncer de esôfago, que afeta mais de 16.000 pessoas por ano. Um dos principais problemas relacionado à doença está centrado na sua difícil detecção. O diagnóstico envolve métodos bastante invasivos (como esofagoscopia, cromoendoscopia e espectroscopia de fluorescência) que nem sempre são eficientes.

Mesmo que as triagens sejam realizadas em tempo hábil, os testes têm riscos e efeitos colaterais.

Um dos principais riscos é a detecção de falsos positivos, ou até mesmo falsos negativos, que podem levar pacientes à depressão. Já um dos principais efeitos colaterais é, no caso de métodos mais intensos como a esofagoscopia, a dificuldade respiratória e até mesmo um aumento no risco de ataque cardíaco.

Há décadas, pesquisadores e clínicos têm empreendido esforços para criar testes que sejam menos invasivos e de menor risco aos pacientes e, ao mesmo tempo, sejam eficientes para detectar a enfermidade. A boa notícia é que, após muitos anos, a combinação parece ter finalmente se concretizado.

Uma esponja que pode detectar câncer de esôfago

Pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram uma esponja capaz de detectar a Síndrome de Barrett, nome dado a uma alteração do tecido mucoso da parte final do esôfago, próximo ao estômago. A Cytosponge, como é chamada, captura células existente no revestimento esofágico, viabilizando a detecção precoce de câncer.

Ao contrário de testes tradicionais, a Cytopsponge é bem menos invasiva. O procedimento funciona da seguinte forma: a esponja é inserida em uma cápsula anexada a um fio, que, por sua vez, é engolido pelo paciente.

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A esponja é inalada como se fosse um comprimido, segurado por um fio

Uma vez no estômago, o revestimento externo da cápsula se dissolve em apenas 5 minutos. Uma enfermeira, então, puxa a esponja pelo tubo de alimentação, permitindo que a superfície do dispositivo colete as células do revestimento esofágico.

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Ao ser dissolvida no sistema digestivo, a esponja, aberta, é puxada de volta

Por fim, as células coletadas são usadas para detectar a existência (ou não) de câncer. O diferencial da tecnologia, além de ser menos desconfortável que os métodos tradicionais, e também mais barata, é que não captura todos os tipos de células cancerígenas, mas apenas àquelas vinculadas ao esôfago.

A cápsula-esponja já foi testada, com êxito, em mais de 2.000 pacientes. Os cientistas estão agora procurando 9.000 pacientes, com idade superior a 50 anos, para realizar mais testes.

As expectativas são de que, ao final das investigações, a inovação seja adotada na prática corrente, aumentando as chances de detecção de câncer de esôfago e, sobretudo, contribuindo para salvar vidas.

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