Inovação

Conheça os 9 princípios de inovação do Google

O Google é amplamente considerado, tanto pelo público em geral quanto por especialistas em negócios, uma das empresas mais inovadoras do mundo. Você provavelmente já se perguntou como a empresa produz tantas ideias criativas e cria novos produtos altamente rentáveis em tão pouco tempo.

Contudo, ao contrário do que muitos pensam, a “receita” do Google para impulsionar a inovação não é guardada a sete chaves. Muito pelo contrário: o segredo do sucesso chegou a ser divulgado publicamente não menos do que três vezes nos últimos anos.

A primeira versão dos princípios de inovação do Google (2008)

No ano de 2008, o Google compartilhou abertamente ao público seus 9 princípios da inovação, através da Ex-Vice-Presidente de Pesquisa Marissa Mayer:

  1. Inovação e não a perfeição instantânea
  2. Ideias vêm de toda parte
  3. Licença para seguir seus sonhos
  4. Transforme os projetos, não os descarte
  5. Compartilhe informações o máximo que puder
  6. O foco é nos clientes, não no dinheiro
  7. Os dados são apolíticos
  8. Criatividade ama restrições
  9. Recrute pessoas brilhantes

A segunda versão dos princípios de inovação do Google (2011)

Já em 2011, Susan Wojcicki, Ex-Vice-Presidente Sênior de Publicidade do Google, apresentou uma nova relação formada por 8 princípios (ou pilares):

  1. Procure a inovação contínua, não a perfeição instantânea
  2. Procure ideias por toda parte
  3. Seja uma plataforma
  4. Pense grande, mas comece pequeno
  5. Compartilhe tudo
  6. Desencadeie com imaginação, alimente com dados
  7. Nunca deixe de fracassar
  8. Tenha uma missão significativa

A mais recente versão dos princípios de inovação do Google (2013)

Mais recentemente, em 2013, o Google codificou um novo conjunto de 9 princípios da inovação, atualizando as relações de 2008 e 2011. À época, muitos se questionaram o motivo de tantas mudanças na principiologia do Google em pouco menos de uma década.

Na ocasião, Gopi Kallayil, então Chief Evangelist, disse que os princípios antigos são “igualmente válidos”, mas as novas diretrizes são mais condizentes com o momento atual do Google.

Dada a atual escala e tamanho da empresa, existem outros princípios de inovação que estão surgindo. Isso não significa que os outros princípios estão se tornando irrelevantes, mas que eles se transformaram. – Gopi Kallayil

google chief
Gopi Kallayil, Chief Evangelist do Google

Portanto, confira a seguir a (mais atualizada) lista dos 9 princípios do Google, que qualquer empresa, grande ou pequena, pode adotar para promover mais inovação.

1. A inovação vem de qualquer lugar

Só para ilustrar: ideias vêm de qualquer pessoa, do topo da organização ao “chão da fábrica”, até mesmo dos lugares que menos esperamos.

Como um exemplo inusitado na história do Google, um de seus médicos argumentou que a empresa possuía a obrigação moral de ajudar as pessoas que digitassem “como cometer suicídio” (how to commit suicide) na ferramenta de busca.

Embora a ideia tenha partido de alguém a princípio inesperado, o Google ajustou a resposta do motor de busca para que o topo da tela revelasse o número de telefone gratuito para a Linha de Prevenção Suicídio Nacional.

O volume de chamadas subiu em 9% logo depois. A mesma mudança foi adotada em muitos outros países (no Brasil, a mensagem que aparece é “141 – Centro de Valorização da Vida”).

2. Foque o usuário

O Google encoraja os funcionários a construir produtos com o usuário em mente (não os lucros). Enfim, na perspectiva da empresa, a preocupação com o dinheiro não é o principal, sendo deslocada para um segundo momento.

