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Os 4 mindsets da era digital

A evolução exponencial da tecnologia é o principal vetor da nova mudança

Não vivemos uma era de mudanças. Vivemos uma mudança de era! – Chris Anderson

Parece um jogo de palavras, mas este entendimento é fundamental para entender o contexto em que estamos vivendo.

Mudança de era

Provavelmente você (assim como eu) que está lendo nasceu e cresceu em uma era denominada industrial. Esta era possui características da indústria, como pensamento linear, foco nas partes para entender e melhorar o todo, padronização e repetição como sinônimo de produtividade e a previsibilidade dos acontecimentos como algo natural na vida e nas organizações.

Ao mesmo tempo que esta era industrial ainda não terminou, a era digital já começou (seria bem mais fácil se uma começasse após a outra, mas infelizmente não é assim). Ao contrário da era que está por acabar, a era digital privilegia as conexões, o pensar sistemicamente e valoriza a multidisciplinaridade ao invés da especialização.

era crescimento exponencial

O principal vetor desta mudança é a evolução exponencial das tecnologias (Crédito: Shutterstock)

A Lei de Moore e o crescimento exponencial

Neste sentido, é necessário entender o real significado do que é a exponencialidade. Impossível falar de crescimento exponencial sem citar a Lei de Moore.

Até meados de 1965 não havia nenhuma previsão real sobre o futuro do hardware quando o então presidente da Intel, Gordon E. Moore, fez sua profecia, na qual o número de transistores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses. Essa profecia tornou-se realidade e acabou ganhando o nome de Lei de Moore. (Wikipédia)

Ler o conceito, com nosso pensamento linear, em geral não nos faz entender o grande impacto que este fenômeno gera. Vou ajudar. Pegue um pedaço de papel em sua mão e dobre-o ao meio consecutivas vezes e conte o número de dobras que está realizando. Imagine um papel grande o suficiente que fosse possível dobrar cerca de 40 vezes.

Consegue imaginar a espessura que esta folha dobrada teria? Bom, o resultado pode variar em função do tipo de papel que você está usando, mas, ao colocar esta folha dobrada no chão, a outra extremidade encostaria na lua.

Sei que parece absurdo, mas é verdade. Você pode fazer o cálculo, procurar no Google para confirmar ou simplesmente assistir ao TED-Ed abaixo:

Esta é justamente a dificuldade que temos de projetar evoluções exponenciais.

Tecnologias exponenciais

Há diversas tecnologias que evoluem desta forma, em geral envolvem Inteligência Artificial, Robótica, Fabricação Digital (Impressão 3D), Nanotecnologia, Biologia Sintética e Medicina, Sistemas Computacionais e Redes.

Essas tecnologias, além de evoluírem exponencialmente, estão cada vez mais disponíveis às pessoas. Pare para pensar, por exemplo, no computador que você possuía (se é que possuía…) em casa na década de 90.

Normalmente neste época, os hardwares das empresas eram muito superiores em relação aos que as pessoas possuíam. Hoje, esta relação é diferente: é bem provável que consigamos possuir equipamentos similares ou até melhores que as organizações em que trabalhamos ou conhecemos.

As tecnologias exponenciais, e o acesso a elas, estão mudando o mundo e criando novos mindsets, que costumo resumir em 4 tipos:

1. Mais acesso, menos posse

Um bom exemplo para entender este conceito é o utilizado por Rachel Botsman no seu TED sobre economia compartilhada. Me responda, você tem furadeira? Você precisa de uma? Ou precisa do furo?

Segundo Rachel, uma furadeira é utilizada, em toda sua vida útil, em média menos de 14 minutos. É só pensarmos quanto tempo nossa furadeira efetivamente está sendo utilizada para fazer furos. Ter a furadeira é posse. Acessar a furadeira quando precisar é acesso.

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Mais acesso, menos posse: um dos mindsets mais importantes da era digital (Crédito: Shutterstock)

Vou utilizar um outro exemplo, desta vez pessoal. Em 2015, levei meu filho ao Fórum Internacional de Software Livre e lá ele conheceu a tecnologia de impressão 3D e teve a ideia de querer um Bulbasaur (uma espécie de Pokémon) impresso em 3D.

Acontece que eu não sabia nada de modelagem 3D e muito menos possuía uma impressora. Nada disso foi problema, pois acessei uma plataforma chamada Thingiverse, baixei o modelo em 3D gratuitamente e posteriormente acessei o 3dhubs e encontrei alguém próximo para realizar o serviço de impressão.

Consegui o que queria sem ter posse dos recursos, somente acesso!

2. Cultura Maker (DIY)

Assim como é possível acessar serviços das mais variadas espécies, é possível acessar laboratórios de fabricação super equipados com tecnologias de fabricação digital como impressão 3D, corte laser, CNC Router, Corte de Vinil, entre outros.

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A cultura de produzir com as próprias mãos vem crescendo exponencialmente (Crédito: Shutterstock)

Estes laboratórios são conhecidos como Fablabs e permitem que qualquer pessoa possa produzir e/ou prototipar praticamente qualquer produto. Esta cultura de produzir com as próprias mãos vem crescendo exponencialmente e mudando drasticamente a economia.

3. Co-criação

É ilusão pensar que dentro da sua organização há os melhores profissionais em todas as áreas que a organização necessita.

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A co-criação é facilitada pelas tecnologias e pelas ferramentas digitais (Crédito: Shutterstock)

Por mais que busquemos nos cercar formalmente dos melhores profissionais, se colocarmos como possibilidade utilizar o conhecimento de qualquer pessoa do mundo para determinada tarefa é fácil concluir que há alguém que pode resolver nossos problemas de uma forma melhor.

Plataformas de inovação abertas, por exemplo, têm crescido no sentido de buscar soluções mais criativas e eficazes para antigos problemas. A co-criação é facilitada pelas tecnologias e pelas ferramentas digitais.

4. Redes distribuídas

Dentre as várias tecnologias desta era digital, a Internet é a tecnologia que praticamente toda a população já possui acesso. O resultado disto é um mundo conectado que torna cada vez mais fácil acessar qualquer informação e qualquer pessoa ao redor do globo terrestre.

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Redes distribuídas incentivam acessar mais ao invés de ter posse (Crédito: Shutterstock)

Esta descentralização tem acontecido na comunicação, no acesso a serviços (como Uber e Airbnb), no mundo financeiro (como o Bitcoin) e em serviços de registros com a tecnologia de Blockchain. Redes distribuídas incentivam acessar mais ao invés de ter posse, facilitam a cultura maker e permitem que co-criemos mais!

Estes mindsets se complementam e se relacionam, afinal, a era digital é conectada!

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Professor universitário, engenheiro, palestrante e entusiasta de futurismo. Pai do Pedro e do Lucas. Adora tecnologia, mas mora em uma área rural. Filosofa, mas mete a mão na massa. Teve experiência empresarial como consultor por 15 anos. Atua também como mentor de startups, é cofundador de uma e já quebrou outra! Cofundador da WTF School.

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