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Ciência

Empresa planeja criar “câmaras de hibernação” para viagens espaciais prolongadas

A iniciativa da SpaceWorks poderá revolucionar a exploração do cosmos

Missões espaciais tripuladas sempre foram muito exploradas pela indústria cinematográfica. Dezenas de filmes de ficção científica retratam viagens a planetas distantes, entusiasmando telespectadores com a possibilidade de desbravarmos o espaço no futuro.

Contudo, por mais emocionante que seja a perspectiva de viajar pelo cosmos, as missões espaciais prolongadas ainda permanecem no campo das ideias. Definitivamente, ainda não temos todas as inovações tecnológicas necessárias para que isso aconteça.

Marte, o planeta que está no topo dos destinos dos programas espaciais para missões tripuladas, fica a milhões de quilômetros da Terra (uma animação criada por David Paliwoda and Jesse Williams pode nos ajudar a compreender quão distante é o planeta vermelho. Veja aqui).

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Quão distante é Marte? (Crédito: Shutterstock)

De 2 em 2 anos, Marte e Terra alcançam o ponto mais próximo, chamado de “oposição”, atingindo 55.000.000 km de distância. Ainda assim, é muito longe – e uma viagem pode durar até 10 meses. Sem dúvida, o tempo necessário para alcançar o destino é uma questão que não pode ser desconsiderada.

Os cientistas sabem que manter todos os membros da tripulação acordados durante uma missão até Marte envolve um grande volume de alimentos, água e oxigênio. O problema é que ainda não temos a tecnologia para viabilizar viagens espaciais prolongadas.

Outro problema diz respeito ao impacto psicológico que as missões de longo prazo podem gerar nos tripulantes. Os viajantes espaciais podem sofrer depressão, claustrofobia e ansiedade, o que poderá prejudicar a viagem e colocar em risco os demais passageiros.

A ficção científica procura evitar estes cenários colocando os exploradores espaciais em sono profundo – um estado de animação suspensa. Contudo, desacelerar o metabolismo humano, garantindo que o tripulante fique vivo por longos períodos, é algo bem mais fácil de dizer do que fazer.

De todas as iniciativas até hoje divulgadas, a SpaceWorks é uma das que mais promete revolucionar a exploração no cosmos. A empresa, liderada por John A. Bradford, almeja encontrar uma maneira de hibernar equipes em viagens espaciais prolongadas.

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A SpaceWorks pretende hibernar equipes em viagens espaciais prolongadas (Crédito: SpaceWorks)

Hipotermia terapêutica

A empresa propõe um método chamado hipotermia terapêutica. O processo envolve esfriar lentamente o corpo para 32-34º C – geralmente um grau por hora – para diminuir a frequência cardíaca e reduzir a pressão arterial.

O método já está sendo utilizado em hospitais para tratar pacientes com paradas cardíacas ou lesões cerebrais traumáticas. Durante o período de resfriamento, os médicos têm mais tempo para resolver os problemas.

Um paciente normalmente permanece em estase por 2-4 dias. Em situações excepcionais, quando existe a real necessidade, um paciente pode ficar em hipotermia até duas semanas. O japonês Mitsutaka Uchikoshi chegou a sobreviver 24 dias em estado de “hibernação”.

Sabendo de todos esses dados, a SpaceWorks acredita ser capaz não apenas de estender o período de “hibernação” para meses, como também de desenvolver a tecnologia necessária para automatizar o processo de hipotermia e aplicá-lo em missões espaciais de longa duração.

O futuro das viagens espaciais

Ao contrário das cápsulas de hibernação retratadas em filmes de ficção científica, na qual os viajantes espaciais são deixados individualmente em animação suspensa, a SpaceWorks está projetando uma câmara aberta para permitir que a equipe entre em estase por turnos.

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Os viajantes espaciais “hibernariam” em grupos (Crédito: SpaceWorks)

A equipe da SpaceWorks entrevistou especialistas médicos e a maioria deles concorda que ciclos mais curtos e repetidos de entrada e saída de estase seriam mais seguros do que um único ciclo prolongado. Assim, ao contrário dos filmes de Hollywood, na vida real a tripulação não dormiria durante todo o voo.

Enquanto parte da equipe ficaria adormecida, outra parte ficaria acordada. O conceito evita adicionar muito peso na aeronave e também garante que sempre haja pessoas atentas para monitorar os tripulantes (em hibernação) e gerenciar eventuais emergências durante a missão.

Se a equipe estiver adormecida, isso reduz a quantidade de alimentos e os sistemas de suporte vital, reduzindo significativamente (…) os custos. – John A. Bradford

Existem ainda muitos obstáculos a superar. Nossos corpos não são projetados para ambientes de baixa gravidade. No espaço, nossos ossos e músculos podem perder massa gradualmente, e os cientistas ainda estão descobrindo como superar todos estes desafios.

Seja como for, a empresa SpaceWorks está confiante e deve começar testes em animais em 2018. Se tudo correr bem, passará a fazer testes com humanos na Estação Espacial Internacional. Será o futuro da exploração do cosmos?

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Redação do Futuro Exponencial

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