Crie uma grande experiência ao usuário e as questões de receita cuidarão de si mesmas. – Gopi Kallayil

3. Pense dez vezes mais, não 10% mais

Ingressar no Google pensando que você vai melhorar as coisas em 10% por cento é, sem dúvida, algo bom. Você verá provavelmente alguns aprimoramentos. Mas se você quer verdadeiramente a inovação radical e revolucionária, não deve pensar 10% mais; deve pensar 10 vezes mais (fora da caixa).

Foi a partir desse princípio, idealizado por Larry Page, que a empresa iniciou um de seu mais ousados projetos, o Google Books, com o objetivo de digitalizar todos os livros já impressos na história. O Google já digitalizou mais de 30 milhões de livros e pretende vencer sua meta nas próximas décadas.

4. Aposte nos conhecimentos técnicos

Esta é uma nova visão de um dos princípios de 2008 (Os dados são apolíticos). Cada organização tem insights exclusivos, e, se apostarmos neles, eles nos levarão a grandes inovações. Em síntese, o Google sempre aposta nos conhecimentos de seus colaboradores.

Os engenheiros da empresa perceberam que mais de um milhão de mortes no trânsito eram causadas, todos os anos, por erro humano. Desse modo, tiveram a ideia de que, se reduzissem o número de seres humanos na condução dos veículos, o trânsito seria mais seguro.

5. Interaja com os usuários

Em resumo, este pilar é uma releitura de um dos princípios apresentado por Marissa Mayer em 2008 (Inovação e não a perfeição instantânea).

De acordo com Kallayil, o Google confia sempre no feedback do usuário para orientar o desenvolvimento de seus produtos. Assim, a empresa submeter os produtos ao público com frequência e rapidamente, sem esperar pela perfeição (que nunca será alcançada).

O Gmail, por exemplo, permaneceu na versão beta durante três anos até o lançamento oficial. Da mesma forma, quando o Chrome foi lançado em 2008, a cada seis semanas o Google lançou uma versão aprimorada.

6. Conceda 20% de tempo livre aos colaboradores

Em síntese, no Google, os engenheiros e gerentes de projeto têm a liberdade de reservar um dia por semana para trabalhar em uma ideia favorita.

A empresa incentiva os funcionários a despender 20% de seu tempo de trabalho para prosseguir com projetos paralelos que eles são apaixonados, mesmo que seja fora do trabalho principal ou missão central da empresa.

O princípio tem um valor especial, pois, por meio dele, foram criados produtos relevantes para a empresa, tais como o Google News, o Google Alerts e o Google AdSense.

7. Deixe as portas abertas para criar de novos processos

O Google acredita que as pessoas mais inteligentes do mundo estão soltas por aí, fora da empresa. Por isso, torna seus processos abertos a todas as pessoas, aproveitando a energia coletiva da sua base de usuários para a criação de grandes ideias.

Estamos aproveitando a criatividade fora do Google. – Gopi Kallayil

Quando o Google criou o Android, por exemplo, sabia que não poderia contratar os melhores programadores do planeta. Dessa forma, criou a plataforma em versão open source e encorajou os desenvolvedores fora da empresa a desenvolver novos aplicativos.

8. Falhe bastante

No Google, o fracasso não é repreendido. Em contrapartida, é um distintivo de honra.

Há uma crença na empresa de que se você não falhar com frequência suficiente, você não está tentando o suficiente. – Gopi Kallayil

A empresa possui uma lista de ideias que falharam. Uma vez que um produto não consegue atingir seu potencial, ele é eliminado, mas de seu descarte surge uma lição para que o sucesso seja alcançado nas novas criações da empresa.

9. Tenha uma missão significativa

Em síntese, este princípio estava ausente da lista de 2008, mas apareceu de forma proeminente na relação de 2011.

Este é o mais importante. Todo mundo no Google tem um senso forte de missão e propósito. Acreditamos que o trabalho que fazemos tem um enorme impacto em milhões de pessoas de forma positiva. – Gopi Kallayil

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Redação

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