Cultura

Brasil: qual é nossa identidade social?

Brasil: qual é nossa identidade social? Às vésperas da eleição, a rede social revela parte da nossa personalidade como povo: pobre, imatura e atrasada.

E o Brasil apresenta ser atrasado em quase todos os índices globais: produtividade, inovação, infra-estrutura e cultura. Somos otimistas sobre nós mesmos e ignorantes quanto à nossa real situação perante o mundo.

Temos certeza de que somos melhores do que realmente somos. O cenário e o debate político atual revelam nossa alma coletiva: infantil, egoica e descolada dos movimentos progressivos do mundo.

Nossa identidade tornou-se fraca e distorcida e, perante o mundo, somos vistos como um país corrupto, leviano e não confiável, e há razões para isso. Em contrapartida, somos admirados pelo carisma, pela flexibilidade, pela simpatia, mas não por algo que tenhamos feito das últimas décadas que possa trazer contribuição relevante ao planeta que vivemos. (leia mais no artigo O Futuro do Brasil)

Pequenos eventos pontuais acontecem, mas se diluem frente às notícias sombrias que abastecem a mídia global nos últimos anos.

Qual é a identidade atual do brasileiro de bem e do novo Brasil?

Parecemos cansados de nós mesmos e do país que criamos. Gastamos um bom tempo falando mal uns dos outros, do nosso sistema e dos que nos representam, que foram eleitos pela maioria.

É certo que nosso povo é manipulável, porque não tem clareza nem consciência suficiente ainda para entender que o voto não é moeda de troca por vantagens ou benefícios pessoais, e sim a oportunidade de colocar no poder alguém que possa nos representar de Norte a Sul.

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Estamos longe do Brasil do futuro que desejamos (Crédito: Adobe Stock)

O cenário político se estende às empresas e à sociedade. Com a quarta revolução em andamento, empresas e profissionais perderam sua identidade. Não sabem quem são, para onde vão e que futuro os espera. Sequer questionam o futuro que desejam construir de forma  robusta.

Estamos novamente na era da gestão do medo e da sobrevivência, com as mesmas premissas de antes: quem corre mais sai na frente. Estratégias imaturas de curto prazo.

As empresas do Brasil

Empresas tradicionais já descobriram que talvez tenham poucos anos de vida, e que seu nível de competitividade diminuiu muito. Empresas em transição estão errando mais do que acertando, porque estão lotadas de iniciativas soltas que permitem experimentos, mas não os levam para o novo mundo de forma sólida.

Colocamos todas as fichas em tecnologia e em fórmulas da moda, mas não há estratégia robusta nem um olhar mais cuidadoso com a adaptação da cultura para que a mudança aconteça sem traumas. Ecossistemas de inovação enlatada estão por todos os lados, com milhares de startups com suas fórmulas disruptivas copiadas de vales inspiradores, que já mostram alta fragilidade e um nível muito baixo de sustentabilidade.

Em paralelo, novos modelos de negócio não imaginados vem surgindo silenciosamente: as empresas de modelo distribuídos e transinstituições.

Profissionais de todas as idades questionam suas vidas, seus trabalhos e buscam respostas externas quando a busca deveria ser interna. Perguntas como “quem é você?”, “qual é seu papel no mundo?” e “como pode colocar seu trabalho à serviço da sociedade e do mundo e não apenas de si mesmo?” são perguntas com respostas vazias entre a maioria das pessoas. Estamos mais distraídos do que nunca pelo barulho digital.

Depressão em alta, dúvidas, angústias, medos e bipolaridade exacerbada. A maioria quer ter razão, e não lutar por um Brasil melhor. A maioria quer garantir seu futuro, e não construí-lo de forma equilibrada para todas as pessoas. (leia mais no artigo O Futuro dos Negócios)

A sociedade do Brasil

Minhas pesquisas e observações me levam a crer que estamos olhando para nossa história passada e não há o que a apreciar, e antes de pensar no futuro precisamos passar o país e seu povo a limpo.

Há um acerto de contas pessoal e coletivo em andamento. Sem identidade social e pessoal não haverá estrada para o futuro. Sem pessoas de melhor qualidade não haverá um novo Brasil.

A sociedade precisa se unir em torno de projetos de futuro. Empresas precisam olhar para fora para compreender as novas demandas pós consumidor. Pessoas precisam olhar para dentro para encontrarem sua identidade verdadeira. (Leia mais no artigo O Futuro é Humano).

Somente o  encontro de empresas e governo com propósito social e pessoas autênticas e íntegras trará reais possibilidade de reescrever a história do Brasil em uma nova versão, regada à ética, sustentabilidade e senso de existência coletivo. Estamos longe do Brasil do futuro que desejamos.


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Jaqueline Weigel

Futurista, Humanista, Estrategista de Inovação, Instrutora de Liderança Exponencial e CEO da W Futurismo.

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