Tecnologia

E se um algoritmo tivesse escrito esse texto, você saberia?

No ano de 2013, os pesquisadores Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, da Oxford Martin School, no Reino Unido, publicaram um interessante estudo sobre o futuro do trabalho. Na ocasião, analisaram de que forma a inovação tecnológica, algoritmo(s) e máquinas poderiam afetar o mercado de trabalho nas próximas décadas.

Durante a pesquisa, Frey e Osborne classificaram 702 profissões de acordo com sua probabilidade de serem eliminadas por computadores (inteligência artificial e robôs), do menor (“0”) ao maior risco (“1”).

A pesquisa constatou que cerca de 47% do emprego total nos Estados Unidos estaria em risco nas próximas décadas. Concluiu, ainda, que o emprego diminuiria consideravelmente em relação aos trabalhos repetitivos e rotineiros, mas cresceria em relação a ocupações e cargos criativos/cognitivos de altos salários.

Embora o estudo de Frey e Osborne seja reconhecido internacionalmente, a conclusão de que ocupações e cargos criativos/cognitivos de altos salários correriam risco mínimo de automação pode não necessariamente se concretizar.

Isso porque, mesmo a escrita – uma das atividades mais criativas que conhecemos – poderá ser substituída por máquinas nos próximos anos. Uma quantidade surpreendente de textos são elaborados não por humanos, mas por algoritmos de computador.

Essa demanda, aliada a uma tecnologia cada vez mais sofisticada, está gerando uma nova indústria. Qual seja, a de geração (criação) automatizada de narrativas. Algoritmos sofisticados estão criando narrativas em qualquer estilo apropriado para um público específico.

No futuro, a maior parte das notícias será criada por algoritmo

A tecnologia avança de forma tão veloz que, segundo Kristian Hammond, cofundador da Narrativa Science – empresa especializada em geração automatizada de narrativas –, mais de 90% das notícias serão geradas por um algoritmo até meados de 2027.

À exceção do próprio algoritmo, que dependerá ainda da intervenção humana, a maior parte das notícias será criada automaticamente pelas máquinas.

O conteúdo dos textos criados atualmente soa humano. Ao ler dois trechos semelhantes, é difícil distinguir qual deles foi escrito por um humano. Da mesma forma, saber qual foi produzido por um robô.

algoritmo notícias
No futuro, a maior parte das notícias será escrita por algoritmos

Sendo assim, repare nos dois trechos a seguir (em inglês), citados em um artigo do The New York Times:

Things looked bleak for the Angels when they trailed by two runs in the ninth inning, but Los Angeles recovered thanks to a key single from Vladimir Guerrero to pull out a 7-6 victory over the Boston Red Sox at Fenway Park on Sunday.

The University of Michigan baseball team used a four-run fifth inning to salvage the final game in its three-game weekend series with Iowa, winning 7-5 on Saturday afternoon (April 24) at the Wilpon Baseball Complex, home of historic Ray Fisher Stadium.

Um deles foi escrito por um humano e outro por um algoritmo. Você conseguiu identificar a diferença? Embora o percentual de acerto seja 50-50 nesse rápido exemplo, fica realmente difícil afirmar com certeza, não?

Humano ou algoritmo?

No ano de 2014, Christer Clerwall, pesquisador de produção de mídia, mídia digital e jornalismo digital na Universidade de Karlstad (Suécia), conduziu um interessante estudo para saber se era possível identificar, sem muito esforço, uma notícia escrita por um autor humano de uma notícia produzida por um algoritmo.

Após apresentar uma série de trechos a um grupo de pessoas, o estudo constatou que os participantes, de fato, não conseguiram distinguir a diferença entre uma e outra:

Não há (com um exceção) diferenças significativas na forma como os dois textos são percebidos pelos inquiridos.

Empresas como a Narrativa Science vislumbraram um excelente mercado no segmento de geração automatizada de narrativas. E estão usando algoritmos para criar conteúdo escrito e aliviar os seres humanos do processo de escrita.

A Associated Press já utiliza a plataforma da empresa Automated Insights para criar mais de 3.000 relatórios financeiros por trimestre. A Forbes, da mesma forma, usa plataforma Quill da Narrative Science para obter resultados semelhantes.

Em síntese, uma quantidade chocante do que estamos lendo é criado não por humanos, mas por algoritmos de computador. E a tendência é que as máquinas assumam até mesmo a atividade criativa dos jornalistas.

Até onde este “robô-jornalismo” poderá nos levar?


P.S. Antes de encerrar: o primeiro trecho exposto antes foi produzido por um algoritmo, enquanto o segundo por um autor humano. Faça o quiz (em inglês) AQUI  e veja se consegue diferenciar notícias escritas por humanos de notícias produzidas por algoritmos.

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Redação

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