Sustentabilidade

Abundância ou escassez?

Frequentemente sou questionado se eu acredito em um cenário de abundância ou de escassez. Perguntam-me se eu acredito que a tecnologia irá resolver os principais problemas da humanidade, como alimentação, saúde, segurança e moradia, por exemplo. Eu respondo que não.

A tecnologia não vai resolver nenhum desses problemas. Quem vai resolver esses problemas são as pessoas, mas somente se elas quiserem e persistirem. Já temos tecnologia hoje para resolver ou minimizar grande parte das dores que afligem a espécie humana, a começar pela fome e pela sede.

Técnicas alternativas para produção de alimentos e para obtenção de água já poderiam ser aplicadas em diversas regiões do planeta que hoje sofrem com esses problemas. Por que não são aplicadas? Porque falta interesse e persistência àqueles que dominam os recursos.

Por outro lado, a tecnologia pode ser utilizada como ferramenta de empoderamento. O movimento de descentralização não é uma característica técnica exclusiva de blockchain. Ainda assim, essa característica de descentralização é entendida como um dos principais elementos que tornam a tecnologia tão atraente.

Em outra palavras, descentralização foi entendida pelo mercado como valor, o que, no último estágio dessa relação de implicação, quer dizer que a sociedade está se movimentando rumo a um mundo descentralizado. Descentralização, portanto, é, em primeira instância, um valor humano, não uma característica tecnológica.

Com o empoderamento das pontas se torna mais provável que pessoas com interesse e persistência tenham acesso aos recursos necessários para as transformações. E nisto eu acredito: nas pessoas. De toda forma, é difícil ter que opinar sobre abundância ou escassez, sobre utopia ou distopia.

Abundância versus escassez

O mundo não é binário. A vida não é tão lógica. A realidade, na maioria dos casos, é um misto de bem e mal. Eu verdadeiramente acredito que o mundo está melhorando. Acredito nisso com base em dados, como este estudo da Universidade de Oxford.

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O mundo não é binário (Crédito: Shutterstock)

Mesmo assim, cabe destacar um alerta de forma mais clara: tomemos cuidado com posicionamentos extremistas. A principal função das posições extremas é ampliar nossa visão. Elas sim, servem para nos tirar da zona de conforto, para nos fazer pensar de uma forma diferente, para que enxerguemos as coisas sob diferentes pontos de vista.

Mas abordagens extremas tipicamente falham por não considerar os pontos de vista antagônicos. De toda forma, a dualidade abundância versus escassez tem uma última e grande utilidade: ela nos faz refletir sobre para o que queremos trabalhar.

Eu optei por trabalhar para a abundância, mesmo sem acreditar que existirá um mundo perfeito. Optei por apoiar o desenvolvimento seguro da Inteligência Artificial. Optei por alocar minha energia em projetos que visam ao bem das pessoas. Vamos juntos?

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Vinicius Soares

Engenheiro de Telecomunicações pelo Instituto Nacional de Telecomunicações e MBA em Marketing pela FGV. Atua no mercado de TIC há mais de 20 anos, com experiência em gestão de desenvolvimento de software, gestão de portfólio, marketing e vendas B2B. É especialista em Inteligência Artificial e em Estratégia de Produtos e Serviços em TIC. Fundador do AiNews Network e da Mais a.i., empreendimentos baseados em Inteligência Artificial, sendo o AiNews Network um site com conteúdo especializado em I.A. e a Mais a.i. uma empresa de consultoria, projetos e educação executiva, também em I.A.

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