Ciência

O bilionário que pagou US$ 10 mil para digitalizar seu cérebro

Sam Altman é um jovem bilionário de 32 anos que se tornou conhecido no mundo da inovação e da tecnologia por seu trabalho como programador e empreendedor. 

Atualmente, ele é o presidente da aceleradora Y Combinator e da Open AI, uma instituição sem fins lucrativos voltada a pesquisas sobre inteligência artificial com a finalidade de promovê-la de forma “amigável” e em benefício da humanidade. E que tem o magnata Elon Musk como vice-presidente. Como investidor anjo, ele já desembolsou grana para empresas consagradas como Airbnb, Reddit, Soylent e tantas outras.

Além de ser conhecido por sua influência e fortuna, Altman chama a atenção também por apostar em projetos ousados e até polêmicos dentro desse universo já vanguardista. Recentemente, ele literalmente comprou uma ideia que aumentou ainda mais a sua fama de louco: pagou a bagatela de US$ 10 mil para digitalizar seu cérebro e manter sua consciência e demais informações cerebrais “vivas” mesmo depois da sua morte.

bilionário sam
O bilionário Sam Altman (Crédito: Getty Images)

Os planos ambiciosos do bilionário

Quem está vendendo esse peixe é a startup Nectome, acelerada pela própria Y Combinator. A ideia da startup é justamente “arquivar a mente” de seus clientes e, quando a tecnologia já estiver suficientemente avançada, permitir um upload dessa mesma mente para uma máquina e, posteriormente, para um corpo artificial ou algo do tipo.

Sim, um prato cheio para obras de ficção científica e que até já virou pauta para filmes como “Transcendence” (2014), no qual o personagem Will Caster (interpretado por Johnny Depp) tinha sua mente transferida para um computador.

Além de Sam Altman, outras 24 pessoas compraram a ideia da Nectome e aceitaram “digitalizar seus cérebros” para terem uma chance de ganharem um “continue” depois da morte física. Todos tiveram que desembolsar esse valor estimado em US$ 10 mil (cerca de R$ 33 mil) para assegurar sua vaga.

O detalhe mais bizarro dessa história é que a pessoa tem que estar disposta a morrer para que o projeto funcione. Isso porque a pessoa precisa estar viva antes do congelamento do cérebro, mas, para saber se o plano vai dar certo, só mesmo depois do óbito.

bilionário brain
A pessoa tem que estar disposta a morrer para que o projeto funcione (Crédito: Getty Images)

O próprio cofundador da Nectome, Robert McIntyre, afirma que o procedimento é “100% fatal”, o que torna a experiência semelhante a um suicídio assistido, algo que já é legalizado em alguns estados americanos.

Insanidade ou não, o fato é que Sam Altman segue despontando como um dos investidores mais ousados e atrevidos da nossa geração. Sua recente e bem sucedida carreira como presidente da Y Combinator, somada à fortuna arrebatada por sua exímia visão de negócios, mostra que ele pode até ser um maluco, mas um maluco esperto. E quando você vê um maluco esperto apostando em algo, é bom ficar de olho.

A questão é: se esse projeto da Nectome realmente vingar e Sam Altman conseguir, junto aos seus 24 colegas, manter sua consciência viva mesmo após a morte física, o que vai acontecer depois? Será que teremos a primeira geração de super-humanos que abrirão os olhos depois do óbito?

Como a ética, a filosofia, a antropologia e a própria religião vão lidar com isso? Será que esse tipo de serviço se tornará um privilégio para pessoas com bala na agulha ou vai ser algo “popular” (imortalidade no SUS, já pensou?).

E você? Teria coragem de desembolsar R$ 33 mil para ter sua mente digitalizada e transferida para uma máquina depois da sua morte? Só não precisa responder agora, ainda temos uma vida inteira pela frente.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER SEMANAL

Bruno Seidel

É fã de super-heróis japoneses, quadrinista nas horas vagas e entusiasta de futurismo. É sócio-fundador do Zoonk (zoonk.org). Trabalha como profissional de Criação na Assessoria de Comunicação e Marketing da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

ARTIGOS RELACIONADOS

Comentários no Facebook